Jornalismo

Jornalismo

Jornalismo, de José de Alencar, reúne duas crônicas extraídas de "Ao correr da pena" e oferece um olhar irônico sobre a imprensa do Brasil Império. Com humor e alegorias como a briga entre tinteiros e penas, o livro satiriza a "arte de chorar" dos jornalistas da época e desenha um Botafogo que surpreende o leitor carioca.

por José de Alencar

3.4/5
Editora: Pop Stories

Sinopse

Sinopse da editora

O leitor – sobretudo o carioca – há de se surpreender com o bairro de Botafogo que aparece nessas duas crônicas extraídas do livro "Ao correr da pena", de José Alencar. Numa crítica à imprensa do Brasil Império, o autor ironiza o jornalista "chorão", pra então nos fazer rir com a "arte de chorar" que descreve. Seguindo na análise bem humorada da escrita jornalística, usa de uma alegoria singular: as brigas entre os tinteiros e as penas!


Resenha: vale a pena ler Jornalismo, de José de Alencar?

Você pega um livro chamado Jornalismo, de José de Alencar, e espera um manual de profissão, uma reportagem investigativa, talvez um ensaio sobre o ofício. Errado. O que está nas suas mãos são duas crônicas extraídas de "Ao correr da pena", e o que Alencar faz é rir da própria imprensa do Brasil Império com uma ironia que ainda arranca gargalhadas. É literatura disfarçada de jornalismo, ou o contrário.

Botafogo, tinteiros e o Rio que não existe mais

A primeira surpresa é geográfica. O leitor carioca, sobretudo, vai abrir o livro e encontrar um Botafogo que parece outro planeta. Alencar descreve o bairro com a familiaridade de quem caminha por ele todos os dias, e esse detalhe funciona como uma porta do tempo: você atravessa e está num Rio de fins do século XIX, com suas ruas, seus hábitos e sua imprensa barulhenta.

A estrutura é simples: duas crônicas, sem enredo, sem personagens centrais. O fio é a observação. Alencar pega o jornalismo da época, sacode, e mostra o que cai.

A arte de chorar: sátira à imprensa do Império

O tema central é a crítica à imprensa, mas o tom é de comédia. Alencar inventa o "jornalista chorão", aquele profissional que transformou o lamento em método, e descreve a "arte de chorar" como se fosse um ofício com técnica, regras e tradição. É como se ele estivesse catalogando o ofício de um velhaco com a seriedade de um etnógrafo.

A alegoria mais memorável do livro é a briga entre tinteiros e penas. Objetos de escritório ganham vida, se enfrentam como gangues rivais numa taverna, e nessa briga de coisas inanimadas está toda a vaidade, a competição e o melindre dos jornalistas da época. É uma imagem que só funciona porque Alencar leva a brincadeira a sério o suficiente pra sustentá-la por parágrafos inteiros.

Como é a escrita de Alencar nas crônicas?

A prosa de José de Alencar aqui é irônica, leve e ágil. Ele não se prende a formalismos pesados, mesmo quando está falando de algo que, em outras mãos, viraria tese acadêmica. A linguagem é acessível, o humor é construído por acumulação de detalhes, e a ironia nunca soa cruel.

A ressalva é de ritmo: são duas crônicas, e a segunda não mantém a mesma energia da primeira. Quem chegar esperando um conjunto mais amplo pode sentir que o livro termina antes de engatar de verdade. É um recorte, não uma obra completa, e essa condição de fragmento às vezes pesa.

Para quem serve e para quem passar direto

Serve pra quem se interessa por história da imprensa no Brasil e por crônicas brasileiras do século XIX, pra estudantes de comunicação e letras, e pra quem curte sátira na literatura brasileira com humor que envelheceu bem. Se você leu "Crônicas - Obra Jornalística" de García Márquez e gostou de ver o jornalista virar personagem literário, aqui tem um parente brasileiro mais antigo. Não serve pra quem quer narrativa com começo, meio e fim, nem pra quem espera um tratamento sistemático do jornalismo como prática profissional. É crônica, é passeio, é observação.

Vale a pena? Um passeio pelo Rio com a ironia na manga

Vale a pena, sim, desde que você saiba que está pegando duas crônicas e não um livro de cabeceira. Jornalismo, de José de Alencar, é daquelas leituras que cabem numa tarde e deixam você olhando para a imprensa de hoje com um meio sorriso, porque a "arte de chorar" nunca saiu de moda. Fecha o livro com a sensação de ter tomado um café com alguém que sabe rir do próprio ofício.

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Nossa Avaliação

3.4/5

Escrita
4.0/5
Ritmo
3.5/5
Originalidade
3.5/5
Recepcao
2.5/5

A ironia de Alencar é o ponto alto: transforma um tema que poderia ser árido em leitura fluida e divertida. O recorte de apenas duas crônicas limita o fôlego da obra, e sem dados de recepção específicos, a avaliação fica no terreno da leitura, não do impacto editorial.


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Perguntas frequentes

Do que se trata o livro Jornalismo, do José de Alencar?

Jornalismo, de José de Alencar, reúne duas crônicas extraídas de "Ao correr da pena" que satirizam a imprensa do Brasil Império, com destaque para a "arte de chorar" dos jornalistas e a alegoria das brigas entre tinteiros e penas.

Qual a escrita do José de Alencar em Jornalismo?

A escrita de José de Alencar em Jornalismo é irônica, leve e ágil, com linguagem acessível que equilibra crítica e humor. As alegorias, como a briga entre tinteiros e penas, sustentam a sátira por parágrafos inteiros sem perder o ritmo cômico.

Tem alguma curiosidade sobre o livro Jornalismo ou o autor José de Alencar?

Sim. Existe uma controvérsia crítica clássica envolvendo José de Alencar e Joaquim Nabuco, que se desenrolou nas páginas dos jornais cariocas no final do século XIX, mostrando como o debate intelectual era vivo e a imprensa funcionava como palco central dessas discussões.

Para quem é indicado o livro Jornalismo?

Jornalismo é indicado para quem se interessa por história da imprensa brasileira e literatura do século XIX, especialmente estudantes de comunicação, jornalismo e letras. Não serve para quem busca narrativa tradicional com enredo e personagens centrais.

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Atualizado em 14/08/2026

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