Cheiro de Goiaba

Cheiro de Goiaba

**Cheiro de Goiaba**, de Gabriel García Márquez, é uma série de conversas com o jornalista Plinio Apuleyo Mendoza em que o autor revisita sua trajetória, da infância em Aracataca ao Nobel de Literatura. São 159 páginas de biografia oral sobre política, superstição, fama e o ofício de escrever.

por Gabriel García Márquez

4.0/5
Editora: Record
Páginas: 159

Sinopse

Sinopse da editora

A vida do mais importante autor latinoamericano Cheiro de goiaba é uma série de conversas de Gabo com Apuleyo Mendoza, amigo de longa data, jornalista e também escritor. Nelas, Gabriel García Márquez passa em revista sua vida, de menino pobre de Aracataca a vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Ele fala de suas origens, como e por que começou a escrever, conta sobre as leituras que exerceram influência em sua formação literária, seu pensamento político, mulheres, superstições, manias, gostos e sua vida como celebridade mundial, quando nada mais resta da vida boêmia dos dias de juventude em que o nascer do sol ainda o surpreendia numa redação de jornal, num bar ou num quarto qualquer. Como escritor de fama internacional, tudo na vida de García Márquez precisava ser pensado de antemão: ele podia marcar em janeiro uma entrevista para setembro e, coisa rara num latinoamericano, cumprir o compromisso! Tudo isso se encontra em Cheiro de goiaba, um livro admirável para conhecer melhor o autor de clássicos como Cem anos de solidão e O amor nos tempos do cólera.


Resenha: vale a pena ler Cheiro de Goiaba, de Gabriel García Márquez?

Nasceu de uma amizade de décadas. Plinio Apuleyo Mendoza, jornalista e escritor colombiano, sentou com Gabo para uma longa conversa sem roteiro rígido, e o resultado virou livro. Não é o tipo de biografia de escritor que lista datas e genealogias. É o próprio Gabriel García Márquez passando a limpo a própria vida, de menino pobre em Aracataca a Prêmio Nobel, falando de política, superstição, mulheres, manias e do ofício de escrever. Em 159 páginas, Cheiro de Goiaba entrega um Gabo sem o aparato do realismo mágico, falando como gente comum que por acaso escreveu alguns dos maiores romances do século XX.

Nasceu de uma amizade: como o livro se organiza

A estrutura é a conversa mesma. Mendoza pergunta, Gabo responde, e as perguntas funcionam como guias soltos, não como interrogatório. O amigo de longa data sabe aonde quer chegar, mas deixa o entrevistado divagar. É a diferença entre um cirurgião e um barqueiro: Mendoza rema na direção certa e deixa o rio fazer o resto.

O livro cobre a infância com os avós em Aracataca, os anos de jornalismo boêmio, a descoberta da literatura como vocação, o pensamento político e a vida como celebridade mundial. Há um contraste que salta aos olhos: o mesmo homem que outrora era surpreendido pelo nascer do sol numa redação de jornal ou num bar qualquer agora agenda entrevistas com nove meses de antecedência e cumpre. O boêmio virou calendário.

De Aracataca ao Nobel: o que está em jogo

O motor do livro é a construção de uma identidade literária. Gabo mostra como as histórias que ouvia da avó e as figuras da família se infiltraram na ficção, como água subterrânea alimentando um poço. Contar o que viveu, para ele, exigia borrar essa fronteira entre realidade e imaginação.

A fama também é tema, e o livro não romantiza o sucesso. Fica claro que o Nobel de Literatura, recebido em 1982, transformou a rotina do escritor em algo que exige disciplina quase militar. A imagem do artista livre e boêmio é substituída por um homem que precisa pensar cada passo com antecedência. É o preço da consagração, e Gabo fala disso sem lamentação.

A política aparece sem filtro. García Márquez detalha sua relação com líderes de esquerda e sua leitura do destino da América Latina. Para quem conhece os romances, essas passagens explicam de onde vem o engajamento de obras como O Outono do Patriarca. Para quem não conhece, pode parecer conversa de bar, mas é conversa de bar com substância.

Sem realismo mágico, só prosa de boteco

Aqui está a ressalva. Se você chega buscando a prosa hipnótica de Cem Anos de Solidão, vai encontrar outra coisa. Cheiro de Goiaba é conversa coloquial, direta, sem a elaboração literária dos romances. Gabo fala como quem conta um causo numa mesa de bar, e isso é ao mesmo tempo o charme e a limitação do livro.

O humor seco e a franqueza compensam parte dessa perda. Gabo revela superstições, manias e gostos com a mesma naturalidade com que analisa a própria obra. Mas há momentos em que a informalidade escorrega para o desorganizado, e algumas respostas mereciam uma pergunta de volta que não veio.

Quem vai gostar e quem deve pular?

  • Quem já leu García Márquez: vai adorar ver o autor por trás da obra, entendendo de onde brotam os personagens e o realismo mágico.
  • Quem se interessa por processo criativo: encontra aqui material raro sobre como um escritor do porte de Gabo transforma vida em literatura.
  • Quem nunca leu nada dele: pode achar o livro raso. Sem o contexto da ficção, as conversas perdem metade do sentido. Comece por Cem Anos de Solidão e volte depois.

Vale a pena? Sim, mas com uma condição

Vale a pena ler Cheiro de Goiaba se você já passou por pelo menos um romance de García Márquez antes. O livro é complemento, não porta de entrada. A conversa nasceu de uma amizade de décadas entre dois colombianos que entendiam o ofício um do outro, e esse clima de confiança transparece em cada página. Quem chega sem conhecer a obra vai sentir que entrou numa conversa já em andamento, sem saber quem é quem. Quem chega com os romances na memória vai ouvir, nas entrelinhas, o que dá título ao livro: algo tropical, específico, impossível de confundir com outra coisa.

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Nossa Avaliação

4.0/5

Escrita
4.0/5
Ritmo
4.0/5
Originalidade
4.0/5
Recepcao
4.0/5

García Márquez humaniza o mito com franqueza rara, revelando como superstições e memórias de Aracataca alimentaram sua ficção. O livro não traz a prosa mágica dos romances, mas a clareza das reflexões sobre política e criação literária faz deste um complemento valioso para quem já admira a obra. A informalidade escorrega em alguns momentos, mas o humor e a inteligência das observações seguram a leitura.


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Perguntas frequentes

Qual é o assunto principal de Cheiro de Goiaba?

Cheiro de Goiaba é um livro de conversas em que Gabriel García Márquez revisita sua vida e carreira, abordando desde a infância em Aracataca até o reconhecimento com o Prêmio Nobel de Literatura, passando por política, superstição e o ofício de escrever.

Cheiro de Goiaba faz parte de alguma série de livros?

Não, Cheiro de Goiaba é uma obra autônoma de entrevistas e biografia, não faz parte de nenhuma série ou saga.

Quantas páginas tem o livro Cheiro de Goiaba?

O livro Cheiro de Goiaba tem 159 páginas.

Para quem é indicado o livro Cheiro de Goiaba?

Cheiro de Goiaba é ideal para fãs de García Márquez que querem conhecer os bastidores de sua criação, e para quem se interessa por processo criativo de escritores. Não é a melhor porta de entrada para quem busca o realismo mágico dos romances.

Quem entrevista García Márquez em Cheiro de Goiaba?

As conversas são conduzidas por Plinio Apuleyo Mendoza, jornalista e escritor colombiano, amigo de longa data de García Márquez.

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Atualizado em 22/08/2026

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