A Felicidade É Fácil

A Felicidade É Fácil

A Felicidade É Fácil, de Edney Silvestre, é um romance de 180 páginas que entrelaça o sequestro de uma criança ao Brasil do governo Collor, mostrando como o cinismo tomou o lugar da inocência. Premiado com Jabuti e São Paulo de Literatura, o livro é um retrato tenso e sem concessões.

por Edney Silvestre

4.4/5
Editora: Editora Record
Páginas: 180

Sinopse

Sinopse da editora

A felicidade é facil comprova que Silvestre veio ocupar um lugar de destaque no quadro literário brasileiro. Com engenho, ele subverte a forma vencedora do primeiro romance, em que a macrohistória (o conturbado período préditadura militar) servia como pano de fundo a um relato de violência e mandonismo. Neste novo livro, os destinos pessoais estão indissoluvelmente ligados à macrohistória, o governo Collor. O autor une as duas pontas da história recente do Brasil: se em Se eu fechar os olhos agora havia ainda uma certa inocência, por meio do olhar das crianças, em A felicidade é fácil ingressamos na era do cinismo, do despudor, do salvese quem puder.
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Resenha: vale a pena ler A Felicidade É Fácil, de Edney Silvestre?

Você chegou aqui porque ouviu falar desse romance que mistura sequestro, corrupção e o Brasil do Collor, e quer saber se ele entrega o que promete. A resposta curta: entrega, mas não é um passeio agradável. A Felicidade É Fácil é um soco no estômago, daqueles que você toma e fica pensando por dias.

Edney Silvestre, jornalista e escritor, já havia mostrado em seu romance de estreia, Se eu fechar os olhos agora, que sabia lidar com a violência da ditadura. Mas aqui ele vai além. O pano de fundo não é um cenário distante; a política invade a vida pessoal como uma enchente que não pede licença.

Um sequestro, um país em frangalhos

Tudo se passa em um único dia de 1990, seis meses depois do Plano Collor. O confisco da poupança ainda está fresco na memória, e o país vive uma ressaca moral. No centro da trama, o sequestro de uma criança serve de gatilho para expor a podridão que tomou conta das instituições e das relações humanas. Não é um thriller policial convencional; a tensão não vem de pistas e perseguições, mas do retrato de um Brasil onde o cinismo virou a regra do jogo. A cada página, você sente que o sequestro é só a ponta do iceberg: por baixo, há uma rede de interesses que liga o crime à política, e ninguém está limpo.

Quando a história pessoal não escapa da política

A grande força do livro está em mostrar como os destinos individuais são engolidos pela macrohistória. Não há como separar a angústia dos personagens do governo Collor. O racismo, por exemplo, não aparece como tema isolado; ele está entranhado na maneira como as pessoas se movem naquele cenário de corrupção. É uma violência que não precisa ser dita, porque está na estrutura das relações. A perda da inocência coletiva é outro fio condutor: se no primeiro romance de Silvestre ainda havia um olhar infantil que filtrava a brutalidade, aqui a ingenuidade já foi para o ralo. O que sobra é o cálculo individualista, o salve-se quem puder. É como se o Brasil tivesse acordado de uma ressaca e percebido que a festa acabou, mas ninguém pediu desculpas.

A prosa enxuta que corta como navalha

Edney Silvestre não perde tempo com descrições desnecessárias. A narrativa é econômica, quase seca, e isso casa perfeitamente com o tom cínico da história. Frases curtas, cenas que se atropelam, um ritmo que não dá trégua. Você lê como quem assiste a um acidente em câmera lenta: sabe que o estrago é grande, mas não consegue desviar o olhar. Essa secura, no entanto, pode ser um obstáculo para quem busca um mergulho mais íntimo nos personagens. Eles são peças de um tabuleiro maior, e às vezes você sente falta de uma pausa para entender o que vai na cabeça de cada um. Mas a escolha é deliberada: o livro não quer que você se apegue, quer que você se incomode.

Se você quer um romance leve, passe longe

A Felicidade É Fácil é para quem tem interesse em ficção brasileira que encosta na ferida sem fazer curativo. Se você gosta de thrillers políticos que não aliviam a tensão e quer entender como a literatura pode processar uma época que muitos preferem esquecer, vai se sentir em casa. Mas se a sua ideia de leitura é relaxar com uma história que termina bem, esse livro não é para você. Ele opera no registro do desconforto, e não oferece alívio moral. É o tipo de romance que deixa um gosto amargo na boca, e é exatamente essa a intenção.

O reconhecimento que veio com os prêmios

A obra não passou despercebida. Ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance e o Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance, dois dos mais importantes do país. Além disso, os direitos de tradução foram adquiridos na França, Estados Unidos e Grã-Bretanha, o que mostra que o retrato do Brasil cínico encontrou eco lá fora. Não é todo romance nacional que consegue furar a bolha assim.

O saldo final: uma leitura que incomoda e vale

Sim, A Felicidade É Fácil vale a pena, especialmente se você tem estômago para encarar o lado mais cínico do Brasil. Edney Silvestre constrói uma história que não dá respostas fáceis, mas deixa claro que a felicidade fácil do título tem um preço alto: a ética perdida. O livro é como um dia de 1990 que se recusa a acabar, e quando você fecha a última página, ainda está tossindo a fuligem do Plano Collor.

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Nossa Avaliação

4.4/5

Escrita
4.0/5
Originalidade
4.0/5
Recepcao
5.0/5
Ritmo
4.5/5

A prosa enxuta mantém o ritmo acelerado, mas a secura pode deixar alguns personagens sem profundidade. Ainda assim, a originalidade de unir um sequestro ao colapso político e o reconhecimento de prêmios importantes mostram que o livro acertou o alvo.


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Perguntas frequentes

Sobre o que é o livro A Felicidade É Fácil do Edney Silvestre?

É um romance que se passa em um único dia de 1990, seis meses após o Plano Collor, e gira em torno do sequestro de uma criança que expõe a corrupção e o racismo da Era Collor.

Quantas páginas tem A Felicidade É Fácil?

O livro tem 180 páginas, publicado pela Editora Record.

A Felicidade É Fácil faz parte de uma série? Qual a ordem?

É o segundo romance de Edney Silvestre e pode ser lido de forma independente, sem vínculo com série específica.

Tem filme ou série baseada em A Felicidade É Fácil?

Não, não há adaptações do livro para cinema ou televisão.

A Felicidade É Fácil é indicado para quem busca leitura leve?

Não, o livro opera no registro do desconforto e não oferece alívio moral fácil.

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Atualizado em 09/08/2026

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