Guerra e Paz

Guerra e Paz

Guerra e Paz, de Liev Tolstói, é um romance monumental que acompanha a vida de cinco famílias aristocráticas russas durante as Guerras Napoleônicas, explorando com humor seco e ironia a busca espiritual de personagens como Pierre Bezúkhov e o impacto da história sobre as pessoas comuns.

por Liev Tolstói

5.0/5
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 1493

Sinopse

Sinopse da editora

Nova edição da obra monumental de Tolstói, com tradução de Rubens Figueiredo. "O que é Guerra e paz?", questiona Liev Tolstói em um texto que detalha o processo de pesquisa e de criação de sua obraprima. "Não é um romance, muito menos uma epopeia, menos ainda uma crônica histórica." Ao acompanhar o percurso de cinco famílias aristocráticas russas no período de 1805 a 1820, Tolstói narra a marcha das tropas napoleônicas e seu impacto brutal sobre a vida de centenas de personagens. Em meio a cenas de batalha, bailes da alta sociedade e intrigas veladas, destacam-se as figuras memoráveis dos irmãos Nikolai e Natacha Rostóv, do príncipe Andrei Bolkónski e de Pierre Bezúkhov, filho ilegítimo de um conde, cuja busca espiritual serve como espécie de fio condutor e o torna uma das mais complexas personalidades da literatura do século XIX. Ao descrever o cotidiano e os grandes acontecimentos que se sucederam à invasão de Napoleão em 1812, Tolstói retrata uma Rússia magistral, imponente e, sobretudo, profundamente humana. Este ebook não contém o posfácio de Isaiah Berlin presente na edição impressa.


Resenha: você realmente precisa ler Guerra e Paz, de Liev Tolstói?

Você está aqui com uma abinha do navegador aberta, talvez encarando a pilha de livros na mesa ou o carrinho de compras online, e se perguntando se Guerra e Paz, de Liev Tolstói, é o Everest literário que você vai escalar este ano. A resposta curta é: sim, mas não pelo motivo que você imagina. Esse livro não é um troféu de erudição para colocar na estante. É uma experiência de mundo que, ironicamente, cabe melhor na sua rotina do que muito romance de trezentas páginas.

A fama de monumento imponente é a primeira piada que Tolstói prega em você. Quem espera um tratado empoeirado sobre batalhas napoleônicas vai cair para trás ao descobrir que a espinha dorsal da trama são as confusões sentimentais e financeiras de jovens aristocratas tão perdidos quanto qualquer pessoa de vinte e poucos anos tentando dar rumo à própria vida.

Esqueça a guerra: uma trama sobre herdeiros trapalhões e bailes frustrados

A história acompanha cinco famílias da nobreza russa entre 1805 e 1820, mas não se engane com o pedigree. Pierre Bezúkhov, o filho ilegítimo que de repente herda a maior fortuna do país, é um sujeito desajeitado que passa boa parte do livro tentando entender o que fazer com o próprio dinheiro, com o próprio casamento e com a sensação incômoda de que nada disso faz sentido. A imagem que fica é a de um cara que ganhou uma corporação gigante da noite para o dia e não sabe nem por onde começar a ser CEO.

Ao lado dele, o príncipe Andrei Bolkónski trata a vida adulta com um tédio de quem já leu todos os manuais e não achou nenhum convincente, enquanto a jovem Natacha Rostóva comete o erro clássico de confundir paixão com projeto de vida. A invasão de Napoleão em 1812 não é o centro da narrativa, é o cenário. Um cenário brutal, sim, mas o que prende você são as intrigas de salão, os casamentos arranjados, as falências iminentes e aquele tipo de vergonha alheia que só um russo do século XIX sabe produzir.

A maluquice de achar que Napoleão controlava alguma coisa

Tolstói tem uma tese filosófica nada modesta e a repete à exaustão ao longo das páginas: a de que os chamados “grandes homens” não comandam a história; são carregados por ela como rolhas na correnteza. Enquanto generais acham que estam tomando decisões brilhantes, milhares de pequenas vontades anônimas empurram o exército para um lado ou para outro. É uma cutucada no narcisismo de qualuqer um que já se achou o centro do universo, e o livro usa Napoleão como bode expiatório dessa ideia com uma ironia afadíssima.

O contraponto é a busca espiritual de Pierre, que tropeça na maçonaria, na filantropia e em casamentos desastrosos atrás de um sentido que não venha emoldurado em títulos de nobreza. O livro não dour a pílula: a vida interior de Pierre é bagunçada, contraditória e, por isso mesmo, a mais humana de toda a literatura do século XIX.

A escrita de Tolstói não é um monumento, é um formigueiro

Quem abre Guerra e Paz esperando um bloco de granito estilístico vai encontrar outra coisa: um formigueiro. A prosa é minuciosa, incansável, sempre em movimento, com centenas de personagens que entram e saem de cena carregando cada um seu fragmento de história. Nada é monumental no sentido de grandioso e parado; tudo é vivo, orgânico e, por vezes, exasperantemente cotidiano.

A tradução de Rubens Figueiredo merece uma menção à parte: ela retira a crosta de formalidade que outras versões deixaram sobre o texto e entrega um Tolstói direto, com freses que respiram e diálogos que soam como conversa de verdade. Ainda assim, há trechos de ensaio histórico que param a narrativa por dezenas de páginas. Tolstói queria provar sua tese, e ele não tinha pressa. Você vai ler sobre estratégias militares que não pediu, e tudo bem. Dá para saltar? Dá. Mas perder o direito de reclamar também faz parte da experiência.

As 1493 páginas mais longas e mais rápidas da sua vida

A única ressalva concreta que pesa de verdade é o ritmo. Há capítulos de pura digressão filosófica que parecem uma aula universitária infiltrada no meio de um romance. Se você é do tipo que se irrita quando o autor interrompe a história para dar opinião, talvez precise respirar fundo em algumas partes. A boa notícia é que, quando a narrativa volta para os Rostóv ou para o campo de batalha, a leitura ganha uma fluência que desmente as quase mil e quinhentas páginas. É um livro que você lê mais rápido do que a maioria dos calhamaços contemporâneos porque a voz de Tolstói é envolvente sem ser afetada.

Para quem serve (e para quem é uma tortura chinesa)

Serve para você, que quer um romance histórico que não se leva a sério demais, que gosta de observar personagens tropeçando na própria humanidade e que não se intimida com a ideia de passar alguns meses na companhia das mesmas figuras. Serve se você anda cansado de histórias enxutas que mastigam tudo para o leitor e quer uma narrativa que confie na sua inteligência.

Já se você precisa de um enredo que corra em linha reta do ponto A ao ponto B, sem desvios e sem capítulos inteiros sobre a filosofia da história, pule fora. Guerra e Paz não vai te dar a catarse rápida que um thriller entrega. Ele exige um tipo de atenção que não combina com leitura picada em intervalos de cinco minutos. Se você não pode se dar ao luxo de esquecer o celular por uma hora, escolha outra briga.

O único final possível para uma leitura que te engole

Vale a pena, e falo isso sem a menor cerimônia. A edição da Companhia das Letras com a tradução de Rubens Figueiredo é a porta de entrada mais convidativa que esse romance já teve no Brasil, e a jornada de Pierre Bezúkhov é daquelas que, quando termina, deixa um silêncio esquisito na sua rotina. Não é um livro que você termina; é um livro que você lamenta ter acabado. Tolstói não escreveu uma história sobre a Rússia de 1805 a 1820. Ele construiu um mundo inteiro, e a sensação de sair dele é parecida com acordar de um transe: você pisca, olha para as 1493 páginas ali na mesa e se pergunta como é que um litro de vodca desceu em goles de chá.

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Nossa Avaliação

5.0/5

Escrita
5.0/5
Ritmo
4.0/5
Originalidade
5.0/5
Recepcao
5.0/5

A prosa de Tolstói, na tradução de Rubens Figueiredo, é um organismo vivo que tece centenas de vidas com uma naturalidade desconcertante. A originalidade da obra permanece intacta, assim como sua recepção histórica. O único ponto que pede ressalva é o ritmo, quebrado por longas digressões filosóficas, mas que não chega a comprometer a fluência avassaladora da narrativa principal.


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Informações Extras

Adaptações

  • Guerra e Paz (filme, 1956)
  • Guerra e Paz (srie de TV (Rssia), 1972)
  • Guerra e Paz (srie de TV (Rssia), 2007)
  • War and Peace (srie de TV (BBC/Streaming), 2015)
  • Guerra e Paz (audiolivro (Companhia das Letras), 2023)

Perguntas frequentes

Guerra e Paz é sobre o que, em uma frase?

É o relato da vida de cinco famílias aristocráticas russas durante as Guerras Napoleônicas, mas, na prática, é uma investigação sobre como pessoas comuns tentam achar sentido na vida enquanto a história as atropela.

Quantas páginas tem a edição da Companhia das Letras?

A edição atual de Guer ra e Paz, com tradução de Rubens Figueiredo, tem 1493 páginas.

Guerra e Paz é baseado em fatos reais?

Sim e não. A obra usa como pano de fundo eventos reais como a invasão napoleônica de 1812, mas os personagens principais e suas tramas familiares são criações de Tols tói.

O livro tem ad aptação para TV ou streaming?

Tem sim. Além de um filme de 1956 e séries russas, a B BC produziu uma série de TV em 2015 cham ada War and Peace, dispon ível em plataformas de streaming.

Ler Guer ra e Paz é muito d ifícil?

Dif ícil não é a palavra. A escrita de Tols tói é fluida e os personagens são cat ivantes, mas a extensão e os capítulos de filosofia da história ex igem dedicação e paciência.

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Atualizado em 22/08/2026

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