Dom Casmurro

Dom Casmurro

Dom Casmurro, de Machado de Assis, é o romance que narra a história de Bento Santiago, um homem que na velhice revisita o amor que viveu com Capitu e constrói, página por página, a própria desconfiança sobre a fidelidade dela.

por Machado de Assis

4.8/5
Editora: Principis
Páginas: 238

Sinopse

Sinopse da editora

Em Dom Casmurro, o narrador Bento Santiago retoma a infância que passou na Rua de Matacavalos e conta a história do amor e das desventuras que viveu com Capitu, uma das personagens mais enigmáticas e intrigantes da literatura brasileira.

Nas páginas deste romance, encontra-se a versão de um homem perturbado pelo ciúme, que revela aos poucos sua psicologia complexa e enreda o leitor em sua narrativa ambígua acerca do acontecimento ou não do adultério da mulher com olhos de ressaca, uma das maiores polêmicas da literatura brasileira.


Resenha: vale a pena ler Dom Casmurro, de Machado de Assis?

Capitu traiu Bentinho? É a pergunta que sai da boca de quem termina o livro e que o próprio narrador se recusa a responder de forma direta. Dom Casmurro, de Machado de Assis, até hoje funciona como uma armadilha narrativa: você entra achando que vai resolver um mistério e sai percebendo que o mistério é você, leitor, montando a culpa a partir de fragmentos escolhidos por um narrador que tem tudo a perder com a verdade.

Bento Santiago, o Bentinho, é um homem na velhice que decide escrever para "atar as duas pontas da vida". Ele volta à infância na Rua de Matacavalos, reconstroi o namoro com a vizinha Capitu e desfila os acontecimentos que o levaram ao casamento e à desconfiança. O problema é que cada detalhe que ele seleciona para contar já vem carregado de suspeita. É como revisar o histórico do próprio WhatsApp depois de uma briga: você escolhe só as mensagens que confirmam o que já decidiu sentir.

Bentinho e a memória que constrói sua própria prisão

A estrutura do romance é a de um homem montando um quebra-cabeça onde ele já decidiu qual é a figura final. Bentinho narra em primeira pessoa, saltando entre a infância e a maturidade, e o leitor vai percebendo aos poucos que esse narrador não é confiável. A genialidade está em como Machado faz você gostar dele, rir das ironias dele, e só depois perceber que está sendo manipulado pelas mãos dele.

A presença de Escobar, amigo íntimo de Bentinho, introduz a sombra que cobre o resto da narrativa. A relação entre os dois é descrita com carinho, e é justamente essa proximidade que torna a suspeita posterior tão devastadora. O livro não mostra o adultério. Mostra um homem interpretando gestos, olhares e coincidências até se convencer de que foi traído.

O ciúme como motor narrativo

O ciúme em Dom Casmurro não é explosão, é erosão. Bentinho não grita, não agride, não confronta. Ele vai corroendo a própria vida por dentro, como cupim em viga de madeira, até que a estrutura cede. Machado de Assis trata a dúvida como algo que se alimenta de si mesma: quanto mais Bentinho busca provas, mais ele encontra motivos para duvidar, e menos capaz ele fica de enxergar Capitu como algo além de um espelho do seu medo.

A questão dos "olhos de ressaca" de Capitu é o símbolo perfeito disso. Bentinho descreve os olhos da mulher como fenômeno natural, algo que arrasta e submerge. Mas esses mesmos olhos que ele amou na juventude são os que ele passa a ler como prova de dissimulação. O que mudou não foi Capitu. Foi o filtro por onde Bentinho passou a enxergá-la.

A crítica social está embutida, não gritada. Os costumes do Rio de Janeiro do século XIX, as convenções de classe, o seminário como destino imposto, o casamento como estratégia: tudo aparece sem que Machado precise subir em palanque. A hipocrisia da elite carioca é mostrada pelo ângulo de quem faz parte dela e tira proveito dela.

A ironia de Machado: navalha disfarçada de elegância

A prosa de Machado de Assis é o tipo de coisa que engana pela calmaria. Ele escreve com a calma de quem te oferece um café e vai cobrando a conta aos poucos. O humor é seco, quase sempre na direção do próprio narrador, e a ironia funciona como navalha: corta limpo e você só sente depois.

Há um preço nessa sofisticação. O ritmo do romance é cadenciado, e trechos do meio se arrastam pelo excesso de digressões e reflexões metafísicas de Bentinho. Para quem vem de leituras mais lineares, a primeira metade pode pedir paciência. Machado não tem pressa, e nem todos os desvios do narrador recompensam igual.

Quem vai amar e quem vai sofrer com este livro?

  • Encare a leitura se você gosta de narrativa que faz você trabalhar, que deixa pontas soltas de propósito e que continua provocando debate mais de um século depois de publicada. É um dos maiores romances da literatura brasileira e merece cada hora investida. Se o gosto pelo autor pegar, "A Vida Eterna", também de Machado de Assis, é um caminho natural para continuar.
  • Deixe na estante se você precisa de respostas limpas e finais fechados. Machado não vai te dar a satisfação de um veredito, e se a ambiguidade te irrita, vai parecer que o autor está enrolando. Não está. Ele está mostrando que a verdade, quando narrada por alguém interessado nela, não existe.

Da tela à página: as adaptações de Dom Casmurro

A força da obra se mede também pela quantidade de vezes que foi recontada. A obra virou filme em 1955 e ganhou adaptações para a TV em 1965, 1991 e 2019, além de uma versão em audiobook em 2023. Cada adaptação precisa resolver o mesmo problema que o livro deixa em aberto: como encenar uma dúvida que é, por natureza, narrativa? As séries de televisão, em especial, tendem a tomar partido, e é curioso comparar como cada uma decide pintar Capitu.

Vale a pena ler Dom Casmurro?

Dom Casmurro vale a pena sem nenhuma reserva, e compensa para você que aceita terminar um livro com mais perguntas do que começou. Se você tolera o ritmo do século XIX e não precisa que o narrador seja honesto, vai encontrar um dos romances mais inteligentes já escritos em português. Se busca uma história de amor com começo, meio e fim claros, vai se frustrar com um livro que usa o amor como isca para falar sobre outra coisa: a capacidade que a mente tem de se convencer de qualquer coisa.

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Nossa Avaliação

4.8/5

Escrita
5.0/5
Ritmo
4.5/5
Originalidade
5.0/5
Recepcao
5.0/5

Machado de Assis constrói com ironia um narrador que manipula o leitor sem que este perceba, e a ambiguidade central sustenta o debate até hoje. O ritmo cadenciado e as digressões do meio pedem paciência, mas a profundidade psicológica e a originalidade do tratamento do ciúme fazem deste romance um marco incontestável da literatura brasileira.


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Informações Extras

Ordem da Série: 21

Adaptações

  • Dom Casmurro (filme, 1955)
  • Dom Casmurro (serie de tv, 1965)
  • Dom Casmurro (serie de tv, 1991)
  • Dom Casmurro (serie de tv, 2019)
  • Dom Casmurro (audiobook, 2023)

Perguntas frequentes

Dom Casmurro é um livro sobre o que?

Dom Casmurro é um romance de Machado de Assis que narra a história de Bento Santiago, um homem que, na velhice, revisita sua juventude e o amor por Capitu, enquanto constrói gradualmente a desconfiança sobre a fidelidade dela.

Quantas páginas tem o livro Dom Casmurro?

O livro Dom Casmurro, na edição da editora Principis, tem 238 páginas.

Dom Casmurro faz parte de alguma série de livros?

Não, Dom Casmurro é uma obra independente de Machado de Assis. Você pode ler sem se preocupar com ordem de série.

Existem adaptações de Dom Casmurro para filme ou série?

Sim, Dom Casmurro já foi adaptado para o cinema em 1955 e para séries de TV em 1965, 1991 e 2019, além de ter uma versão em audiobook lançada em 2023.

Dom Casmurro é um livro fácil de ler para quem está começando?

A escrita de Machado de Assis exige atenção e reflexão, com digressões e ironia que pedem leitura atenta. Recompensa quem gosta de literatura brasileira e histórias que provocam pensamento, mas pode cansar quem busca narrativa linear.

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Atualizado em 20/08/2026

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