13 Contos de Machado de Assis
13 Contos de Machado de Assis, da editora wohnrecht, reúne textos escritos entre 1860 e 1873 e comprova que o olhar clínico e a ironia do autor já estavam inteiros na juventude. A coletânea traz narrativas como Miss Dollar e A mulher de preto, e funciona como uma janela para a formação do gênio da literatura brasileira.
por Machado de Assis
Sinopse
Sinopse da editora
"13 Contos" reúne textos escritos entre 1860 e 1873 e que constituem amostra preciosa do gênio literário de Machado e de sua acurada capacidade de descrever os sentimentos e peculiaridades da alma humana. Estão no volume: Miss Dollar, Luís Soares, A mulher de preto, O segredo de Augusta, Confissões de uma viúva moça, Linha reta e linha curva, A parasita azul, Aurora sem dia e O relógio de ouro, entre outros.
Resenha: 13 Contos de Machado de Assis, o Machado da juventude já era gênio?
Muita gente repete que Machado de Assis só virou Machado de Assis depois dos quarenta, quando publicou as grandes obras. 13 Contos de Machado de Assis derruba essa ideia rapidinho: o olhar clínico, a ironia que corta sem alarde e a capacidade de dissecar a alma humana já estavam lá, afiados, nos textos que ele escreveu entre 1860 e 1873.
Esta coletânea da editora Wohnrecht reúne justamente esses primeiros contos, e mostra que o gênio não precisou esperar a maturidade para aparecer.
O que você encontra nesses treze contos
São histórias independentes, publicadas originalmente em jornais e revistas do Rio de Janeiro. O formato é curto porque o leitor da época queria uma narrativa que coubesse no intervalo do café, e Machado de Assis usava essa restrição para concentrar o veneno. O volume 13 Contos de Machado de Assis reúne narrativas que giram em torno de desencontros afetivos, segredos mal guardados ou confissões que nunca se completam.
Personagens como Miss Dollar, Luís Soares e a viúva de “Confissões de uma viúva moça” são figuras comuns da sociedade carioca, mas sob a lupa do autor revelam suas pequenas mesquinharias com precisão quase cirúrgica. Não há heróis nem vilões; há gente comum tentando manter as aparências enquanto o narrador anota tudo com um meio sorriso.
A hipocrisia social em close
O tema central é a observação das fraquezas humanas. Machado examina o fingimento educado, o orgulho bobo e a dificuldade de dizer a verdade quando ela ameaça o status. Ler esses contos é como folhear um álbum de fotografias do século XIX: as poses são estudadas, os sorrisos escondem segredos, e o fotógrafo nunca sorri junto.
Casamentos por conveniência, viúvas que fingem luto, casais que se desentendem por orgulho, Machado não julga, mas também não perdoa. A ironia já aparece, mas não como piada; é um comentário lateral que expõe o autoengano sem gritar. Questões de classe e raça, tão fortes nos romances posteriores, ainda não ocupam o centro, mas o olhar para as relações de poder já está ali, discreto.
A ironia que mora nas entrelinhas
A prosa desses contos é controlada, quase lenta. Machado não descreve muito; ele sugere, e o leitor precisa completar. O humor não está nas frases, mas no silêncio entre elas. É como assistir a um mágico que não revela o truque: você sabe que há algo ali, mas a graça está em não ver a cartola.
Os diálogos são cheios de meias-verdades e rodeios, e o narrador, mesmo jovem, já sabe que o que não é dito pesa mais do que o texto. Quem lê com pressa pode perder a ironia e achar os contos apenas mornos.
O leitor certo para essa coletânea
- Vá fundo se você quer conhecer o Machado de Assis anterior à fama, sem ler pilhas de textos. Estudantes de literatura brasileira encontram aqui material farto para entender como o autor lapidou sua voz. Se você gosta de observar personagens em close, sem necessidade de grandes reviravoltas, essa coletânea de contos brasileiros do século XIX vai te prender.
- Fique longe se você prefere narrativas com ritmo acelerado, ação ou desfechos emocionantes. A quietude dessas histórias pode soar monótona para quem busca adrenalina. Aqui, o prazer está na sutileza do comentário, não no impacto da cena.
Veredito: 13 Contos de Machado de Assis
Vale a pena, com ressalvas. 13 Contos de Machado de Assis é uma janela para os exercícios de juventude de um escritor que já demonstrava controle absoluto da observação psicológica. A ressalva fica por conta da edição: como o título “13 Contos” é genérico, a seleção varia e nem sempre respeita a ordem original das publicações.
Ainda assim, é uma porta de entrada honesta para quem quer ver o gênio em formação, desde que você aceite o ritmo mais lento e a ausência de grandes clímax.
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Nossa Avaliação
4.4/5
A prosa é precisa e a ironia, afiada. O ritmo, porém, reflete a cadência do século XIX: lento, sem pressa de chegar a um clímax. Isso pode desanimar quem busca ação, mas não é falha de escrita, é característica do período. Os contos são exercícios de observação psicológica, e a nota de ritmo reflete essa calma.
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Informações Extras
Série: Não faz parte de uma série ou saga; é uma coletânea de contos independentes publicados originalmente em revistas e jornais do final do século XIX. O número '13' refere-se apenas à quantidade de contos selecionados em edições específicas, não a uma ordem de leitura obrigatória.
Perguntas frequentes
Do que trata 13 Contos de Machado de Assis?
É uma coletânea da editora wohnrecht com treze contos escritos entre 1860 e 1873. As histórias focam na observação psicológica de fraquezas humanas, desencontros afetivos e na hipocrisia social, com a ironia característica de Machado de Assis.
Os contos seguem uma ordem de leitura?
Não. São narrativas independentes, publicadas originalmente em periódicos. O número 13 indica apenas a quantidade de contos, sem qualquer ligação entre eles.
É uma boa porta de entrada para a obra de Machado de Assis?
Sim, especialmente para quem quer conhecer o autor sem encarar um romance longo. Mas se você busca ação ou desfechos emocionantes, pode achar esses contos quietos demais.
Como é a escrita desses contos?
A prosa é controlada e irônica. O humor aparece nas entrelinhas, nos silêncios e nos comentários laterais do narrador. Exige atenção, porque o que não é dito costuma pesar mais do que o texto.
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Atualizado em 09/08/2026