O Presidente Negro

O Presidente Negro

**O Presidente Negro**, de Monteiro Lobato, é um romance de 1926 que projeta uma eleição presidencial americana com candidato negro e branco, mas o que marca mesmo é a defesa aberta de eugenia e segregação racial. Vale como documento histórico, não como ficção que envelheceu bem.

por Monteiro Lobato

2.5/5
Editora: LeBooks Editora
Páginas: 227

Sinopse

Sinopse da editora

Monteiro Lobato, notório por sua obra voltada ao público infantil, brindou o leitor com este livro de ficção futurista para o público adulto. Aqui, ele mostra uma grande versatilidade como escritor, bem como uma apurada visão criativa de muitos fatos que viriam a ocorrer anos depois deste seu livro. Além da tecnologia, ele aborda aspectos raciais com a cisão da América entre negros e brancos e a feroz disputa presidencial entre um negro e um branco. No tom do livro, ficam evidentes ainda o ódio racial provocado pela escravidão na cultura americana. Este eBook oferece uma leitura instigante que deve ser lida considerandose o contexto político e social da época. É também mais uma oportunidade de conhecer a versatilidade e o talento literário deste grande escritor brasileiro.


Resenha: vale a pena encarar O Presidente Negro hoje?

Você chegou aqui provavelmente por dois motivos: ou está estudando Monteiro Lobato e precisa enfrentar o livro inteiro, ou topou com o título em alguma lista de "ficção científica brasileira" e ficou curioso. Se for o primeiro caso, o livro resolve: ele entrega o que promete em termos de enredo futurista. Se for o segundo, prepare o estômago. O Presidente Negro não é o tipo de leitura que você pega pra relaxar no fim de semana.

Publicado em 1926, o romance projeta uma eleição presidencial americana onde um candidato negro e um branco disputam o poder, num cenário em que a segregação racial chegou a níveis extremos. A trama usa essa disputa pra expor ideias que Lobato defendia na vida real sobre eugenia, miscigenação e o que ele considerava o "futuro" das raças. Não é sátira. Não é distopia crítica no estilo que a gente conhece hoje. É proposta séria, escrita por alguém que acreditava naquilo.

A aposta futurista de Lobato nos EUA

O cenário que Monteiro Lobato monta é ambicioso pra época. Ele imagina os Estados Unidos décadas à frente, com tecnologia que inclui aviões, rádio e até uma espécie de telepatia artificial. A eleição presidencial é o motor da trama, mas o que realmente interessa pro autor não é a política em si: é o que acontece quando o poder pode mudar de mãos entre grupos raciais.

A narrativa acompanha um brasileiro que viaja pros EUA e observa tudo de fora, como quem assiste a um experimento social em andamento. Esse ponto de vista estrangeiro permite que Lobato exponha suas ideias sem precisar justificar cada passo dentro da lógica dos personagens americanos. Funciona como recurso, mas também denuncia a pressa do autor em chegar logo nas suas teses.

Eugenia e segregação: o lado mais difícil de engolir

Aqui a conversa fica pesada. O livro defende abertamente a superioridade da raça ariana e propõe soluções como esterilização em massa e "despigmentação" de negros. Não é personagem racista que pensa errado: é a voz narrativa, é o projeto de futuro que Lobato apresenta como desejável.

Ler isso hoje é como engolir uma pílula amarga sem açúcar. Não tem ironia fina, não tem camada de sátira que permita dizer "o autor estava criticando". O texto é direto, e a defesa da eugenia vem embalada como ciência séria, não como delírio de vilão. É o tipo de conteúdo que exige do leitor uma disposição pra encarar o pensamento de uma época sem filtro, sabendo que muita gente respeitável pensava assim.

A prosa didática de Monteiro Lobato fora do Sítio

Quem cresceu lendo Emília e o Visconde estranha o tom. O Presidente Negro não tem a leveza do Sítio do Picapau Amarelo. A escrita aqui é mais próxima de um manual de instruções de um carro antigo: explica tudo, detalha cada engrenagem, não confia que o leitor vai entender sozinho. Lobato escreve como quem dá palestra, não como quem constrói cena.

O ritmo sofre com isso. Há momentos em que a trama anda, especialmente nas sequências de ação e nos debates eleitorais. Mas boa parte do livro é Lobato parando a história pra expor sua visão de mundo, e aí a leitura pesa. A prosa é clara, direta, sem floreio, mas também sem a imaginação que faz a ficção científica moderna funcionar. Falta aquele senso de maravilha, de possibilidade aberta.

Entre de cabeça se / passe longe se

  • Você tem interesse em entender as raízes do pensamento eugenista no Brasil e quer ler a fonte primária sem mediação de crítico nenhum. O livro é documento, e documento se lê inteiro.
  • Você estuda a obra de Monteiro Lobato e precisa conhecer todas as facetas, inclusive as mais incômodas. Ignorar esse livro é deixar um pedaço importante do autor de fora.
  • Você espera uma ficção científica que envelheceu bem, com worldbuilding rico e personagens complexos. Não é o caso. O livro é mais tese disfarçada de romance.
  • Você se incomoda com conteúdo racista exposto sem camadas de crítica ou ironia. O livro não oferece essa proteção, e a leitura pode ser genuinely desagradável.

Veredito final: o custo dessa leitura

Vale a leitura só como documento histórico, não como ficção que envelheceu bem. O Presidente Negro custa 227 páginas de prosa didática e ideias que hoje soam não só erradas, mas ativamente ofensivas. O que a leitura devolve é entendimento: de como o racismo científico circulava entre intelectuais brasileiros do início do século 20, e de como Lobato, gênio do infantil, podia ser tão limitado no adulto. Se você quer ficção, procure outra obra. Se quer história das ideias, o livro cumpre.

Escolha a sua loja favorita: Adquira já o seu livro PDF na Amazon, Magazine ou Shopee.

Nossa Avaliação

2.5/5

Escrita
3.0/5
Ritmo
2.5/5
Originalidade
3.0/5
Recepcao
1.5/5

A prosa de Lobato é clara e direta, mas pende pro didático e não confia no leitor pra descobrir as coisas sozinho, o que pesa no ritmo. A originalidade está na ousadia de apostar em ficção científica brasileira em 1926, mas o conteúdo eugenista e racista, exposto sem camadas de crítica, torna a recepção contemporânea majoritariamente negativa.


Como avaliamos os livros?
COMPRE COM SEGURANÇA

Adquira agora o seu livro "O Presidente Negro" mais barato nos links seguros abaixo. Você ajuda nosso site (podemos receber uma comissão pela sua compra) e não paga a mais por isso!


Informações Extras

Ordem da Série: 1


Perguntas frequentes

O que é O Presidente Negro?

É um romance de ficção futurista de Monteiro Lobato, publicado em 1926, que imagina uma eleição presidencial americana entre um candidato negro e um branco, com forte carga de ideias eugenistas e racistas.

Quantas páginas tem O Presidente Negro?

A edição tem 227 páginas.

O Presidente Negro faz parte de alguma série?

Não, é um romance isolado, o único que Monteiro Lobato escreveu para público adulto no gênero de ficção científica.

O Presidente Negro é um livro controverso?

Sim, e muito. O livro defende abertamente a superioridade da raça ariana e propõe soluções eugenistas como esterilização e despigmentação de negros, o que o torna difícil de ler hoje sem um olhar crítico forte.

Para quem é indicado O Presidente Negro?

Pra quem estuda Monteiro Lobato ou a história do pensamento racial no Brasil e quer ler a fonte primária. Não é leitura de entretenimento, e o conteúdo racista exposto sem ironia pode ser genuinely desagradável.

Livro PDF "O Presidente Negro"

Encontre o seu exemplar em um dos links abaixo e boa leitura! Diga não à pirataria, valorize quem escreve.

Compartilhar

DISCLAIMER: Para a escrita deste post, consultamos algumas fontes externas [1][2][3][4][5]. Este site não é afiliado nem se responsabiliza pelas informações de terceiros.

Livros Relacionados

Atualizado em 16/08/2026

voltar ao topo