Lady Susan

Lady Susan

Lady Susan, de Jane Austen, é um romance epistolar curto que narra as artimanhas de uma viúva manipuladora em busca de casamento vantajoso para si e para a filha. Escrito na juventude da autora, oferece sátira social afiada e uma protagonista que foge de tudo o que Austen consagrou depois.

por Jane Austen

4.1/5
Editora: Editora Landmark
Série: novela epistolar independente

Sinopse

Sinopse da editora

LADY SUSAN, o romance epistolar de Jane Austen, nunca recebeu muita atenção dos leitores em comparação com os seus outros seis romances maiores, principalmente por ser uma obra curta. Os estudiosos de sua obra estimam que tenha sido escrito entre os anos de 1793 e 1794, quando a jovem escritora encontravase em seus últimos anos de adolescência e representa um hiato na totalidade da obra de Jane Austen por se caracterizar como um estudo sobre uma mulher adulta, que usa sua inteligência e charme para manipular, trair e abusar de suas vítimas, sejam elas, amantes, amigos ou os membros de sua própria família. A história de LADY SUSAN gira em torno de sua personagem principal, a bela e coquete Lady Susan Vernon (uma das melhores personagens criadas por Jane Austen, em tudo diferente às protagonistas de seus romances posteriores), uma viúva na casa de seus 30 anos, que busca um novo e vantajoso matrimônio para si, ao mesmo tempo em que tenta arranjar um casamento para sua filha com um homem rico e tolo que esta última despreza. Ela preenche sua agenda de compromissos com convites para visitas estendidas junto aos parentes de seu falecido marido e conhecidos por uma série de manobras astuciosas, de modo a atingir seu plano principal. Escandalosamente divertido e artisticamente melodramático, LADY SUSAN é um romance quase esquecido dentro do magnífico conjunto da obra de Jane Austen, menosprezado pela comparação com os seis romances maiores publicados pela escritora. Uma vez que poucos romances podem superar ou se equivaler às obrasprimas de Jane Austen, LADY SUSAN deve ser aceito pelo o que realmente é: uma peça encantadora e muito divertida, elaborada por uma jovem escritora que nos apresenta personagens interessantes e provocantes E que também nos revela sua compreensão inicial das maquinações sociais através de uma linguagem muito requintada.


Resenha: vale a pena ler Lady Susan, de Jane Austen?

Tem aquela pessoa que nunca organiza o jantar, mas aceita todos os convites, sabe exatamente o que elogiar em cada anfitriã e sai de cada casa com um favor no bolso. Imagina essa pessoa com trinta anos, viúva, e com a vida inteira pela frente num mundo onde o único caminho para segurança financeira é casar bem. É mais ou menos assim que Lady Susan, de Jane Austen, começa: não com uma protagonista simpática, mas com uma que você vai torcer contra e admirar ao mesmo tempo.

O livro acompanha Lady Susan Vernon, uma viúva na casa dos 30 que circula pela casa de parentes e conhecidos com a precisão de quem planeja uma campanha militar. O objetivo é duplo: arranjar um marido rico para si e um casamento vantajoso para a filha, mesmo que a moça deteste o candidato escolhido. Tudo narrado em cartas, o que dá a você acesso direto às maquinações da protagonista sem intermediários.

Cartas como arma: como funciona o enredo epistolar

O romance é todo construído em correspondências trocadas entre os personagens, e é aí que mora a genialidade do formato. Lady Susan escreve para sua cúmplice, Mrs. Johnson, com a franqueza de quem desabafa no WhatsApp sem medo de print. Para os outros, ela ajusta o tom: fala como vítima para um, como conselheira para outro, como pretendente para um terceiro. Você vê a mesma cena descrita por ângulos diferentes, e o contraste entre as versões é onde a sátira acontece.

A trama avança em visitas estendidas, aqueles arranjos sociais em que alguém fica hospedado na casa de um conhecido por dias ou semanas. Lady Susan transforma cada visita em uma operação: aproxima quem interessa, afasta quem atrapalha, e usa a hospitalidade alheia como palco para seus planos. A filha, Frederica, é o peão que ela tenta mover no tabuleiro contra a vontade do próprio peão.

A viúva que trata visitas como jogadas de xadrez

O tema central de Lady Susan é a manipulação social como ferramenta de sobrevivência. Em um mundo onde mulheres tinham pouquíssimas opções, a protagonista usa a única coisa que tem a seu favor: inteligência, charme e a capacidade de ler as pessoas. Não há redenção moral aqui, e é isso que torna o livro tão interessante. Jane Austen escreveu essa obra entre 1793 e 1794, no fim da adolescência, e a protagonista é tudo que suas heroínas posteriores não são: adulta, experiente, e sem nenhum constrangimento em usar os outros para conseguir o que quer.

A crítica às convenções do século XVIII é afiada. O casamento como transação financeira, a hipocrisia das boas maneiras, o jogo de aparências: tudo está exposto sem verniz. Se nos romances maiores Austen trata desses temas com sutileza, aqui ela vai direto ao ponto, como quem ainda não aprendeu a disfarçar a faca.

A escrita jovem de Jane Austen já afiada

A prosa de Jane Austen aqui é mais direta do que nos romances maduros, o que faz sentido para um texto escrito na juventude. O formato epistolar dá agilidade à narrativa, porque cada carta é um pedaço de enredo entregue de uma vez. O humor é mordaz, e os diálogos, embora mediados por correspondência, têm o afiamento que viria a marca registrada da autora.

A ressalva vai para o ritmo. Como tudo é contado em cartas, a narrativa às vezes respira pelo pescoço: você sente falta de uma cena presenciada de perto, em vez de relatada por alguém. O final, em particular, é resolvido com uma rapidez que deixa no ar a sensação de que Austen cansou do formato e quis encerrar de qualquer jeito. É um defeito de uma escritora em formação, e isso tem seu charme.

Lady Susan serve para quem?

Se você já leu os romances maiores de Jane Austen e quer ver a autora testando os limites antes de aprimorar a fórmula, esse livro é seu. Também funciona para quem curte romances de época com sátira social e protagonistas que não pedem sua simpatia. Quem busca um romance epistolar de época com heroína idealista e ar de redenção, porém, vai ficar frustrado: Lady Susan não é Elizabeth Bennet, e não tem a menor intenção de ser. Quem leu e gostou de A Abadia de Northanger, também de Jane Austen, vai reconhecer aqui a mesma vontade de brincar com as regras do gênero. Já quem precisa de ritmo e ação para prender a atenção pode achar as cartas lentas demais no meio do caminho.

Vale a pena: um clássico menor que rende mais que muitos maiores

Vale a pena ler Lady Susan, sim, com a expectativa ajustada. Se você quer ver Jane Austen sem o polimento dos romances maduros, com uma protagonista que seria vilã em qualquer outro livro, a leitura compensa de sobra. Se você espera a perfeição formal dos seis romances maiores, vai se decepcionar, e tudo bem. É um livro curto, escrito por uma jovem que ainda não sabia que seria um dos nomes maiores da literatura em língua inglesa, e é exatamente essa imperfeição que faz dele uma leitura tão viva.

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Nossa Avaliação

4.1/5

Escrita
4.5/5
Ritmo
3.5/5
Originalidade
4.5/5
Recepcao
4.0/5

Jane Austen brilha mesmo na juventude, com diálogos afiados e uma protagonista que foge do convencional. O formato epistolar afunila o ritmo em alguns trechos e o final apressa a resolução, mas a originalidade da personagem e a sátira social garantem uma leitura que prende. É um clássico menor, mas importante, no cânone da autora.


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Informações Extras

Série: novela epistolar independente


Perguntas frequentes

Qual é a história de Lady Susan?

Lady Susan, de Jane Austen, é um romance epistolar sobre Lady Susan Vernon, uma viúva de trinta e poucos anos que usa charme e inteligência para manipular familiares e conhecidos, buscando um casamento vantajoso para si e para a filha, mesmo contra a vontade da jovem.

Lady Susan faz parte de alguma série?

Não, Lady Susan é uma novela epistolar independente, não faz parte de uma série ou saga.

Por que Lady Susan é considerada uma personagem diferente das outras de Jane Austen?

Lady Susan Vernon se destaca por ser uma protagonista adulta, declaradamente manipuladora e sedutora, o que contrasta frontalmente com as heroínas mais jovens e idealistas que Jane Austen desenvolveria em seus romances posteriores.

Quando Lady Susan foi escrito?

Estudiosos estimam que Lady Susan foi escrito entre 1793 e 1794, quando Jane Austen estava no fim da adolescência, o que faz da obra um registro de sua fase de formação como escritora.

Qual a recepção de Lady Susan pela crítica?

A crítica descreve Lady Susan como uma obra epistolar curta, porém completa e extraordinária, elogiando a protagonista como uma viúva sedutora e manipuladora, diferente das heroínas tradicionais de Austen.

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Atualizado em 22/08/2026

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