O Concorrente
**O Concorrente**, de Stephen King sob o pseudônimo Richard Bachman, é um thriller distópico escrito em 1982 que antecipa reality shows e a transformação da tragédia em entretenimento. A história acompanha Ben Richards, um pai desempregado caçado em rede nacional para pagar o tratamento da filha doente. Vale muito a pena, com ressalva de ritmo no meio.
por Stephen King
Sinopse
Sinopse da editora
Reality shows, o uso de aviões como armas e até a volta das microssaias... A mente visionária de Stephen King já previa tudo isso e mais um pouco quando escreveu O Concorrente, no início da década de 1980. Sob o pseudônimo Richard Bachman, o mestre do terror flerta com a ficção científica neste thriller. No 2025 de Bachman, a TV domina os lares americanos, entorpecentes são vendidos em máquinas automáticas e ar puro é privilégio de poucos. Um mundo onde um jogo chamado matabol é brincadeira de criança e a desgraça alheia é a maior diversão. Na telinha, uma volta à Roma dos gladiadores, com milhões de telespectadores sedentos de sangue levando os índices de audiência às alturas. É nessa arena futurista que desembarca Ben Richards, um desempregado disposto a qualquer sacrifício para salvar a vida da filha. Sua última tentativa é participar do programa O Foragido, disputa da qual ninguém conseguiu sair vivo ainda. O Concorrente inspirou o filme "O Sobrevivente" (The Running Man), estrelado por Arnold Schwarznegger em 1987. Outra curiosidade: King declarou que levou apenas 72 horas para escrever o livro.
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Resenha: O Concorrente, de Stephen King, é só mais um livro de reality show mortal?
Muita gente acha que distopia é um gênero inventado nos anos 2000, depois que a realidade ultrapassou a ficção. O Concorrente, de Stephen King, escrito no começo da década de 1980 sob o pseudônimo Richard Bachman, derruba essa ideia com uma certa crueldade. O livro antecipa reality shows, uso de aviões como arma e até a estética das microssaias. Tudo isso antes de existir internet, antes de existir Big Brother, antes de a gente saber o nome de qualquer influencer.
A história joga você num 2025 onde a televisão virou a única religião que sobrou. Entorpecentes saem de máquina automática, ar puro é artigo de luxo e a desgraça alheia é o principal produto da grade. É nesse cenário que Ben Richards, desempregado e com a filha doente, aceita entrar no programa O Foragido. A regra é simples: ser caçado por assassinos profissionais em rede nacional. Ninguém nunca saiu vivo. O prêmio em dinheiro é a única chance de Richards pagar o tratamento da menina.
A caçada em 2025 que King previu antes de todo mundo
A estrutura do livro é a de uma corrida. Richards foge, se esconde, é delatado, foge de novo. A trama não perde tempo construindo mundo com explicação longa: ela te joga na rua com o personagem e deixa você sentir o asfalto. O que torna O Concorrente diferente da maioria das distopias jovens que vieram depois é que o protagonista não é um escolhido, não é um adolescente rebelde, não tem dom especial. É um pai de família sem emprego, sem plano, sem rede de apoio. A filha doente funciona como o motor moral da história: ele não corre por fama, corre porque precisa de remédio.
O livro também é uma arena romana com câmera. A sinopse original não mente: é uma volta aos gladiadores, só que com audiência medindo tudo em tempo real. A violência aqui não é gratuita, é o produto. A sociedade que King desenha não precisa de monstro sobrenatural pra assustar. O horror é o sistema funcionando direitinho, com todo mundo assistindo.
Um futuro onde a TV é a única religião que sobrou
Os temas centrais de O Concorrente envelheceram de um jeito desconfortável. O livro fala de pobreza extrema, vigilância constante e da transformação da tragédia em entretenimento. Não é metáfora distante: é descrição do que a gente vê todo dia no noticiário e no feed. A manipulação da mídia aparece em cada página, não como pano de fundo, mas como engrenagem principal. A TV não mostra a realidade, ela fabrica a realidade que convém.
A crítica ao capitalismo também está ali, mas sem panfleto. King não para a história pra dar aula. Ele mostra um mundo onde o ar tem preço e a vida vale o que a audiência paga, e deixa você tirar a conclusão. É uma das apostas mais certeiras do livro: confiar no leitor pra entender o recado sem precisar de sublinhado.
A escrita Bachman: seca, rápida e sem pena do leitor
Stephen King escreveu O Concorrente em 72 horas, e isso aparece na página. A prosa sob o nome de Richard Bachman é mais seca, mais pessimista e menos interessada em floreio do que o King habitual. Não tem capítulo longo construindo atmosfera, não tem digressão sobre a infância do personagem. É relato de fuga, página após página.
A vantagem dessa pressa é o ritmo: o livro anda rápido e raramente perde fôlego. A desvantagem é que, em alguns trechos do meio, a narrativa parece um carro em segunda marcha que não troca pra terceira. Faltam cenas de respiro, faltam momentos em que o personagem pensa em voz alta sobre o que está vivendo. Quem vem do King de Carrie, a Estranha ou O Instituto pode estranhar a economia. Quem gosta de thriller puro vai agradecer.
Pra quem esse livro funciona (e pra quem vai travar no meio)
- Quem gosta de distopia com crítica social afiada: o livro entrega um futuro cruel e coerente, sem cair em lição de moral.
- Fã de Stephen King que quer ver o autor em modo político, sem sobrenatural: é uma das poucas obras dele nessa linha, e vale pela diferença.
- Quem prefere leitura leve, otimista ou com final redentor: o livro é pessimista do começo ao fim, e o final não perdoa ninguém.
A adaptação com Schwarzenegger e a ordem dos livros de Bachman
O Concorrente virou o filme O Sobrevivente, lançado em 1987 e estrelado por Arnold Schwarzenegger. A adaptação pegou a premissa e mudou bastante coisa, então vale assistir os dois como versões paralelas, não como espelho. O livro também é o quarto título da série Os Livros de Bachman, que reúne quatro obras publicadas por King sob o pseudônimo Richard Bachman. Quem quiser seguir a ordem: Fúria, A Longa Marcha, A Autoestrada e então O Concorrente.
Fecho: vale a pena ler O Concorrente hoje?
Vale muito a pena, com uma ressalva de ritmo no meio do livro. O Concorrente é uma distopia seca, rápida e incômoda, que envelheceu melhor do que a maioria dos livros de ficção científica dos anos 80. A previsão de King sobre entretenimento baseado em desgraça alheia bateu tão forte que, hoje, o livro parece menos ficção e mais reportagem. Se você aguenta um futuro sem esperança e uma prosa que não faz concessão, essa leitura vai te deixar pensando por dias.
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Nossa Avaliação
4.0/5
A prosa sob o pseudônimo Bachman é seca e eficiente, com ritmo acelerado que às vezes sacrifica profundidade no meio do livro. A originalidade da obra, escrita em 1982, está em antecipar com precisão a era dos reality shows e a espetacularização da miséria. A recepção como clássico cult da distopia confirma o lugar do livro na obra de King.
Como avaliamos os livros?
Informações Extras
Série: Os Livros de Bachman (Volume 4)
Adaptações
- O Sobrevivente (filme (cinema), 1987)
Perguntas frequentes
O Concorrente é um livro de ficção científica ou terror?
É um thriller distópico com elementos de ficção científica. Stephen King escreveu sob o pseudônimo Richard Bachman, flertando com um futuro onde a TV domina e a desgraça alheia vira entretenimento. Não tem monstro sobrenatural, o horror é o sistema.
Por que Stephen King usou o nome Richard Bachman nesse livro?
King publicou sob o pseudônimo Richard Bachman pra testar se o sucesso dele dependia do nome na capa ou da qualidade da escrita. A autoria só foi revelada em 1984. **O Concorrente** é o quarto dos quatro livros lançados como Bachman.
O Concorrente virou filme com Arnold Schwarzenegger?
Sim. O livro inspirou o filme O Sobrevivente, de 1987, estrelado por Arnold Schwarzenegger. A adaptação mudou bastante a trama original, então funciona mais como versão paralela do que como espelho fiel.
Qual a ordem de leitura dos Livros de Bachman?
A ordem é: Fúria, A Longa Marcha, A Autoestrada e **O Concorrente**. Fúria teve a publicação proibida pelo próprio King. A Longa Marcha está fora de catálogo no Brasil.
O Concorrente realmente previu os reality shows?
O livro foi escrito no início da década de 1980 e descreve um programa de TV onde um homem é caçado ao vivo por assassinos profissionais, com audiência medindo tudo em tempo real. A estrutura é a dos reality shows que explodiram décadas depois.
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Atualizado em 04/09/2026