Primavera
Primavera, de José de Alencar, é uma coletânea de 23 páginas com crônicas extraídas de "Ao correr da pena" que giram em torno da cantora Charton, oferecendo um olhar irônico e bem-humorado sobre a sociedade carioca do século XIX.
por José de Alencar
Sinopse
Sinopse da editora
Extraídas do livro "Ao correr da pena", as crônicas aqui reunidas tem em comum a cantora Charton, célebre ao tempo de José de Alencar, como personagem. Com humor e mesmo ironia, o autor traz ao leitor de hoje cenas do cotidiano da sociedade carioca do século XIX, como, por exemplo, as consequências do cancelamento do espetáculo da artista referida.
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Resenha: vale a pena ler Primavera, de José de Alencar?
Antes de virar sinônimo de romance indianista e mocinha apaixonada, José de Alencar era jornalista. Escrevia crônicas nos jornais do Rio de Janeiro com a pressa de quem precisa entregar texto antes da impressão vespertina. Dessas crônicas saiu "Ao correr da pena", coletânea de 1873. E de lá a editora Pop Stories extraiu Primavera, um livrinho de 23 páginas que reúne textos com um fio comum: a cantora Charton, celebridade do Rio do século XIX.
Nascido no jornal: como as crônicas ganharam livro
O formato crônica é o avô do que hoje chamamos de coluna social com tempero literário. Alencar escrevia para o jornal, no calor da hora, observando o que acontecia na cidade naquela semana. Em Primavera, o que acontecia era Charton: uma cantora francesa que lotava os teatros cariocas e cuja simples presença, ou ausência, mobilizava a elite da corte. O livro agrupa esses textos pela figura da artista, como uma minissérie jornalística sobre o fenômeno Charton.
Não há enredo no sentido de romance. Ninguém se apaixona, ninguém morre, ninguém se redime. A gente acompanha o burburinho: comentários nos salões, reações na imprensa, o falatório quando um espetáculo é cancelado. É como abrir a janela de um sobrado na Rua do Ouvidor e ouvir a conversa dos passantes.
Charton e o cancelamento que parou o Rio
O mote das crônicas é quase acidental: um show cancelado. Charton não canta, e a cidade reage como se tivessem desligado a luz no meio de uma festa. Alencar descreve o vai e vem de gente frustrada, a indignação dos que pagaram ingresso, a pose dos que fingem não ligar mas correm para saber o que houve.
O que ele captura é a mecânica da fama. Charton é uma estrela de aluguel: enquanto canta, é deusa; quando falta, vira tópico de fofoca. A sociedade carioca do século XIX se mira nesse espelho e não gosta do que vê. Alencar não dá sermão. Mostra, e deixa você tirar suas conclusões. A hipocrisia das convenções sociais aparece sem que ele precise apontar o dedo.
Humor que surpreende: o Alencar que você não conhece
Se você só conhece o autor por "Iracema" ou "O Guarani", prepare-se para uma voz diferente. A prosa aqui é rápida, seca, irônica. Ele constrói cenas curtas com dois ou três diálogos e entrega a tonalidade social sem precisar de páginas de descrição. É o Alencar jornalista, não o romântico.
A acessibilidade surpreende para quem tem medo de literatura do século XIX. O texto não pede diploma em letras clássicas. A ironia funciona porque é direta: Alencar aponta a vaidade da plateia que vai ao teatro mais para ser vista do que para ouvir. O lado negativo é que 23 páginas passam rápido demais. Você termina e quer mais, e o livro não dá. É um aperitivo sem o prato principal.
Para quem é (e para quem não é) esse livrinho de 23 páginas?
- Quem gosta de crônica e humor ácido: vai encontrar um Alencar descontraído, longe do peso dos romances, com texto que corre solto.
- Quem tem curiosidade sobre o Rio de Janeiro do século XIX: vai ver a cidade como ela se divertia, se irritava e se exibia, com a Rua do Ouvidor como palco central.
- Quem quer um romance com começo, meio e fim: pode sair frustrado. Não há trama, não há desenvolvimento de personagem, não há arco narrativo. É crônica pura.
Se você já leu "Jornalismo", também de José de Alencar e disponível no acervo, esse livro funciona como um complemento mais específico: aquele é mais amplo, este foca num único caso.
Vale a pena? Um Alencar de bolso para uma tarde preguiçosa
Vale a pena, sim, com a expectativa certa. Primavera não é romance e nem tenta ser: é um recorte de 23 páginas que mostra José de Alencar no exercício mais solto e divertido de sua pena. É o tipo de livro que você lê numa tarde, fecha com um sorriso e fica com a sensação de ter espiado pela fresta de um teatro lotado no Rio de 1870.
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Nossa Avaliação
3.5/5
A prosa de Alencar em modo cronista é ágil, irônica e surpreendentemente acessível para um texto do século XIX. O ritmo corre solto, sem o peso dos romances. Como originalidade, perde pontos por ser um recorte de uma obra maior e não um projeto autônomo. A recepção é de nicho: 23 páginas sobre uma cantora esquecida pelo tempo limitam o público, mas entregam o que prometem.
Como avaliamos os livros?
Informações Extras
Ordem da Série: 1
Perguntas frequentes
Primavera, de José de Alencar, é sobre o que?
É uma coletânea de crônicas extraídas de "Ao correr da pena" que usa a cantora Charton e o burburinho em torno dela para retratar o cotidiano da sociedade carioca do século XIX, com humor e ironia.
Quantas páginas tem Primavera?
O livro tem 23 páginas. É uma leitura de uma tarde, bem curtinha.
Primavera faz parte de alguma série?
Os textos foram extraídos da coletânea "Ao correr da pena", de José de Alencar, mas o livro em si é uma edição autônoma da editora Pop Stories.
Para quem é indicado o livro Primavera?
Para quem gosta de crônicas com humor e ironia, tem curiosidade sobre o Rio de Janeiro do século XIX e quer conhecer um Alencar diferente dos romances clássicos.
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Atualizado em 16/08/2026