Em Agosto nos Vemos
Em Agosto nos Vemos, de Gabriel García Márquez, é um romance póstumo de 94 páginas que acompanha Ana Magdalena Bach, uma mulher que, em suas viagens anuais para visitar o túmulo da mãe numa ilha caribenha, descobre o desejo e a liberdade de escolher um amante diferente a cada agosto.
Sinopse
Sinopse da editora
Um romance extraordinário que só Gabriel García Márquez poderia escrever, Em agosto nos vemos, livro inédito e póstumo do autor, é um hino à vida, ao desejo feminino e à resistência do prazer apesar da passagem do tempo. Um presente inesperado do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura para o mundo. Todo mês de agosto, Ana Magdalena Bach pega uma barca para uma ilha caribenha a fim de colocar um ramo de gladíolos no túmulo de sua mãe. Todos os anos, ela se hospeda em um hotel e, antes de dormir, desce para comer algo no bar. Para não ter erro, ela pede sempre o mesmo sanduíche de presunto e queijo e depois sobe para seus aposentos. Até que, certa vez, um homem a convida para uma bebida. E, depois do primeiro gole de seu gim com gelo e soda, sentindose atrevida, alegre, capaz de tudo - inclusive de se despir de suas amarras conjugais, esquecendo momentaneamente marido e filhos -, ela cede aos avanços do desconhecido e o leva para seu quarto. Essa noite específica faz com que Ana Magdalena - e sua vida - mude para sempre. E, depois dessa experiência, ela passa a ansiar por cada mês de agosto, quando não apenas visita o túmulo de sua mãe como também tem a chance de escolher um amante diferente todos os anos. Escrito no estilo fascinante e inconfundível de um dos maiores ícones da literatura latinoamericana, Em agosto nos vemos pinta o retrato de uma mulher que descobre seus desejos e se aprofunda em seus medos. Uma preciosidade que vai encantar fãs do saudoso Gabo, assim como novos leitores desse grande escritor. "Nenhum escritor desde Dickens foi tão lido e tão amado quanto Gabriel García Márquez." Salman Rushdie "Podese dizer que poucos autores escreveram livros que mudaram todo o curso da literatura. Gabriel García Márquez fez exatamente isso. Guardian "Um dos autores mais visionários - e um dos meus favoritos de quando eu era jovem." Barack Obama
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Resenha: vale a pena ler Em Agosto nos Vemos, de Gabriel García Márquez?
O que a mulher que fez tudo certo faz quando descobre que existe um mês inteiro de liberdade esperando por ela? Em Agosto nos Vemos, romance póstumo de Gabriel García Márquez, coloca essa pergunta na mesa sem pressa de respondê-la.
Ana Magdalena Bach é casada, tem filhos, leva uma vida estruturada. Todo mês de agosto, ela pega uma barca para uma ilha caribenha, coloca flores no túmulo da mãe e volta para casa. Até que certa noite a rotina desanda.
Um ritual que vira rotina de quartos alheios
Ana Magdalena tem método. Hotel, bar, sanduíche de presunto e queijo, quarto. Todo ano igual. É o tipo de repetição que tem o conforto de um ritual de domingo: você faz a mesma coisa do mesmo jeito para sentir que o mundo não desmonta. Até que certa noite um desconhecido a convida para beber. Gim com gelo e soda. O primeiro gole solta algo que estava preso havia tempo. Ela sobe com ele para o quarto.
Depois disso, agosto deixa de ser só o mês da mãe. Ana Magdalena passa a esperar o ano inteiro por essa viagem, e a cada edição escolhe um amante diferente. O livro não julga, não moraliza. Acompanha a personagem descobrindo que o desejo não tem data de validade, e que a vida dupla pode ser, paradoxalmente, o que mantém a vida oficial de pé.
Desejo feminino sem pedir licença
O grande acerto de Em Agosto nos Vemos está em não pedir desculpas pelo desejo da protagonista. García Márquez constrói uma mulher que transgride sem discurso, sem manifesto, sem bandeira. Ela simplesmente faz. E o livro acompanha os medos que vêm junto: o medo de envelhecer, o medo de perder o gosto, o medo de que um dia o agosto chegue e não tenha mais nada a oferecer.
A passagem do tempo é o relógio que se ouve em cada página. Não é o tempo que castiga, é o tempo que cobra. E Ana Magdalena responde do jeito que pode: com um ramo de flores de um lado e um amante novo do outro.
A prosa de Gabo mesmo sem revisão final
A escrita de García Márquez aqui é mais enxuta que em suas grandes obras. São 94 páginas, e o ritmo acompanha: corre sem pressa, mas sem delongas. A prosa tem o calor do Caribe, o cheiro de gim e as texturas de um hotel de ilha. Gabo sabe fazer você sentir o gelo pulando no copo.
A ressalva é conhecida e precisa ser dita: o manuscrito não estava finalizado. Em alguns trechos, dá para sentir que faltou aquele polimento final, aquela camada de verniz que Gabo costumava aplicar até a última vírgula. Há passagens que poderiam ter respirado mais, cenas que terminam cedo demais. Mas mesmo incompleto, o talento transparece.
O fantasma do manuscrito que Gabo queria destruir
A história por trás da publicação é tão conhecida quanto o próprio livro. García Márquez considerava o texto inacabado e planejava destruí-lo. A família decidiu publicar mesmo assim, argumentando que era melhor do que o autor lembrava. O resultado é um debate que vai além da literatura e entra na ética: publicar um texto que o autor rejeitou é um ato de preservação ou de desrespeito?
Não há resposta fácil. Mas o leitor que entra sabendo disso consegue separar o que está na página do que poderia ter estado. Lê como quem visita uma casa em obra: dá para ver a estrutura, dá para admirar o projeto, mas tem pó no chão.
Para quem serve e quem deve pular
Serve para quem já conhece García Márquez e quer ler tudo que ele escreveu, inclusive o que ele não queria que você lesse. Serve também para quem busca romances curtos sobre desejo feminino e passagem do tempo na literatura latino-americana, e não se importa com arestas. É uma leitura de uma sentada, e esse tamanho compacto tem seu próprio charme.
Se você nunca leu Gabo, comece por outro lugar. Cem Anos de Solidão ou O Amor nos Tempos do Cólera dão uma ideia mais justa do que ele era capaz quando tinha tempo e revisão do seu lado. E se a controvérsia da publicação póstuma te incomoda a ponto de estragar a leitura, pule sem culpa.
Vale a pena ler Em Agosto nos Vemos?
Vale, com ressalva. Em Agosto nos Vemos custa pouco em tempo (uma tarde, no máximo) e devolve uma história de desejo e resistência que fica na cabeça. O preço que se paga é saber que o texto não é o melhor Gabo, e que o próprio Gabo sabia disso. Para quem aceita o acordo, é um presente. Para quem exige o acabamento final típico do autor, vai ser frustrante.
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Nossa Avaliação
3.4/5
Gabo entrega uma prosa sensorial e envolvente mesmo num texto que não passou pela revisão final. A temática do desejo feminino maduro é original dentro de sua obra, mas o caráter inacabado e a controvérsia da publicação contra a vontade do autor pesam na recepção e reduzem a nota.
Como avaliamos os livros?
Perguntas frequentes
Do que fala Em Agosto nos Vemos, do Gabriel García Márquez?
É um romance póstumo que acompanha Ana Magdalena Bach, uma mulher casada que todo mês de agosto viaja para uma ilha caribenha visitar o túmulo da mãe. Depois de uma noite com um desconhecido, ela passa a escolher um amante diferente a cada ano, descobrindo o desejo e a liberdade para além da vida conjugal.
Em Agosto nos Vemos faz parte de alguma série de livros?
Não, é um romance independente. García Márquez não escreveu sequências ou séries, e este é um livro único, publicado postumamente.
Quantas páginas tem o livro Em Agosto nos Vemos?
São 94 páginas. É uma leitura concisa, possível de terminar em uma sentada, bem mais curta que obras como Cem Anos de Solidão.
Por que a publicação de Em Agosto nos Vemos foi controversa?
Porque o próprio García Márquez considerava o manuscrito inacabado e planejava destruí-lo. A família decidiu publicar mesmo assim, o que gerou debate sobre a legitimidade de divulgar um texto que o autor rejeitou.
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Atualizado em 22/08/2026