O Antimodernista
O Antimodernista, de Graciliano Ramos, reúne crônicas, cartas e entrevistas que revelam a visão crítica do autor sobre o modernismo brasileiro. Organizada por Thiago Mio Sallae e Ieda Lebensztayn, a coletânea mostra um Graciliano que duvidava do culto ao novo e denunciava as desigualdades ignoradas pelo discurso triunfalista. Leitura essencial para quem quer aprofundar o pensamento do autor, mas exige conhecimento prévio do período.
por Graciliano Ramos
Sinopse
Sinopse da editora
Nas crônicas, entrevistas e cartas reunidas neste livro, Graciliano Ramos revela sua visão muito particular do movimento modernista brasileiro, simbolizado pela Semana de Arte Moderna de 1922. Neste O antimodernista: Graciliano Ramos e 1922, organizado por Thiago Mio Sallae Ieda Lebensztayn,o leitor encontrará a consciência crítica e autocrítica de um Graciliano Ramos na contracorrente do triunfalismo modernista, simbolizado pela Semana de Arte Moderna de 1922. É a perspectiva de um artista que duvida da idolatria ao progresso e recusa o fascínio pelo novo, quando os exageros ignoram as desigualdades sociais do país. Não se trata, contudo, de uma defesa do tradicionalismo nem de reacionarismo. Neste livro, por meio de seus textos - crônicas, entrevistas, cartas -,vemos um Graciliano incomodado com os descaminhos da civilização ocidental, e que manifesta sua postura desconfiada e vigilante de modo contínuo. Aqui, o leitor será levado a questionar os vínculos, em termos de proximidades e diferenças, de Graciliano com Mário de Andrade e Oswald de Andrade, e com a literatura moderna nordestina - de intelectuais e artistas como Manuel Bandeira, Santa Rosa, os alagoanos Aurélio Buarque de Holanda, Valdemar Cavalcanti, Jorge de Lima, além dos representantes do chamado romance de 1930, como José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de Queiroz. O leitor poderá constatar ainda como o trabalho de organizar uma antologia de contos brasileiros marcou a perspectiva de Graciliano, revelando seus critérios artísticos. Graciliano defendia a clareza da escrita e uma técnica ficcional feita de circunspecção, introspecção e respeito às palavras e aos seres, capaz de articular a representação crítica e a expressão subjetiva de impasses sociais e morais. Os textos presente-sem O antimodernista permitem que se conheçam e se compreendam melhor os vínculos do autor de Vidas secas com o modernismo, suas reflexões sobre os critérios de permanência das obras de arte e seu olhar agudo sobre o Brasil. "GRACILIANO RAMOS: Os modernistas brasileiros, confundindo o ambiente literário do país com a Academia, traçaram linhas divisórias rígidas (mas arbitrárias) entre o bom e o mau. E, querendo destruir tudo que ficara para trás, condenaram, por ignorância ou safadeza, muita coisa que merecia ser salva. Vendo em Coelho Neto a encarnação da literatura brasileira - o que era um erro - fingiram esquecer tudo quanto havia antes, e nessa condenação maciça cometeram injustiças tremendas. [...] REVISTA DO GLOBO: Quer dizer que não se considera modernista? GRACILIANO RAMOS: Que ideia! Enquanto os rapazes de 22 promoviam seu movimentozinho, achavame em Palmeira dos Índios, em pleno sertão alagoano, vendendo chita no balcão." - Trecho de entrevista concedida por Graciliano Ramos em 1948.
Graciliano Ramos não comprou o discurso do modernismo.
Enquanto os modernistas faziam barulho em São Paulo em 1922, ele estava em Palmeira dos Índios, no sertão alagoano, vendendo chita no balcão. A frase, dita por ele mesmo em 1948, resume a posição que O Antimodernista documenta: a de um escritor que olhou para o movimento com desconfiança, sem nunca se deixar levar pelo fascínio do novo. A coletânea, organizada por Thiago Mio Sallae e Ieda Lebensztayn, reúne crônicas, entrevistas e cartas que mostram um Graciliano Ramos na contracorrente do triunfalismo modernista.
O Antimodernista: o modernismo visto do sertão
O livro não é uma narrativa linear. É um mosaico de textos que funcionam como janelas para o pensamento crítico de Graciliano. Você encontra ali a consciência de um autor que duvidava do progresso cego e recusava o culto ao novo quando ele ignorava as desigualdades do país. Não se trata de reacionarismo: Graciliano não defendia o passado, mas questionava os rumos da civilização ocidental com uma vigilância constante. A obra permite ver seus vínculos com Mário de Andrade, Oswald de Andrade e a literatura moderna nordestina, além de revelar como a organização de uma antologia de contos brasileiros moldou seus critérios artísticos.
Crônicas, cartas e entrevistas: o material do livro
Os textos são variados. Há crônicas que ele publicou em jornais, entrevistas concedidas a veículos como a Revista do Globo, e cartas trocadas com contemporâneos. O organizador costurou esse material para montar um retrato coerente de um intelectual que se recusava a caber em rótulos. A edição da Record tem 290 páginas e oferece notas que ajudam a situar cada peça, mas o leitor precisa vir preparado: a exigência de conhecimento prévio é real.
Os temas centrais de O Antimodernista: arte, política e desconfiança
O tema dominante é a postura de Graciliano frente ao modernismo, mas o livro vai além. Ele explora a ideia de que ser antimodernista não significa ser tradicionalista, e sim ter uma visão desconfiada e vigilante sobre os descaminhos da arte e da sociedade. Graciliano defendia a clareza na escrita e uma técnica ficcional feita de circunspecção, introspecção e respeito às palavras e aos seres. Ele articulava a representação crítica com a expressão subjetiva de impasses sociais e morais. A obra também questiona os critérios de permanência das obras de arte: o que merece ser salvo e o que não passa de modismo passageiro?
A clareza de Graciliano Ramos como método
Mesmo em textos não ficcionais, a prosa de Graciliano mantém sua marca: concisão e precisão. Não há floreios, não há rodeios. Ele vai direto ao ponto, com uma elegância que vem da simplicidade. É um estilo que prioriza a substância e a reflexão. Mas essa densidade tem um preço: O Antimodernista não é uma leitura leve. O ritmo é pontuado por referências a autores e eventos que podem soar estranhos para quem não está familiarizado com o período. A ressalva é concreta: se você não conhece bem o modernismo brasileiro e a obra de Graciliano, parte do impacto se perde.
Para quem serve O Antimodernista
- Quem já leu Graciliano e quer entender seu pensamento crítico: aqui estão as peças que faltam para montar o quebra-cabeça, a visão dele sobre o modernismo, sobre a arte e sobre o Brasil.
- Estudantes de literatura brasileira: uma perspectiva alternativa ao discurso oficial da Semana de 22, com direito a ver Graciliano dialogando com Mário, Oswald, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e outros.
- Quem espera uma introdução acessível ao modernismo: vai se frustrar. A densidade e as referências exigem bagagem. Melhor começar por Vidas Secas ou Angústia e depois vir para cá.
Vale a pena ler O Antimodernista?
Sim, vale, mas com uma condição: você precisa ter interesse em entender o outro lado do modernismo brasileiro, aquele que não estava nos palcos do Teatro Municipal. A oportunidade de ver Graciliano Ramos criticando, refletindo e se posicionando sobre a arte e a sociedade é o grande trunfo do livro. Se você busca um olhar mais complexo sobre o período, O Antimodernista compensa. Se quer apenas uma leitura introdutória e fluida, pule fora, o livro vai te exigir mais do que você está disposto a dar.
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Nossa Avaliação
4.1/5
A escrita de Graciliano é um trunfo mesmo em textos não ficcionais: precisa, concisa, sem desperdício. A originalidade de trazer a contraperspectiva do modernismo é alta. O ritmo sofre um pouco com a densidade de referências, e a recepção exige leitor preparado. Não é para todos, mas para quem serve, entrega muito.
Como avaliamos os livros?
Perguntas frequentes
Sobre o que é o livro O Antimodernista, de Graciliano Ramos?
É uma coletânea de crônicas, entrevistas e cartas que mostram a visão crítica de Graciliano Ramos sobre o modernismo brasileiro, especialmente a Semana de Arte Moderna de 1922. Ele questiona o culto ao novo e expõe as desigualdades que o movimento ignorava.
Quantas páginas tem O Antimodernista?
O livro tem 290 páginas, na edição da Record organizada por Thiago Mio Sallae e Ieda Lebensztayn.
O Antimodernista faz parte de alguma série de livros?
Não. É uma coletânea de textos avulsos de Graciliano Ramos, não vinculada a nenhuma série.
Para quem é indicado o livro O Antimodernista?
Para quem já conhece Graciliano Ramos e quer aprofundar seu pensamento crítico, e para estudantes de literatura que buscam uma visão alternativa sobre o modernismo. Não é indicado para iniciantes no tema.
Livro PDF "O Antimodernista"
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Atualizado em 16/08/2026