Capitalismo Superindustrial

Capitalismo Superindustrial

Capitalismo Superindustrial, de Fernando Haddad, é um ensaio de economia política que reúne estudos dos anos 1980 e 1990 revisados e ampliados, discutindo o modelo global de acumulação, desigualdade e a mercantilização do conhecimento como fator de produção, com atenção à ascensão da China e à reconfiguração das classes sociais.

por Fernando Haddad

3.8/5
Editora: Zahar
Páginas: 397

Sinopse

Sinopse da editora

Com notável trajetória acadêmica e ampla experiência na gestão pública, Fernando Haddad está em posição singular para interpretar os desafios do mundo contemporâneo. Neste livro, ele discute os processos que nos trouxeram ao modelo hoje global do que chama de capitalismo superindustrial, marcado por desigualdade e competição crescentes.
Capitalismo superindustrial reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético, realizados por Fernando Haddad nos anos 1980 e 1990, revisados e ampliados, de modo a contemplar a bibliografia produzida desde então, bem como os desafios colocados pelo advento da China como potência global. Em prosa erudita e acessível, o autor discute temas como a acumulação primitiva de capital na periferia do capitalismo, a incorporação do conhecimento como fator de produção e as novas configurações de classe.

""Como indica o nome, o capitalismo é uma sociedade de classes. Quais são elas? Elas mudam e se recombinam ao longo da história? A incorporação da ciência à economia cria uma nova classe social? Neste livro instrutivo e inteligente Fernando Haddad explora terrores, paradoxos e oportunidades da sociedade comandada pelo capital."" Roberto Schwarz
""Haddad nos brinda com uma análise de fôlego intelectual incomum, nos impulsionando para o futuro, mas se recusando a dar as costas à história."" Leda Paulani


Resenha: vale a pena ler Capitalismo Superindustrial, de Fernando Haddad?

Você provavelmente chegou aqui porque ouviu falar de Capitalismo Superindustrial em algum debate político ou viu o nome de Fernando Haddad na capa e ficou curioso. Talvez esteja procurando um livro que ajude a entender por que o mundo está do jeito que está, com desigualdade subindo e a China mudando o jogo. A resposta curta: sim, este livro entrega isso, mas não do jeito que você imagina. É economia política com pé na história, e não análise de conjuntura nem relato de bastidores de governo.

O livro reúne textos que Haddad escreveu nos anos 1980 e 1990, revisados e ampliados para incorporar bibliografia recente e a ascensão chinesa. A origem dos textos explica o ritmo: é o de quem volta a uma oficina antiga, pega ferramentas que já conhece e afia o fio com aço novo. O resultado é uma tese de conjunto sobre o que o autor chama de capitalismo superindustrial, não uma coletânea de papers soltos.

O que muda quando a ciência vira mercadoria

O argumento central de Capitalismo Superindustrial não está na financeirização, que é onde a maioria dos críticos do capitalismo para. Haddad aponta outro lugar: a mercantilização da ciência, da informação e da criatividade. O conhecimento deixou de ser algo que fica na biblioteca e passou a funcionar como fator de produção, no mesmo pé que máquina ou terra. Imagine um laboratório onde a patente vale mais que a descoberta em si: é esse o mundo que o livro descreve.

Isso tem consequência direta nas classes sociais. Se a ciência vira mercadoria, a pergunta que Roberto Schwarz faz na orelha ganha peso: a incorporação da ciência à economia cria uma nova classe? Haddad responde que sim, as classes se reconfiguram. Não é mais só burguesia contra proletariado na linha de montagem. Tem gente nova no pedaço, e o livro tenta mapear quem é quem.

Da periferia ao centro: acumulação e classes no capitalismo de hoje

Outro eixo forte é a acumulação primitiva na periferia. Haddad mostra que centro e borda do capitalismo viveram processos diferentes, e isso não é detalhe de historiador: muda a forma como você entende o Brasil e a América Latina dentro do sistema. A ascensão da China aparece como peça que falta no quebra-cabeça, não como capítulo isolado.

A vantagem de ler um livro de economia política escrito por alguém com trajetória acadêmica e experiência real de gestão pública é que o texto não fala do Estado de cima do muro. Haddad já esteve dentro da máquina, e isso dá peso aos argumentos que puro academicismo não tem. Em vez do tom de debate televisivo, onde todo mundo grita e ninguém ouve, aqui a discussão é paciente e construtiva.

Dá para ler sem base em economia política?

A sinopse promete prosa erudita e acessível, e em parte é verdade. Fernando Haddad escreve com clareza, sem jargão gratuito, sem tom de manifesto. Ele prioriza explicar o mecanismo econômico em vez de enfeitar a frase.

Mas tem um porém. A escrita confia que você já sabe o que é acumulação primitiva, o que significa mercantilização, quais são as categorias clássicas da economia política marxista. Para quem chega sem essa base, alguns trechos vão parecer como chegar numa conversa onde todo mundo já conhece as piadas internas: você entende o contexto geral, mas perde o detalhe que faz a diferença. O rótulo de acessível é otimista.

Para quem serve (e para quem deve passar direto)

O livro serve para estudantes de ciências sociais, pesquisadores e gestores públicos que querem um quadro amplo das transformações do capitalismo contemporâneo. É leitura que conecta teoria marxista com a política atual sem romantismo, e que leva a China a sério como categoria de análise, não como curiosidade. Se você curte ensaios brasileiros sobre marxismo que dialogam com o debate público, vai se sentir em casa aqui.

Por outro lado, se a ideia é entender o capitalismo de hoje através de análise de curto prazo, relato de campanha ou autobiografia de quem esteve no governo, passe direto. A obra parte de estudos de décadas atrás ampliados, e o ritmo é o da reflexão teórica. O livro não tem pressa, e isso vai testar a paciência de quem só quer o resumo do noticiário.

Fica para a estante?

Vale a pena se você tem pé em economia política e quer uma leitura que conecte Marx ao capitalismo da ciência e da China; pule se procura análise de conjuntura ou desabafo político. Capitalismo Superindustrial não é leitura de praia nem introdução amigável, mas entrega uma tese sólida sobre como o sistema mudou quando o conhecimento virou mercadoria. Para quem tem base e paciência, as 397 páginas compensam o tempo investido.

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Nossa Avaliação

3.8/5

Escrita
4.0/5
Originalidade
4.0/5
Recepcao
3.5/5
Ritmo
3.5/5

O ponto forte é a articulação entre textos de décadas atrás e bibliografia nova sobre China e conhecimento como mercadoria. A densidade teórica dos capítulos revistos, porém, exige mais do leitor do que o rótulo de acessível sugere. A tese sobre a ciência como fator de produção é original, mas a crítica reformista recebeu ressalvas de setores mais radicais da esquerda.


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Perguntas frequentes

Sobre o que é o livro Capitalismo Superindustrial do Fernando Haddad?

É uma coletânea de textos de economia política dos anos 1980 e 1990, revisados e ampliados, focada no modelo de capitalismo superindustrial e na mercantilização da ciência, da informação e da criatividade como novos fatores de produção.

Quantas páginas tem Capitalismo Superindustrial?

O livro tem 397 páginas, publicado pela editora Zahar na categoria de História.

O que significa capitalismo superindustrial?

É o nome que Haddad dá ao modelo global marcado por desigualdade e competição crescentes, em que o conhecimento passa a funcionar como fator de produção e a ciência se incorpora à economia, reconfigurando as classes sociais.

Capitalismo Superindustrial é indicado para iniciantes em economia política?

A prosa é descrita como acessível, mas exige familiaridade com categorias de economia política. Para quem chega sem base prévia, certos trechos pedem paciência maior do que o rótulo de acessível sugere.

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Atualizado em 20/08/2026

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