Livro Sobre Nada
Livro Sobre Nada, de Manoel de Barros, vale a pena para quem topa uma poesia que recusa ser importante: 93 páginas de poemas curtos que torcem a língua e celebram o inútil, o marginal e o esquecido.
por Manoel de Barros
Sinopse
Sinopse da editora
Uma poesia vibrante que desacata as normas e convenções sociais marca a nova edição de um dos livros mais conhecidos de Manoel de Barros. Lançado em 1996, Livro sobre nada é um dos trabalhos mais importantes de Manoel de Barros. O título, que veio da frase de Gustave Flaubert "sempre desejei escrever um livro sobre nada", caiu imediatamente no gosto do público e é até hoje um de seus livros mais conhecidos. Dividido em quatro partes, traz poemas curtos em que desconstrói a linguagem para reorganizar um mundo singular, em que expressa de forma contundente sua adesão a tudo que não tem importância, é solitário ou vazio. Como ele mesmo explica ao leitor, "o 'nada' do meu livro é nada mesmo". Prêmio Nestlé de Literatura 1997
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Resenha: vale a pena ler Livro Sobre Nada, de Manoel de Barros?
A maioria abre um livro esperando sair dele com alguma coisa na mão: uma história, uma lição, uma frase de para-choque. Livro Sobre Nada, de Manoel de Barros, faz o contrário. Ele te entrega o vazio como presente, e ainda avisa na cara dura: o nada aqui é nada mesmo. Não tem mensagem escondida, não tem segredo por baixo do tapete. O título veio de uma frase de Gustave Flaubert, que dizia querer escrever um livro sobre nada, e Manoel levou a ideia a sério, até as últimas consequências. Publicado em 1996 pela Alfaguara, o livro virou um dos mais conhecidos do autor e levou o Prêmio Nestlé de Literatura em 1997.
O que esperar de um livro que se anuncia como vazio
Livro Sobre Nada tem 93 páginas divididas em quatro partes, e não espere progressão, clímax ou fio condutor. São poemas curtos, soltos, que funcionam mais como pedrinhas no bolso do que como capítulos de uma jornada. Você abre em qualquer ponto, lê três ou quatro versos, fecha, e pronto. Não tem quebra-cabeça pra montar. O livro não pede que você entenda, pede que você olhe. E olhe para o que normalmente passa batido: o inseto, o resto, a coisa esquecida no canto da parede. É poesia que se recusa a ser importante, e essa recusa é o que dá peso a ela.
Manoel de Barros torce a língua até ela virar bicho
Aqui mora o ponto que separa quem ama de quem desiste. Manoel de Barros pega a gramática como quem pega o móvel da sala e sai do lugar, só pra ver que barulho faz quando cai. Ele inventa palavra, torce sintaxe, deixa o verbo solto no ar. Não é desleixo, é procedimento. O autor já disse, em entrevista, que queria fazer a linguagem gaguejar, e é isso que você vê página após página. Para quem lê poesia de orelha aberta, é festa. Para quem gosta de verso com métrica e rima no lugar, vai parecer que o livro está quebrado. Não está. Está funcionando do jeito que o autor quis.
A poesia do inútil e do marginal
O tema que atravessa Livro Sobre Nada é a adesão declarada ao que não serve pra nada. Manoel de Barros escolhe o lado do insignificante, do solitário, do que não entra em planilha nem em discurso de formatura. É uma poesia que faz aliança com o marginal, com o que sobra depois que a importância passou. E faz isso sem pieguice, sem transformar o pequeno em herói. O bicho não vira símbolo, o resto não vira metáfora de coisa maior. É ele mesmo, no seu peso de coisa nenhuma. Essa recusa em transformar o insignificante em lição é o que dá ao livro uma honestidade rara na poesia brasileira contemporânea.
Para quem esse Livro Sobre Nada funciona (e para quem não)
- Quem já leu Menino do Mato e quer mais do mesmo autor: aqui o tom é parecido, a liberdade também, e a leitura flui rápido.
- Quem está cansado de poesia que explica tudo: esse livro não te pega pela mão, te deixa perdido de um jeito gostoso.
- Quem procura verso com estrutura clássica, rima fechada ou mensagem clara: vai bater de cara com uma parede, e a parede não vai se mover.
Veredito: ler ou pular?
Vale a pena, mas só se você aceitar entrar no livro sem exigir que ele te entregue uma ideia pronta. Se você abrir Livro Sobre Nada esperando ser ensinado, vai fechar irritado. Se abrir disposto a perder o rumo por uns dias, sai com a cabeça lavada. É leitura pra fazer aos poucos, um poema por vez, no ritmo de quem não tem pressa de chegar em lugar nenhum.
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Nossa Avaliação
4.0/5
Manoel de Barros entrega uma das escritas mais originais da poesia brasileira, torcendo a língua com propósito e sem vaidade. O ritmo pode desorientar quem espera progressão, e a recusa em entregar mensagem pronta afasta parte do público, mas é justamente essa recusa que sustenta o livro.
Como avaliamos os livros?
Perguntas frequentes
Livro Sobre Nada é sobre o quê?
É sobre o insignificante, o marginal, o que sobra. Manoel de Barros faz poesia declaradamente inútil, sem lição escondida.
Quantas páginas tem Livro Sobre Nada?
São 93 páginas, divididas em quatro partes de poemas curtos.
Livro Sobre Nada é bom pra quem está começando em poesia?
Depende. Se você gosta de verso solto e linguagem inventiva, entra fácil. Se prefere rima e estrutura fechada, vai estranhar.
Livro Sobre Nada ganhou algum prêmio?
Sim, o Prêmio Nestlé de Literatura em 1997, logo depois do lançamento.
Preciso ler na ordem?
Não. Os poemas são curtos e soltos, você pode abrir em qualquer página.
Livro PDF "Livro Sobre Nada"
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Atualizado em 16/08/2026