Na Antevespera

Na Antevespera

Na Antevespera, de Monteiro Lobato, é uma coletânea de artigos publicados nos jornais cariocas O Jornal e A Manhã entre 1925 e 1927, em que o autor critica a República Velha e o sistema fiscal brasileiro. O livro também inclui textos de sua época de estudante de Direito no Largo São Francisco, revelando as primeiras reflexões que moldaram seu pensamento.

por Monteiro Lobato

4.0/5
Editora: Globo Livros
Páginas: 171
Série: Não faz parte de uma série ou saga literária; é uma compilação independente de artigos publicados anteriormente em jornais.

Sinopse

Sinopse da editora

Este livro reúne artigos de Monteiro Lobato que foram publicados nos jornais cariocas O Jornal e A Manhã, entre 1925 e 1927 e trata de temas marcantes como a vanguarda artística que ganhava a cidade de São Paulo e a República Velha (18891930) que dava sinais de enfraquecimento. Fazem também parte de Na Antevéspera textos de Lobato dos seus tempos de estudante da Faculdade de Direito do Largo São Francisco na capital paulista.


Resenha: vale a pena ler Na Antevespera, de Monteiro Lobato?

Monteiro Lobato é nome que a gente associa na hora ao Sítio do Picapau Amarelo, à boneca de pano que fala o que pensa, ao universo infantil que virou clássico. Mas antes e junto de tudo isso, ele foi um articulista que pegava o sistema fiscal brasileiro pelo colarinho e não soltava. Na Antevespera é a prova disso: uma coletânea de artigos publicados nos jornais cariocas O Jornal e A Manhã, entre 1925 e 1927, em que Lobato vira o Brasil pelo avesso e mostra o que está podre.

O livro também traz textos de quando ele era estudante da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo. É o material bruto de um intelectual em formação, antes de ele virar referência.

Mais que o autor da Emília: o que reúne esta coletânea

Não há narrativa aqui, não há enredo, não há começo-meio-fim. Na Antevespera funciona como uma pasta de recortes de jornal organizada por temas. Os artigos se sucedem como colunas de um cronista que olhava pela janela de São Paulo e não gostava do que via. A vanguarda artística que ganhava a capital paulista, a República Velha (1889-1930) dando sinais de cansaço, a burocracia que engole o cidadão: tudo entra na pauta.

Os textos da época de faculdade funcionam como um caderno de rascunhos do Lobato que viraria depois. Você vê o jovem estudante de Direito já incomodado com as mesmas coisas que o articulista adulto vai destrinchar nos jornais.

República Velha no banco dos réus: os temas centrais

O motor do livro é a crítica. Lobato não escreve para admirar; ele escreve para acusar. O alvo favorito é o Fisco, a máquina de arrecadar que ele desenha como um monstro com tentáculos em todo bolso. Há um prazer visível no sarcasmo dele, como se cada coluna fosse um tijolo arremessado contra a fachada de um sistema que ele considerava podre.

A efervescência cultural de São Paulo nos anos 1920 é o outro eixo. A cidade estava mudando, a vanguarda artística ganhava as ruas, e Lobato registrou isso com a curiosidade de quem está perto da ação mas não se deixa levar pela empolgação alheia. Ele observa, pesa, discorda.

Para quem gosta de literatura brasileira do século XX, esses textos são um raio-X de uma época que a historiografia costuma contar de cima para baixo. Aqui a vista é de quem estava no meio do tiroteio, com a caneta na mão.

Sarcasmo sem filtro: a escrita de Lobato articulista

A prosa de Monteiro Lobato articulista é direta como soco. Ele não enfeita, não faz cerimônia, não pede licença. O sarcasmo é a ferramenta principal e ele sabe usá-lo: uma frase curta, uma ironia, e o argumento está feito. Para quem só conhece o Lobato do Sítio, a acidez aqui pode surpreender.

A ressalva é honesta: como se trata de artigos de jornal, o ritmo é desigual. Alguns textos envelheceram melhor que outros. Há colunas em que o contexto específico se perdeu e a piada não pega mais. Não é um livro que se lê de um fôlego só; é mais um livro de mesa de cabeceira, em que você lê dois artigos, para, pensa, volta depois.

Para quem é (e para quem não é) este livro

  • Quem gosta de história do Brasil e quer ver a República Velha por dentro: vai encontrar um observador afiado que escrevia em tempo real sobre o que via.
  • Quem já leu Cidades Mortas e quer mais Lobato adulto: aqui está o mesmo humor ácido, agora em formato de crônica política.
  • Quem busca ficção ou narrativa com personagens e trama: pode passar direto. Não é o que este livro oferece.

Vale a pena ler Na Antevespera?

Vale a pena, com a ressalva de que é leitura de paciência. O custo aqui é o tempo que você vai gastar com textos de jornal de quase cem anos, alguns dos quais pedem contexto que o livro nem sempre dá. O que devolve em troca é acesso direto a um Lobato que muita gente não conhece: o cronista político que olhava para o Brasil e via rachaduras onde outros viam monumentos. Em 171 páginas, dá para fazer a viagem sem se perder, e sair com uma imagem mais completa do autor mais lido da literatura infantil brasileira.

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Nossa Avaliação

4.0/5

Escrita
4.5/5
Ritmo
3.5/5
Originalidade
4.0/5
Recepcao
4.0/5

Lobato articulista é afiado e o sarcasmo ainda funciona quase cem anos depois. O ritmo desigual é natural de uma coletânea de jornal: alguns textos envelheceram melhor que outros e nem todos pegam o leitor de hoje. Como documento histórico, o conjunto é valioso e oferece um lado do autor que o público geral desconhece.


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Informações Extras

Série: Não faz parte de uma série ou saga literária; é uma compilação independente de artigos publicados anteriormente em jornais.


Perguntas frequentes

Sobre o que é o livro Na Antevespera?

Na Antevespera é uma coletânea de artigos de Monteiro Lobato publicados entre 1925 e 1927 nos jornais cariocas O Jornal e A Manhã. Os textos tratam da vanguarda artística paulista, da República Velha e das críticas do autor ao sistema fiscal e à burocracia. Inclui também textos da época em que Lobato era estudante de Direito no Largo São Francisco.

Quantas páginas tem Na Antevespera?

O livro Na Antevespera, de Monteiro Lobato, tem 171 páginas.

Na Antevespera faz parte de alguma série de livros?

Não, Na Antevespera não faz parte de uma série ou saga literária. É uma compilação independente de artigos que Lobato publicou em jornais.

Para quem é indicado o livro Na Antevespera?

É indicado para quem gosta de história do Brasil, quer entender o pensamento político de Monteiro Lobato e se interessa por crônica política e ensaios sobre a República Velha. Quem busca ficção ou narrativa com enredo pode não se identificar.

Em quais jornais os artigos de Na Antevespera foram publicados?

Os artigos foram publicados nos jornais cariocas O Jornal e A Manhã, entre 1925 e 1927.

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Atualizado em 20/08/2026

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