Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a
**Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a**, de Dias Gomes, é um livro de contos que adapta episódios da série de TV homônima, explorando com humor e crítica social o cotidiano de uma pequena cidade brasileira e seus personagens marcantes, como Odorico Paraguaçu. A obra faz parte da Trilogia Odorico Paraguaçu e se sustenta como literatura independente, mesmo tendo nascido da televisão.
por Dias Gomes
Sinopse
Sinopse da editora
Dias Gomes desentranhou da peça O bemamado uma novela de televisão de amplo êxito e, a seguir, um seriado de TV, também de vasta repercussão popular. Agora, desta gesta eletrônica, selecionou sete divertidíssimos episódios que narram as "venturas e desventuras de Zeca Diabo e sua gente nas terras de Odorico Paraguaçu". Sucupira é o Brasil visto pelo lado contrário do binóculo. Não para amesquinhar a visão, mas, apenas, para transformar um imenso universo num minutinho, num microcosmo, onde cabem, reduzidas, miniaturizadas, mas nem por isso escamoteadas, as mazelas, imposturas, maroteiras, malandragens, enfim, a comédia do mundo maior: este país de propalado progresso e escondidas misérias. Nas alegres histórias deste livro, está um território antes verdadeiro do que imaginário. É que Dias Gomes parte de fatos, de acontecimentos, para, em seguida, filtrandoos através da mente criadora, transpôlos para o plano da ficção. E o faz de tal modo que se chega a pensar que esses mesmos fatos e acontecimento sempre foram ficções. Nada mais do que toscas ficções à espera de quem lhes infundisse dignidade artística. Coisa que o teatrólogo baiano realiza com esplêndida competência. O real e o imaginário entram em estreito conúbio, e Sucupira mais a sua gente passam a pertencer à literatura. Dias Gomes cultiva nas suas narrativas desenvolto humor. Mas ao feitio brasileiro. Isto é, de forma folgazã, de gozação e galhofa. Para, através do ridículo e do farsesco, dessacralizar mitos, posturas e comportamentos. Mário da Silva Brito
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Resenha: vale a pena ler Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a, de Dias Gomes?
O livro nasceu de um programa de televisão que fez sucesso nos anos 1980, mas não se deixe enganar pela origem eletrônica. Dias Gomes pegou sete episódios da série, filtrou na mente criadora e entregou uma obra que se sustenta como literatura de verdade. Não é transcrição de roteiro, é recriação.
A história gira em torno de Sucupira, cidade fictícia do interior brasileiro onde Zeca Diabo e Odorico Paraguaçu protagonizam aventuras e desventuras que parecem tiradas do noticiário local de qualquer município do país. A gente ri, mas reconhece cada figura: o político demagogo, o matador de aluguel com código de honra, o povo que acredita em tudo e desconfia de tudo ao mesmo tempo.
Do programa de TV ao livro: a origem da tralha
A obra faz parte da Trilogia Odorico Paraguaçu, que inclui também a peça O Bem-Amado e o livro de contos Odorico na Cabeça. Dias Gomes não inventou Sucupira do zero: partiu de fatos reais, acontecimentos verídicos, e os transpôs para o plano da ficção com tal competência que a gente termina pensando que esses fatos sempre foram invenção.
É o inverso do que normalmente acontece. Em vez de ficção virando realidade, é a realidade tosca do Brasil sendo infundida de dignidade artística. O autor baiano pega a maroteira, a impostura, a malandragem do dia a dia e transforma em comédia de qualidade.
O Brasil de cabeça pra baixo: enredo e personagens
Sucupira é o país visto pelo lado contrário do binóculo. Não para amesquinhar a visão, mas para transformar um universo imenso num microcosmo onde cabem, miniaturizadas, todas as mazelas nacionais. O progresso propalado e as misérias escondidas cabem inteiras numa cidadezinha de interior.
Os sete contos selecionados não seguem trama linear. São recortes, flagrantes, situações que se acumulam e formam um retrato. Odorico Paraguaçu, o prefeito que fala difícil e não diz nada, é a encarnação perfeita da demagogia brasileira. Zeca Diabo, o pistoleiro com seus códigos, mistura violência e honra num cocktail tipicamente nacional.
O real e o imaginário entram em conúbio tão estreito que Sucupira e sua gente passam a pertencer à literatura. Não é mais só TV, não é só teatro: é ficção que se sustenta sozinha.
Humor como arma política: os temas do livro
A crítica social e política é o motor de tudo. Dias Gomes usa o humor, a farsa, o ridículo para dessacralizar mitos e comportamentos. Não é humor leve, inofensivo: é humor que corta, que expõe, que faz a gente rir com vergonha.
A obra mostra como a realidade supera a ficção, como eventos aparentemente absurdos são espelho fiel do cotidiano brasileiro. O autor convida a olhar para o país com atenção e ironia, sem ilusão de grandeza nem pessimismo paralisante.
É literatura de entretenimento que faz pensar, mas sem ser panfletária. A mensagem está embutida na gozação, na galhofa, no jeito folgazão de contar. Você ri do Odorico, mas reconhece o prefeito da sua cidade.
A prosa de Dias Gomes: leveza que engana
A escrita de Dias Gomes é desenvolto humor brasileiro, no sentido mais nobre do termo. Prosa fluida, direta, que prioriza narrativa e construção de personagens. Não há floreio desnecessário, mas também não há pobreza estilística.
O autor transforma o cotidiano em literatura sem perder autenticidade. Cada frase parece dita por alguém que conhece o assunto de dentro, que viveu aquilo, que ouviu aquela conversa de botequim e guardou na memória.
A leitura flui rápido, as 175 páginas passam sem peso. Mas não se engane pela leveza: por baixo da galhofa há observação afiada do comportamento humano e das estruturas de poder.
Para quem é essa leitura (e quem deve passar longe)
O livro serve para quem gosta de literatura brasileira com crítica social e bom humor. Se você já conhece a obra de Dias Gomes, vai reencontrar elementos familiares e personagens icônicos. Se nunca leu nada do autor, é porta de entrada acessível e divertida.
Não é a melhor opção para quem busca narrativa densa ou drama pesado. Se você espera romance psicológico profundo ou experimentação formal, pule fora. Essa leitura é para quem quer se divertir e refletir sobre o Brasil de jeito descontraído, reconhecendo cada malandragem na própria cidade.
Vale a pena ler Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a?
Vale a pena ler Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a se você quer rir do Brasil reconhecendo cada malandragem na sua própria cidade. O livro transforma a televisão em literatura sem perder o humor afiado, e termina funcionando como espelho cômico de um país que se leva muito a sério mas é pura farsa.
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Nossa Avaliação
4.0/5
Dias Gomes demonstra prosa fluida e humor afiado, transformando episódios de televisão em literatura que se sustenta sozinha. A crítica social embutida na farsa expõe demagogia e malandragem brasileira com competência, mantendo o leitor entretido e reflexivo. A leveza da escrita não esconde a observação afiada do comportamento humano.
Como avaliamos os livros?
Informações Extras
Série: Trilogia Odorico Paraguaqu (ou Trilogia de Odorico Paraguaqu) (Volume 2)
Adaptações
- Sucupira (serie de tv (episodios transformados em contos publicados no livro, nao adaptacao do livro para serie), 1980)
Perguntas frequentes
Do que se trata o livro Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a?
O livro reúne sete contos adaptados de episódios da série de TV, apresentando um microcosmo do Brasil interiorano com crítica social e humor através das aventuras de Zeca Diabo e Odorico Paraguaçu em Sucupira.
Quantas páginas tem Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a?
O livro tem 175 páginas.
Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a faz parte de alguma série de livros?
Sim, faz parte da Trilogia Odorico Paraguaçu, que inclui também a peça O Bem-Amado e o livro de contos Odorico na Cabeça.
Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a tem alguma adaptação?
Os contos foram baseados em episódios da série de TV Sucupira, exibida pela Rede Globo entre 1980 e 1984, e não o contrário.
Para quem é indicado o livro Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a?
Para quem gosta de literatura brasileira com crítica social e bom humor, ideal para quem quer refletir sobre o Brasil de forma descontraída, reconhecendo cada malandragem na própria cidade.
Livro PDF "Sucupira: Ame-a Ou Deixe-a"
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Atualizado em 16/08/2026