O Evangelho Segundo Maria Madalena

O Evangelho Segundo Maria Madalena

Em O Evangelho Segundo Maria Madalena, Cristina Fallarás dá voz a uma figura bíblica apagada pela história, reimaginando-a como uma mulher forte, sensual e central no cristianismo, em um romance feminista que desafia narrativas tradicionais.

por Cristina Fallarás

3.8/5
Editora: Planeta
Páginas: 167

Sinopse

Sinopse da editora

O evangelho segundo Maria Madalena é um retrato feminista, corajoso e sensual de uma mulher livre, cujo papel na fundação do cristianismo acabou sendo apagado ao longo dos séculos pelos homens da Igreja. "Eu, Maria, filha de Magdala, chamada Madalena, cheguei àquela idade em que não temo mais o pudor que nunca tive. Eu, Maria Madalena, ainda conservo a fúria com que confrontei e confronto a estupidez, a violência e os grilhões que os homens impõem sobre os homens e contra as mulheres. Minha decisão de deixar aqui um registro do que vi, dos eventos extraordinários que me foram presenteados sem nenhum mérito meu além da presença, é firme. (...) Eu conheci o Nazareno. Fui a única que nunca saiu do seu lado. Nunca. Não é vaidade. Assim se deu e foi isso que aconteceu; é o que sou e também nosso reconhecimento mútuo. Sentome e relato tudo isso para apagar tanta mentira e para que compreendam seu verdadeiro fim. Nada será narrado em vão." "Fallarás retoma e remonta a história de Maria Madalena com inteligência narrativa e uma notável pesquisa histórica. A autora nos oferece um romance ousado e provocativo, mas também uma chance de refletir sobre o rico papel das mulheres durante os primeiros tempos do cristianismo. Altamente recomendado!" – Anna Caballé, El País
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A Madalena que a Bíblia escondeu

Cristina Fallarás devolve a palavra a Maria Madalena. Não a santa arrependida dos altares, mas uma mulher de carne, osso e fúria. O Evangelho Segundo Maria Madalena é um romance que pega a figura bíblica mais caluniada da história e a coloca no centro da narrativa, contando a sua própria versão dos fatos. A autora não está interessada em conciliação: ela quer desmontar dois mil anos de silêncio.

A história contada por quem viveu

O livro é narrado em primeira pessoa por uma Madalena já idosa, que decide registrar o que viu. Ela se apresenta como a única discípula que nunca abandonou Jesus, e seu relato é um testemunho de quem esteve lá, mas não engoliu a versão oficial. Fallarás constrói uma figura sensual e corajosa, que confronta a violência e a hipocrisia dos homens da época. Não espere passagens bíblicas decoradas: aqui, Madalena é protagonista, não coadjuvante.

A verdade de Madalena contra o silêncio

O grande tema é o apagamento das mulheres na história, especialmente na religião. Fallarás usa a figura de Madalena para questionar a narrativa patriarcal que transformou uma líder em prostituta arrependida. O livro é um puxão de tapete na catequese: a Madalena que você aprendeu a ter pena se revela uma mulher de poder, que sabia exatamente o que estava fazendo. A fúria contra a opressão é o motor do texto, e a autora não alivia. Se você espera uma leitura neutra, esqueça. Madalena não é assexuada. Fallarás devolve a ela a sensualidade que a Igreja suprimiu, e isso é parte do resgate de sua humanidade. O corpo e o desejo não são pecado aqui; são afirmação de vida.

A prosa de Fallarás, direta como um soco

A escrita de Cristina Fallarás não tem frescura. É uma prosa seca, sem floreios, que serve à voz de Madalena. A pesquisa histórica aparece nos detalhes, mas nunca atrapalha o ritmo. O texto é curto (167 páginas) e vai direto ao ponto, como um depoimento de testemunha ocular: cru, sem edição. A estrutura do livro é fragmentada, como se fossem lampejos de memória de uma mulher que já não tem tempo a perder. Cada capítulo é um soco curto. A ressalva? A fúria da protagonista, embora justificada, às vezes soa monocórdica. Madalena está sempre indignada, e isso pode cansar se você não estiver no mesmo clima. Mas, para um livro tão enxuto, a repetição não chega a estragar a experiência.

Para quem este evangelho é boa nova

O Evangelho Segundo Maria Madalena é uma leitura certeira para quem busca romances históricos feministas que questionam a narrativa bíblica, para quem quer ver uma figura religiosa sob uma ótica humana e política, e para quem não tem medo de ter suas crenças desafiadas. Se você gosta de livros que provocam, que tiram você da zona de conforto, esse é o seu tipo. A linguagem é simples, mas as ideias são densas. Não se engane pela leveza das páginas: o livro exige reflexão.

Agora, o desserviço honesto: se você prefere uma abordagem tradicional da Bíblia, se a ideia de uma Maria Madalena sensual e irada te incomoda, ou se você espera um livro devocional, pule fora. Fallarás não está fazendo média com ninguém, e a leitura pode soar agressiva para quem tem fé inabalável nas versões canônicas. Melhor pegar o terço e deixar esse na estante.

O veredito sobre a Madalena de Fallarás

Vale a pena ler O Evangelho Segundo Maria Madalena, sim, mas com a mente aberta. O livro é curto (167 páginas) e se lê rápido, mas emocionalmente ele pesa. O que você ganha: uma perspectiva que vai fazer você repensar tudo que sabia sobre uma das figuras mais emblemáticas do cristianismo. O que você perde: a paz de uma narrativa confortável. Se você topa o desafio, o retorno é uma história que merecia ser contada há muito tempo.

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Nossa Avaliação

3.8/5

Escrita
3.5/5
Originalidade
4.5/5
Recepcao
3.0/5
Ritmo
4.0/5

O grande trunfo é a originalidade: dar voz a Maria Madalena sob uma ótica feminista é um acerto narrativo. A escrita é direta e funcional, sem floreios, o que casa com a proposta, embora a repetição da fúria possa cansar. O ritmo é ágil, favorecido pelas 167 páginas. A recepção é incerta, já que o tema divide opiniões, mas o livro não foge à polêmica.


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Perguntas frequentes

Qual é a história de O Evangelho Segundo Maria Madalena?

O livro reimagina a figura bíblica de Maria Madalena, apresentando-a como uma mulher forte e central na história do cristianismo, com a narrativa contada pela própria Maria Madalena já em idade avançada.

Quantas páginas tem O Evangelho Segundo Maria Madalena?

O Evangelho Segundo Maria Madalena tem 167 páginas.

Para quem é indicado O Evangelho Segundo Maria Madalena?

É uma leitura ótima para quem busca uma perspectiva diferente sobre as origens do cristianismo e o papel das mulheres, e para quem gosta de romances históricos que desafiam narrativas estabelecidas.

O Evangelho Segundo Maria Madalena faz parte de alguma série?

Não, O Evangelho Segundo Maria Madalena é um livro único e não faz parte de uma série.

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Atualizado em 20/08/2026

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