Luanda, Lisboa, Paraíso

Luanda, Lisboa, Paraíso

**Luanda, Lisboa, Paraíso**, de Djaimilia Pereira de Almeida, acompanha pai e filho angolanos em busca de cirurgia em Portugal, onde enfrentam preconceito e o peso do colonialismo. Um romance sobre exílio, esperança e laços familiares, vencedor do Prêmio Oceanos.

por Djaimilia Pereira de Almeida

4.5/5
Editora: Todavia

Sinopse

Sinopse da editora

Este romance vencedor do Prêmio Oceanos fala sobre colonização; exílio; laços familiares e esperança. Luanda; Angola; anos 1970. Fruto de um parto com complicações graves; Aquiles nasce com uma máformação que irá determinar tanto seu destino quanto seu nome tão evocativo. A esperança de cura reside em uma cirurgia que somente pode ser realizada em Portugal - mas que precisa acontecer até ele completar quinze anos. Com o fatídico aniversário se aproximando; Aquiles e o pai; Cartola; partem para Lisboa; crentes de que será uma viagem passageira e de que eles serão recebidos como verdadeiros cidadãos portugueses. Porém; sentem na pele o preconceito por serem imigrantes da excolônia enquanto o regresso a Angola torna-se cada vez mais distante.

Neste romance que sucedeu o celebrado Esse cabelo; Djaimilia Pereira de Almeida - uma das vozes mais poderosas e originais da lusofonia - constrói com estilo e sensibilidade ímpares uma narrativa sobre a diáspora; as relações entre pais e filhos e a constante busca por afeto humano."

"Comovente poderia ser uma dessas palavras de impacto que se costuma destacar na quarta capa de um livro para descrever Luanda; Lisboa; Paraíso; de Djaimilia Pereira de Almeida. esse comovente; entretanto; precisa ser apreendido em mais de um significado para fazer jus aos percalços vivenciados nos lugares que compõem seu título."" - LUCIANA ARAUJO MARQUES; QUATRO CINCO UM

"Luanda; Lisboa; Paraíso é sobre diáspora e solidão; sobre esperança e desespero; e; paradoxalmente; também sobre amizade e solidariedade." - MARIA ESTHER MACIEL
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Luanda, Lisboa, Paraíso: um romance sobre o paraíso que não existe

Luanda, Lisboa, Paraíso não é um livro sobre paraíso. O título soa como um roteiro de viagem, mas o destino é uma miragem. Aquiles e o pai, Cartola, deixam Angola nos anos 1970 com a promessa de uma cirurgia em Portugal. Acreditam que serão recebidos como cidadãos, que o passado colonial não pesa. A realidade os atropela: Lisboa os trata como estrangeiros, o preconceito é uma muralha invisível, e o regresso a Angola se torna cada vez mais impossível. Luanda, Lisboa, Paraíso é um dos romances mais potentes sobre colonização e exílio da literatura lusófona recente, um abismo entre o que se espera e o que se encontra.

O que acontece com Aquiles e Cartola?

Aquiles nasce com uma má-formação que exige cirurgia antes dos quinze anos. O pai, Cartola, vende tudo o que tem para levar o filho a Portugal. Eles chegam com a esperança de que a viagem será passageira, mas o tempo passa e a cirurgia não sai do papel. Enquanto esperam, enfrentam a solidão da diáspora, o subemprego, a humilhação de serem vistos como inferiores. A narrativa não é linear: ela salta entre passado e presente, entre a memória de Luanda e o cinza de Lisboa. No centro, a relação entre pai e filho se desgasta e se fortalece sob o peso da adversidade. Luanda, Lisboa, Paraíso não se apressa – cada cena martela a mesma verdade: o paraíso prometido é uma mentira.

Colonização, exílio e a esperança que cansa

A colonização não é um pano de fundo, é a ferida que sangra em cada página. Aquiles carrega no corpo a marca do império: a má-formação que só pode ser tratada na metrópole, como se o corpo do colonizado precisasse da autorização do colonizador para se curar. O exílio não é escolha, é necessidade. E a esperança? Ela cansa. O livro mostra como a esperança pode ser uma condenação, porque mantém os personagens presos a uma promessa que nunca se cumpre. A ironia é que o paraíso do título é Lisboa, mas Lisboa é um purgatório de concreto, onde o céu nunca aparece. Djaimilia não suaviza: a esperança aqui não é redentora, é um fardo que se carrega.

A escrita de Djaimilia: precisa ou pesada?

A prosa de Djaimilia Pereira de Almeida é enxuta, sem firulas. Ela não faz poesia com a miséria, mas também não ameniza. Cada frase carrega um peso que pode cansar o leitor desavisado. A narrativa é fragmentada, como a memória de quem viveu o trauma. Se você espera uma leitura fluida, talvez tropece. Mas se encara a densidade como parte do tema, a recompensa é grande. A autora tem um talento para capturar o detalhe que revela o todo: um gesto, um silêncio, uma palavra mal dita. É uma escrita que exige atenção, mas que não é rebuscada. Ela corta o excesso.

Para quem serve (e para quem não serve) esse romance

Esse livro é para quem quer entender as entranhas do colonialismo, para quem não tem medo de personagens quebrados, para quem acredita que a literatura deve incomodar. A relação entre pai e filho é o coração da obra, e qualquer um que já tenha sentido o peso de carregar as expectativas dos pais vai se reconhecer ali. Se você leu "Esse Cabelo", da mesma autora, vai encontrar aqui a mesma sensibilidade para o desconforto.

Mas se você está atrás de um romance leve, com final feliz e redenção fácil, pule fora. Luanda, Lisboa, Paraíso não oferece consolo. Ele te deixa com um nó na garganta e nenhuma resposta pronta. Não é um livro para quem quer escapismo. É para quem topa encarar a dureza da vida sem maquiagem.

Vale a pena?

Vale, mas com ressalvas. Se você topa encarar uma leitura que exige fôlego e não entrega alívio, esse romance de Djaimilia Pereira de Almeida vai te marcar. A prosa é potente, a história é necessária, e o prêmio Oceanos não é à toa. Agora, se a vida já está pesada demais e você quer um livro que te levante, talvez seja melhor deixar esse para depois. Ele compensa, mas cobra o preço. Leia quando estiver disposto a sentir.

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Nossa Avaliação

4.5/5

Escrita
4.5/5
Originalidade
4.5/5
Recepcao
5.0/5
Ritmo
4.0/5

A prosa de Djaimilia é enxuta e cortante, sem concessões ao sentimentalismo, o que eleva a narrativa. O ritmo é lento e fragmentado, o que pode frustrar, mas serve ao tema. Originalidade: a abordagem da diáspora angolana em Portugal é rara na literatura brasileira. Recepção: o Prêmio Oceanos e a crítica confirmam a relevância da obra.


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Informações Extras

Ordem da Série: 2

Prêmios

  • Prêmio Oceanos (2019)

Perguntas frequentes

Sobre o que é o livro Luanda, Lisboa, Paraíso?

Luanda, Lisboa, Paraíso é um romance de Djaimilia Pereira de Almeida que explora a jornada de um pai e filho angolanos em busca de cura em Portugal, enfrentando preconceito e as complexidades do exílio.

Luanda, Lisboa, Paraíso faz parte de alguma série?

Não, Luanda, Lisboa, Paraíso é uma obra independente, sendo o segundo romance da autora, mas não faz parte de uma série ou saga.

Qual a ordem de leitura de Luanda, Lisboa, Paraíso em relação a outros livros de Djaimilia Pereira de Almeida?

A ordem de leitura é livre, já que não há continuidade narrativa com outros títulos da autora, mas ele foi publicado depois de 'Esse Cabelo'.

Luanda, Lisboa, Paraíso ganhou algum prêmio?

Sim, o livro foi premiado com o Prêmio Oceanos em 2019.

Para quem é indicado Luanda, Lisboa, Paraíso?

É indicado para quem busca um romance que provoca reflexão sobre colonização, exílio e preconceito, e aprecia autores que exploram as nuances da condição humana.

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Atualizado em 22/08/2026

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