Cartas para Minha Avó

Cartas para Minha Avó

Cartas para Minha Avó, de Djamila Ribeiro, é um livro memorialístico que explora a ancestralidade negra, o feminismo e o antirracismo através de cartas íntimas da autora para sua avó falecida, revisitando sua infância e adolescência.

por Djamila Ribeiro

4.5/5
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 176
Série: Não faz parte de uma série ou saga; é uma obra independente. Djamila Ribeiro possui outros livros conhecidos, como 'Quem tem medo do feminismo negro?' (2018) e 'Lugar de Fala' (2019), mas 'Cartas para Minha Avó' não tem ordem de leitura vinculada a eles.

Sinopse

Sinopse da editora

Um relato memorialístico pungente e sensível sobre ancestralidade, feminismo e antirracismo na criação de filhos. No mais pessoal e delicado de seus livros, a filósofa Djamila Ribeiro revisita sua infância e adolescência para discutir temas como ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. O relato se dá na forma de cartas a sua saudosa avó Antônia - carinhosa e amorosa, conhecedora de ervas curativas e benzedeira muito requisitada. A cumplicidade que sempre houve entre avó e neta é o que permite que a autora rememore episódios difíceis, como a perda do pai e da mãe, as agressões que sofreu como mulher negra no Brasil e os desafios para integrar a vida acadêmica. Djamila também fala de relacionamentos amorosos e experiências profissionais, das músicas, das leituras e das amizades que a acompanharam em sua construção pessoal - e da percepção paulatina de que a memória das lutas e das conquistas das pessoas negras que vieram antes de nós é a força que nos permite seguir adiante.
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Resenha: vale a pena ler Cartas para Minha Avó, de Djamila Ribeiro?

Se você espera um manual antirracista com gráficos e dados, nem comece. Cartas para Minha Avó é o oposto disso. É um livro de 176 páginas que parece um caderno de receitas de chá passado de geração em geração, mas que guarda memórias, dores e uma força que você não encontra em tratado acadêmico nenhum. A filósofa Djamila Ribeiro, conhecida por obras como Pequeno Manual Antirracista, tira aqui a roupa de intelectual e vira neta.

O capítulo que vai mudar como você enxerga a ancestralidade

Djamila não escreve para o leitor, ela escreve para a avó Antônia, que já morreu. E a gente só escuta a conversa de camarote. A estrutura do livro é uma série de cartas imaginárias onde a autora revisita a infância, a perda dos pais, as agressões que sofreu como mulher negra e a entrada na vida acadêmica. Não é um diário qualquer, é como se ela estivesse colocando a avó a par do que aconteceu depois que ela se foi. Cada carta é um fio que liga o passado ao presente, mostrando que a memória das lutas de quem veio antes é a força que nos empurra pra frente. A obra nasceu da necessidade de entender de onde vinha a resistência que ela carregava.

A carta que dói: a perda dos pais e as agressões na escola

A ancestralidade negra não é um conceito abstrato aqui, é a avó benzedeira que sabia o nome de cada erva. O feminismo e o antirracismo também não viram discurso de palestra, eles aparecem na forma de desafios reais: criar filhos numa sociedade que te olha torto, sofrer agressão no metrô, ter que se provar duas vezes na universidade. Djamila não esconde a faca. Ela conta, por exemplo, a humilhação de ser empurrada no ônibus e a sensação de não pertencer a lugar nenhum. O livro funciona como um retrato 3x4 de como o racismo estrutural aperta o pescoço, mas também de como a memória das mulheres negras que vieram antes serve de escudo.

Prosa de carta, não de tese

A escrita de Djamila Ribeiro aqui é fluida e emotiva, nada daquela densidade que cansa. O formato epistolar coloca a gente dentro da conversa, como se fosse um segredo compartilhado. A linguagem é acessível, direta, e o ritmo é o de quem está contando uma história para a avó na cozinha, com pausas, lágrimas e risos. É um livro que se lê numa tarde, mas a digestão dura semanas. A única ressalva é que, em alguns momentos, o tom confessional se repete um pouco, como se ela estivesse girando em torno da mesma ferida. Mas é um custo baixo para um livro que entrega tanto.

Para quem serve (e para quem não serve) essa leitura

  • Se você quer entender como o racismo e o feminismo se encarnam em uma vida real, longe de slides e palestras: essa é a leitura certa.
  • Se você está atrás de um romance leve para passar o tempo, ou se acha que livro de filósofo tem que ter gráfico e pé de página: passe longe. Aqui a emoção não é filtrada, e o peso das memórias pode ser difícil de carregar numa leitura descompromissada.

Se você gostou de Minha História, da Michelle Obama, vai reconhecer aqui o mesmo tipo de coragem de expor a própria vida para falar de algo maior.

Vale a pena ler Cartas para Minha Avó?

Vale a pena, e muito. Cartas para Minha Avó não é um livro que se lê e pronto: é um livro que fica. Se você achava que Djamila Ribeiro era só a intelectual dos debates acadêmicos, prepare-se para encontrar a mulher que chora a morte da mãe, que sente o cheiro do chá da avó na memória e que transforma a dor em força. É uma leitura que enriquece o entendimento sobre o Brasil e sobre o que significa ser mulher negra por aqui, sem discurso pronto. Só uma carta. Que a avó, de algum lugar, está lendo.

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Nossa Avaliação

4.5/5

Escrita
4.5/5
Originalidade
4.5/5
Recepcao
4.5/5
Ritmo
4.5/5

A escrita sensível e pungente de Djamila Ribeiro, aliada à estrutura epistolar, cria uma narrativa íntima e envolvente que prende o leitor. A obra se destaca pela forma como aborda temas complexos como ancestralidade, feminismo e racismo, tornando-os acessíveis e profundamente reflexivos. A recepção calorosa de críticos e leitores confirma o impacto e a relevância deste relato memorialístico.


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Informações Extras

Série: Não faz parte de uma série ou saga; é uma obra independente. Djamila Ribeiro possui outros livros conhecidos, como 'Quem tem medo do feminismo negro?' (2018) e 'Lugar de Fala' (2019), mas 'Cartas para Minha Avó' não tem ordem de leitura vinculada a eles.


Perguntas frequentes

Do que fala o livro Cartas para Minha Avó?

Cartas para Minha Avó, de Djamila Ribeiro, é um relato memorialístico que explora a ancestralidade negra, o feminismo e o antirracismo a partir das experiências da autora, em formato de cartas para sua avó Antônia.

Quantas páginas tem Cartas para Minha Avó?

O livro Cartas para Minha Avó tem 176 páginas.

Cartas para Minha Avó faz parte de alguma série?

Não, Cartas para Minha Avó é uma obra independente, não faz parte de uma série ou saga, embora Djamila Ribeiro tenha outros livros conhecidos.

Para quem é indicado Cartas para Minha Avó?

É uma leitura valiosa para quem busca entender mais sobre ancestralidade negra, feminismo e os impactos do racismo, sendo ótimo para quem aprecia biografias e relatos memorialísticos que combinam o pessoal com o social.

Cartas para Minha Avó recebeu algum prêmio?

O livro recebeu avaliações muito positivas de leitores e críticos, sendo classificado como um relato memorialista pungente e sensível.

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Atualizado em 22/08/2026

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