Os Meninos São a Cura do Machismo

Os Meninos São a Cura do Machismo

Os Meninos São a Cura do Machismo, de Nana Queiroz, propõe que a educação feminista e amorosa dos meninos é a vacina contra o machismo estrutural. Em 115 páginas, a autora desloca o foco do combate às mulheres para a formação dos meninos, argumentando que ninguém nasce agressor e que a sociedade tem responsabilidade na prevenção.

por Nana Queiroz

4.0/5
Editora: Record
Páginas: 115

Sinopse

Sinopse da editora

Em Os meninos são a cura do machismo, Nana Queiroz propõe que uma educação feminista amorosa é a vacina contra nossa pandemia patriarcal. Depois de trabalhar ao longo de uma década combatendo o machismo, com foco nas mulheres, Nana Queiroz percebeu que, de certa forma, era como se estivesse secando gelo. As mulheres eram, sem dúvida, o remédio mais efetivo que conhecia contra o machismo, com seu grito e sua coragem para quebrar silêncios e conquistar direitos.

Mas eram isso: antibiótico para uma infecção generalizada que resistia em retroceder. Eram o grito desesperado de um corpo social na UTI. Como mãe de um homenzinho, viuse então diante da oportunidade de trabalhar na erradicação desse mal. Os meninos podem ser a cura do machismo. Uma educação feminista amorosa é a vacina contra nossa pandemia patriarcal. Porque ninguém nasce insensível, ninguém nasce agressor, ninguém nasce estuprador - isso é, na verdade, o que o machismo quer que a gente pense sobre os homens. Que existe alguma natureza perversa que os rebaixa e os leva a agir irracionalmente.

Nana escolheu acreditar nos meninos: eles mudarão tudo - desde que a gente deixe de treinálos para oprimir. Os meninos são a cura do machismo ensina como cultivarmos um antiexército de homens decentes que se atrevam a mudar o mundo para melhor. "A metáfora que melhor descreve meu ponto de vista é a do hospedeiro consciente e o vírus. Uma pessoa doente não é culpada por contrair um vírus (ao menos, não na maioria dos casos), mas, se não busca tratamento disponível, é responsável pela deterioração da própria saúde e pela infecção daqueles com quem entra em contato. O machismo estrutural é o vírus dessa história. Os homens, o hospedeiro.

Nós, a sociedade, somos os profissionais de saúde que têm de tornar o tratamento disponível. Podemos - e devemos - nos valer de medicamentos fortes como protestos, leis e punições. Mas também devemos trabalhar a prevenção, construindo uma educação que impeça que os meninos sejam seduzidos pelo torpor dessa febre."


Resenha: vale a pena ler Os Meninos São a Cura do Machismo, de Nana Queiroz?

Tem uma frase que a gente repete sem pensar: "homem é assim mesmo, é a natureza dele." Os Meninos São a Cura do Machismo, de Nana Queiroz, existe para derrubar essa frase de uma vez. O livro sustenta o oposto: ninguém nasce agressor, insensível ou estuprador. O machismo é uma infecção que se aprende, e dá para tratar antes que vire epidemia.

O argumento: machismo como vírus e não como natureza

A metáfora central do livro é clara e funciona bem. Nana Queiroz chama o machismo estrutural de vírus e os homens, de hospedeiros. Uma pessoa não tem culpa de contrair um vírus, mas se recusa o tratamento disponível e continua infectando quem chega perto, a responsabilidade passa a ser dela. A sociedade, nesse quadro, é o profissional de saúde: precisa oferecer remédio forte (leis, protestos, punição) e também trabalhar a prevenção, que é a educação dos meninos.

O deslocamento que a autora propõe é simples mas mexe com tudo. Em vez de gastar a energia só no grito das mulheres, que é necessário mas não basta, ela pede que a gente olhe para a base. Treinar meninos para oprimir é uma escolha cultural, não um destino biológico. Se a gente para de treinar, muda o resultado.

De onde Nana Queiroz parte para falar de criação de meninos?

A autora trabalhou uma década combatendo o machismo com foco nas mulheres. Em certo ponto ela percebeu que era como secar gelo: você esfrega o pano, a água escorre de novo. As mulheres eram o antibiótico mais eficaz que ela conhecia, o grito desesperado de um corpo social na UTI. Mas antibiótico trata a infecção instalada, não impede a próxima.

Como mãe de um menino, ela viu que tinha em mãos a chance de trabalhar na raiz. Daí nasce a proposta de Os Meninos São a Cura do Machismo: uma educação feminista amorosa como vacina, isto é, prevenção em vez de remédio de emergência. O livro ensina a cultivar o que ela chama de antiexército de homens decentes que se atrevam a mudar o mundo.

A escrita direta de quem cansou de secar gelo

Nana Queiroz escreve como quem fala, não como quem redige um parecer. A prosa é curta, coloquial, sem jargão acadêmico. As 115 páginas passam rápido porque o texto não enrola nem pede licença para dizer o que tem a dizer.

O lado bom dessa escolha é a acessibilidade: o argumento cabe numa conversa de bar e é isso que a autora quer. O lado que pode decepcionar é a profundidade. Quem já leu teoria feminista mais densa vai sentir falta de um aprofundamento em alguns pontos, especialmente na discussão sobre como a punição e a prevenção se articulam na prática. O livro aponta o caminho, mas não detalha cada curva.

Para quem serve e para quem passa longe

  • Entre de cabeça se você é pai, mãe, educador ou tio e quer pensar com seriedade sobre como criar um menino sem reproduzir o patriarcado que a gente herda sem pedir.
  • Passe longe se você quer um passo a passo de autoajuda familiar com regrinhas numeradas, ou se não está disposto a questionar a ideia de que menino é menino e pronto.

O livro também conversa bem com quem já se interessa por livros de família e parentalidade. Na mesma prateleira tem títulos como O Poder do Afeto, de Thiago Queiroz, que aborda a criação de filhos pelo viés do afeto, um ponto de contacto natural com a proposta de Nana.

Vale a pena ler Os Meninos São a Cura do Machismo?

Vale a pena, sim, e custa pouco: 115 páginas de um argumento que muda o foco da bronca para a criação. Se você quer pensar de verdade sobre como formar meninos que não virem adultos machistas, essa leitura te dá o quadro clínico e aponta o tratamento. Se você quer um manual detalhado com técnicas de criação para cada idade, vai ficar com sede, pois a obra é mais manifesto do que guia. Mesmo assim, o manifesto é dos bons: curto, com opinião fechada e uma tese que fica na cabeça depois da última página.

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Nossa Avaliação

4.0/5

O argumento é original e urgente, a prosa é acessível e a tese fica na cabeça. Fica em 4 porque o livro é mais manifesto do que manual: aponta o caminho da prevenção com clareza, mas não aprofunda a articulação prática entre punição e educação.


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Perguntas frequentes

Qual o tema principal do livro Os Meninos São a Cura do Machismo?

O tema é a educação de meninos sob uma criação feminista e amorosa como forma de prevenir o machismo desde a infância, em vez de só combater a infecção depois de instalada.

Quantas páginas tem Os Meninos São a Cura do Machismo?

O livro tem 115 páginas, uma leitura curta e direta.

Para quem é indicado Os Meninos São a Cura do Machismo?

É indicado para pais, mães, educadores e qualquer pessoa que queira refletir sobre como criar meninos sem reproduzir o patriarcado. Não é para quem busca um manual de autoajuda com regrinhas numeradas.

Os Meninos São a Cura do Machismo faz parte de alguma série?

Não, é uma obra independente da Nana Queiroz e não faz parte de série ou saga.

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Atualizado em 17/08/2026

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