Machado de Assis

Machado de Assis

Sim, vale a pena. A coletânea Machado de Assis, da Editora Viseu, reúne os principais romances e contos de Joaquim Maria Machado de Assis em um volume que funciona como mapa completo da carreira do autor, ideal para quem quer entender a fundação do realismo brasileiro e apreciar uma prosa irônica que continua afiada mais de cem anos depois.

por Machado de Assis

4.5/5
Editora: Viseu

Sinopse

Sinopse da editora

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 - Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, considerado por muitos críticos, estudiosos, escritores e leitores um dos maiores senão o maior nome da literatura do Brasil. Obras Romances Ressurreição, (1872) A mão e a luva, (1874) Helena, (1876) Iaiá Garcia, (1878) Memórias Póstumas de Brás Cubas, (1881) Casa Velha, (1885) Quincas Borba, (1891) Dom Casmurro, (1899) Esaú e Jacó, (1904) Memorial de Aires, (1908) Coletânea de contos Contos Fluminenses, (1870) Histórias da MeiaNoite, (1873) Papéis Avulsos, (1882) Histórias sem Data, (1884) Várias Histórias, (1896) Páginas Recolhidas, (1899) Relíquias da Casa Velha, (1906)


Machado de Assis vale a pena ler? Resenha da coletânea da Viseu

Machado de Assis não é um autor, é uma instituição. A coletânea publicada pela Editora Viseu pega essa instituição e deixa o material respirar, reunindo os principais romances e coletâneas de contos de Joaquim Maria Machado de Assis em um volume que funciona como um mapa da carreira inteira do escritor carioca. A proposta é ambiciosa: em vez de te entregar um romance só, a edição te entrega o panorama completo de quem moldou o romance brasileiro entre 1872 e 1908.

O que tem dentro da coletânea Machado de Assis?

A edição da Viseu não é um romance único, é um painel. Você vai encontrar desde Machado de Assis em fase inicial, com o romance Ressurreição (1872), até obras tardias como Memorial de Aires (1908). No meio do caminho, os marcos que todo mundo conhece de nome: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Dom Casmurro (1899) e Quincas Borba (1891). Não param por aí. As coletâneas de contos também entram no pacote: Papéis Avulsos, Várias Histórias, Relíquias da Casa Velha. É um percurso de 36 anos de escrita, do jovem que ainda ensaiava o estilo ao mestre que narrava de cima do ombro.

Ironia, hipocrisia e a anatomia da alma brasileira

O grande motor da obra de Machado de Assis é a anatomia da hipocrisia. Ele pega a elite carioca do século XIX, senta na sala de visita e dissecava cada gesto com a precisão de quem passa manteiga no pão. Os personagens não são heróis nem vilões de cartão: são pessoas que calculam, dissimulam e se iludem com a mesma naturalidade com que respiram. A crítica social nunca vem com cartaz de protesto. Ela vem no meio de um comentário aparentemente inofensivo do narrador, e é aí que mora o veneno.

O debate contemporâneo sobre como Machado lidou com raça e classe dá uma camada extra à leitura. A discussão não é nova, mas ganha peso quando você lê os textos seguidos e percebe que a sutileza do autor pode ser lida de mais de um jeito. Ele não gritava, e é exatamente por isso que o leitor de hoje ainda discute o que ele estava fazendo.

A prosa que conversa com você e te cutuca

O estilo de Machado de Assis é o que separa quem lê por obrigação de quem lê por prazer. A prosa é elegante, mas não enfeitada. O narrador machadiano tem um tique que virou marca registrada: ele te dá um tapa no ombro no meio do parágrafo, comenta a própria história, cita um filósofo grego e depois volta para a cena como se nada tivesse acontecido. É o tipo de escrita que não pede passividade. Você é convocado para a conversa.

Isso tem um custo. A densidade da prosa não é leitura de espera no ônibus. As digressões, que são o charme da obra, também são o ponto onde a paciência de quem busca enredo direto vai se esgotar. Machado não tem pressa, e se você tem, a leitura vai te desafiar a reduzir o passo.

Para quem é (e para quem não é) essa edição

  • Quem está começando com clássicos brasileiros: vai ter em um só volume a evolução de quem fundou o realismo no Brasil, do primeiro ao último romance.
  • Quem já conhece Machado e quer revisitar: a vantagem é ter romances e contos juntos, o que permite comparar o estilo curto com o longo sem trocar de livro.
  • Quem quer leitura de ação e enredo veloz: vai sofrer. A prosa de Machado de Assis é reflexiva, cheia de voltas, e o ritmo é de quem passeia, não de quem corre.

Veredito: vale a pena ler Machado de Assis?

Vale cada minuto, mas cobra o pedágio da atenção. A coletânea da Editora Viseu não é uma leitura leve nem rápida, e o custo em tempo e concentração é real: você vai ter que desacelerar, aceitar digressões e conviver com um narrador que te interrompe. Em troca, recebe a literatura mais viva e afiada do século XIX brasileiro, com crítica social que envelhece ao contrário do que deveria. Se você topa o passeio, a recompensa é uma obra que continua cutucando o leitor mais de cem anos depois de escrita.

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Nossa Avaliação

4.5/5

Escrita
5.0/5
Ritmo
4.0/5
Originalidade
5.0/5
Recepcao
4.0/5

A coletânea entrega o melhor de Machado de Assis em um volume só. A prosa é impecável e a ironia cortante, mas o ritmo das digressões exige paciência de quem busca enredo direto.


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Perguntas frequentes

O que é o livro Machado de Assis da Editora Viseu?

É uma coletânea que reúne os principais romances e coletâneas de contos de Joaquim Maria Machado de Assis, de Ressurreição (1872) a Memorial de Aires (1908). Funciona como um panorama da carreira inteira do autor.

Quais obras estão incluídas na coletânea Machado de Assis?

A edição inclui romances como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e Esaú e Jacó, além de coletâneas de contos como Papéis Avulsos, Várias Histórias e Relíquias da Casa Velha.

Para quem é indicado ler essa coletânea?

É indicada para quem quer começar a conhecer a obra de Machado de Assis em um volume só, para quem já é fã e quer revisitar os textos, e para estudantes de literatura que buscam um panorama do realismo brasileiro.

A leitura de Machado de Assis é difícil?

A prosa é densa, com digressões e um narrador que interrompe a história para comentar. Não é uma leitura de enredo veloz, exige atenção e paciência, mas recompensa com crítica social e análise psicológica afiadas.

Existem debates contemporâneos sobre a obra de Machado de Assis?

Sim, há discussões sobre como o autor representou questões raciais e de classe no século XIX. Críticos debatem se ele reforçou ou criticou estereótipos da época, o que adiciona uma camada de análise para o leitor atual.

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Atualizado em 20/08/2026

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