A Corda que Sai do Útero
A Corda que Sai do Útero, de Ana Suy, é uma coletânea de 106 páginas que reúne poemas e microcrônicas sobre as transformações e os lutos silenciosos da maternidade. Publicada pela editora Planeta, a obra aborda a perda da identidade prévia e a relação entre mãe e filha com franqueza e lirismo.
por Ana Suy
Sinopse
Sinopse da editora
Este é um livro que fala de pedaços. De filha da minha mãe a mãe de um bebê, de mãe de um bebê a mãe de uma criança, cada vez fica mais e mais visível para mim que a maternidade é um grande elaborar de lutos. Ou seria a própria vida uma grande elaboração de luto pelo que ela é – o que implica irreversivelmente que ela não seja tudo o que não é, simplesmente porque é o que é e não o que não é. "O livro de poemas que Ana Suy, mãe, ora publica, é um ato de amor à filha. Seguindo uma necessidade interna (causa do seu desejo), ela manifesta sua urgência em abrir espaços para a menina viver para além do confinamento social de nossos tempos, para além de A corda que sai do útero. Sabe da necessidade de manter a diferença entre a posição de mãe como Outro "que tem", do da mulher como Outro que "não tem". Quer oferecerlhe a "falta", propulsor do desejo. "Filha, se um dia você ler isso, saiba: são sempre os pedacinhos que importam". MALVINE ZALCBERG, psicanalista "Após reconhecermos a terra na qual A corda que sai do útero fecunda, podemos salientar que Ana caminha neste delicado percurso de nascimentos e lutos. Para tanto, alertanos, precisamos escrever com o corpo todo, precisamos dançar o texto, alongalo, exaurilo, chegar ao limite que a respiração nos dá. Limite conturbado quando imerso num mundo marcado pela falta de ar. Sem ar podemos revestir uma estória. Murmuramos, como pela primeira vez, e refazemos a sua existência". LUCIANA K P SALUM, psicanalista
Resenha: o que esperar de A Corda que Sai do Útero, de Ana Suy?
Você acorda com a intenção de tomar um banho demorado, mas o choro no berço interrompe o plano antes do café esquentar na pia. No meio das fraldas e do cansaço, surge aquela pergunta incômoda sobre onde foi parar a pessoa que você era antes do parto. É exatamente nessa fresta entre a expectativa idealizada e o cotidiano real que se apoia A Corda que Sai do Útero, lançamento da editora Planeta escrito por Ana Suy.
Com apenas 106 páginas, o volume reúne poemas curtos e microcrônicas que acompanham as mutações da autora enquanto transita de filha para mãe de bebê, e mais tarde para mãe de uma criança pequena. Não se trata de um tratado teórico denso, mas de uma investigação sensível sobre os lutos inevitáveis que acompanham o ato de gerar e criar outro ser humano.
Como a estrutura em fragmentos traduz o choque da maternidade
Em vez de montar um diário cronológico ou um guia com regras de criação, a autora aposta em pílulas reflexivas. Cada texto funciona como um instante congelado, capturando desde o impacto físico da gestação até o estranhamento de ver a filha dar os primeiros passos sozinha. Essa montagem em pedaços reflete o próprio estado mental do puerpério, quando o tempo parece quebrado e a atenção precisa se dividir em mil direções.
A psicanalista e escritora Ana Suy publicou A Corda que Sai do Útero pela editora Planeta reunindo apontamentos que combinam observação do dia a dia e reflexão subjetiva. As peças funcionam de maneira autônoma, mas quando lidas em sequência formam uma espécie de mosaico sobre o desgaste e a beleza da convivência inicial entre mãe e filha.
O luto silencioso de quem precisa se despedir de si mesma
O grande mérito do livro está em nomear o que muita gente prefere varrer para debaixo do tapete. A maternidade é apresentada como uma sequência ininterrupta de perdas: perde-se a autonomia do corpo, o silêncio da casa e a antiga identidade feminina. O cordão umbilical que antes alimentava o feto se transforma em uma corda simbólica, oscilando entre o abraço protetor e a necessidade urgente de dar espaço para a criança existir por conta própria.
Dentro das discussões atuais sobre psicanálise e maternidade contemporânea, o texto cutuca feridas necessárias. Ele mostra como a cobrança social tenta empurrar a mulher para um papel exclusivo de cuidadora, apagando seus desejos individuais. As psicanalistas Malvine Zalcberg e Luciana K. P. Salum assinam comentários críticos sobre a obra, reforçando como a autora consegue transformar essa angústia cotidiana em matéria poética.
A escrita corporal que dispensa o tom professoral
Ana Suy escreve com frases secas, imagens físicas e muita contenção verbal. O leite, o sono picotado e o peso dos braços viram matéria-prima poética sem apelar para firulas ou abstrações vazias. A autora não fica dando lição de moral nem tentando explicar a própria dor: ela apenas coloca a cena diante de você e deixa o desconforto agir.
Por outro lado, essa brevidade cobra seu preço. Em alguns momentos, certos temas e figuras de linguagem retornam com pouca variação, dando a impressão de repetição em blocos muito próximos. Quem espera grandes construções métricas ou poemas longos pode achar o conjunto pontual demais, quase como um caderno de anotações rápidas feitas no intervalo entre uma mamadeira e outra.
Quem vai se encontrar nestas páginas e quem deve passar longe
Esta leitura funciona muito bem para mães recentes, pais participativos e profissionais de saúde mental que acompanham o período perinatal e querem fugir dos discursos romantizados. Quem já leu obras do mesmo segmento, como A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, vai reconhecer a facilidade da autora em traduzir nós emocionais complexos para um vocabulário direto e acessível.
Se a sua meta é encontrar um manual prático com dicas de rotina de sono ou fórmulas para educar crianças, este livro não vai te atender. A proposta aqui passa longe de oferecer soluções prontas, focando exclusivamente na elaboração emocional das transformações que a maternidade provoca na vida adulta.
Vale a pena ler A Corda que Sai do Útero?
Vale muito a pena se você procura um olhar honesto e sem enfeites sobre a maternidade. O livro se destaca pela coragem de encarar as dores e as faltas do processo materno sem cair no drama exagerado. A Corda que Sai do Útero entrega uma reflexão madura e comovente em uma tarde rápida de leitura, permanecendo na sua cabeça muito depois de fechar a última página.
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Nossa Avaliação
4.3/5
O livro se destaca pela honestidade e pela potência das imagens poéticas sobre o pós-parto, embora a brevidade de alguns fragmentos cause ligeira sensação de repetição temática ao longo das 106 páginas.
Como avaliamos os livros?
Perguntas frequentes
Do que trata o livro A Corda que Sai do Útero?
O livro aborda a maternidade sob a ótica dos lutos e das transformações da mulher, reunindo poemas e microcrônicas sobre perdas cotidianas, identidade e autonomia infantil.
Quantas páginas tem o livro A Corda que Sai do Útero?
A obra publicada pela editora Planeta conta com 106 páginas.
A Corda que Sai do Útero é um manual prático de maternidade?
Não. Trata-se de uma obra literária com poemas e textos reflexivos baseados na experiência da autora e no olhar psicanalítico, sem dicas de rotina ou criação.
O livro faz parte de alguma série?
Não, é um volume único e autônomo escrito por Ana Suy.
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Atualizado em 20/08/2026