Tutameia

Tutameia

Tutameia, de João Guimarães Rosa, é uma coletânea de quarenta contos curtos que leva a experimentação linguística ao extremo, misturando ficção e metalinguagem com itálicos e letras redondas que separam o que é história do que é reflexão sobre a própria escrita. Lançado em 1967, o livro aborda amor, ciganos e sertão, mas o que realmente importa é como Rosa inventa palavras e torce a sintaxe. Não é para iniciantes, mas quem já conhece o autor vai se deliciar com o jogo.

por João Guimarães Rosa

4.0/5
Editora: Global Editora
Páginas: 309
Série: Terceiras Estorias (faz parte de uma sequencia de tres livros de contos do autor, sendo o terceiro e ultimo, precedido por 'Primeiras Estorias' e 'Estorias de Estabilidade') (#3)

Sinopse

Sinopse da editora

O Livro publicado em Julho de 1967, reune quarenta estórias curtas e traz um aspecto peculiar: uma obstinada preocupação do escritor com o modo de apresentar suas estórias aos leitores. Tal desejo de Rosa pode ser visto, num primeiro momento, pelo modo como a configuração da duplicidade ficção/metaficção encontra-se registrada no próprio aspecto gráfico do texto, em que se diferenciam os caracteres redondos dos itálicos. Os primeiros são utilizados nos quarenta contos, ou seja, nos textos ficcionais propriamente ditos. O segundo estilo é adotado nos prefácios, epígrafes, citações. Em Tutameia, são tecidas por Rosa insuperáveis tramas de matéria variada. Dentre a miríade de temas e assuntos tocados pelo escritor neste livro, podemos citar o amor (presente em "A vela ao diabo" e "Desenredo"), a vida dos ciganos (o caso dos contos "Faraó e a água do rio", "O outro ou o outro" e "Zingarêsca") e, como não poderia deixar de narrar, o cotidiano de figuras típicas do mundo sertanejo, elemento constitutivo das narrativas "Hiato", "Sota e barla" e "Vida ensinada". Além dos essenciais textos introdutórios de Paulo Rónai, grande conhecedor da obra rosiana, esta edição da Global traz ao fim um estudo do crítico literário Gilberto Mendonça Teles intitulado "O pequeno "Sertão' de Tutameia", publicado originalmente na revista Navegações, v. 2, n. 2, em julhodezembro de 2009. A Global também apresenta ao leitor o projeto de Victor Burton , que desenvolveu a capa a partir da fotografia de Araquém Alcântara, fotográfo especializado em registrar as paisagens brasileiras


Resenha: vale a pena ler Tutameia, de João Guimarães Rosa?

Se você já leu Grande Sertão: Veredas e achou que o Guimarães Rosa tinha ido longe demais com a língua portuguesa, prepare o cinto. Tutameia é o livro em que ele pega a língua, desmonta, monta de novo e ainda sobra tempo pra fazer piada com o próprio processo. Publicado em 1967, é o último volume de contos do autor, e também o mais ousado.

O livro nasceu de uma brincadeira com o dicionário: como surgiu Tutameia

O título já entrega o jogo: "tutameia" é uma palavra que Rosa tirou do baú dos falares populares, onde significa coisa de pouca importância, mixaria. Mas o livro não tem nada de mixaria. A obra nasceu de um projeto em que o autor se propôs a escrever contos cada vez mais curtos, como um exercício de síntese. É como se ele estivesse dizendo: "olha só o que eu consigo fazer com meia dúzia de palavras." O resultado são quarenta estórias que cabem em 309 páginas, mas que pesam muito mais do que o número de folhas sugere.

Quarenta contos em ordem alfabética: o que esperar da estrutura

Os contos estão organizados em ordem alfabética, de "A vela ao diabo" a "Zingarêsca", o que já tira qualquer expectativa de uma narrativa contínua. Cada texto é uma ilha. Mas o pulo do gato está no projeto gráfico: o que está em letra redonda é ficção pura; o que está em itálico são prefácios, epígrafes, comentários do autor sobre a própria obra. Você está lendo um conto e, de repente, Rosa aparece no meio do texto para explicar por que escreveu aquilo. É como se o livro tivesse dois andares: o térreo da história e o mezanino da metalinguagem.

Amor, ciganos e sertão: os temas que voltam e os que surpreendem

Quem conhece Rosa sabe que o sertão é o chão dele. Em Tutameia, isso aparece em contos como "Hiato" e "Vida ensinada". Mas o livro também passeia por assuntos que o autor não explorava tanto. O amor ganha destaque em "A vela ao diabo" e "Desenredo", e a vida cigana, com sua língua, seus códigos, sua margem, vira matéria de "Faraó e a água do rio" e "Zingarêsca". A variedade é tanta que você nunca sabe se o próximo conto vai ser sobre um vaqueiro ou sobre um mal-entendido amoroso em que a palavra errada muda tudo.

Palavra inventada e itálico que separa mundos: a escrita de Rosa

Aqui não tem prosa mansa. Rosa inventa palavras, torce a sintaxe, faz o português parecer uma língua estrangeira que você ainda não aprendeu mas que soa familiar. O ritmo é irregular: alguns contos são tão densos que você vai ler três vezes o mesmo parágrafo; outros fluem como conversa de boteco. A diferença entre os caracteres redondos e os itálicos não é só gráfica, é uma chave de leitura. Se você ignorar os trechos em itálico, perde a graça. Se só ler os itálicos, perde a história. O livro exige que você leia os dois ao mesmo tempo, como quem ouve duas conversas numa sala.

Entre de cabeça se / Passe longe se: para quem é Tutameia

  • Entre de cabeça se você já leu alguma coisa do Rosa e quer ver o lado mais experimental dele, ou se você gosta de livros que funcionam como um quebra-cabeça verbal, onde cada frase é uma descoberta. Também serve se você quer um livro de contos que não se repete: cada estória é um mundo diferente.
  • Passe longe se você está começando a ler literatura brasileira agora. Tutameia não é porta de entrada. Também fuja se você espera uma leitura rápida e linear, aqui você vai parar, reler, consultar dicionário e, às vezes, desistir de um conto e pular para o próximo. Não tem problema, mas é bom saber.

Vale a pena ler Tutameia? Nosso veredito

Tutameia vale a pena, mas não para qualquer hora. É leitura de fim de tarde com paciência, de caderno ao lado para anotar as palavras que você nunca viu antes. Se você encarar como um jogo, e não como uma obrigação, vai sair da última página com a sensação de que a língua portuguesa é maior do que você imaginava. Se for atrás de uma história reta, vai se frustrar. O livro é para quem gosta de ver o artista trabalhando, não só o resultado final.

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Nossa Avaliação

4.0/5

Escrita
5.0/5
Ritmo
3.0/5
Originalidade
5.0/5
Recepcao
3.5/5

A escrita é o ponto alto: Rosa inventa, torce e brinca com a língua como ninguém. A originalidade também é nota máxima, especialmente pelo uso dos itálicos para separar ficção de metaficção, um recurso gráfico que vira parte da narrativa. O ritmo sofre com a densidade de alguns contos, que exigem releitura e paciência. A recepção é boa entre críticos e especialistas, mas o público geral pode estranhar a falta de linearidade. Não é um livro para qualquer leitor, e isso está ok.


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Informações Extras

Série: Terceiras Estorias (faz parte de uma sequencia de tres livros de contos do autor, sendo o terceiro e ultimo, precedido por 'Primeiras Estorias' e 'Estorias de Estabilidade') (Volume 3)


Perguntas frequentes

O que é o livro Tutameia?

Tutameia é uma coletânea de quarenta contos curtos de João Guimarães Rosa, publicada em 1967. O livro se destaca pela experimentação com a linguagem e pelo uso de itálico para separar a ficção dos comentários do autor sobre a própria obra.

Quantas páginas tem Tutameia?

O livro Tutameia tem 309 páginas.

Tutameia faz parte de alguma série de livros?

Sim, Tutameia é o terceiro e último livro de uma sequência de contos de Guimarães Rosa, precedido por Primeiras Estórias e Estórias de Estabilidade.

Para quem é indicado o livro Tutameia?

Tutameia é indicado para leitores que já conhecem a obra de Guimarães Rosa e buscam desafios literários. Não é recomendado para quem quer uma leitura rápida ou está começando a explorar a literatura brasileira.

Livro PDF "Tutameia"

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Atualizado em 22/08/2026

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