Só para Mulheres
Só para Mulheres, de Clarice Lispector, reúne textos que a autora escreveu para colunas femininas de jornais nas décadas de 1950 e 1960 sob os pseudônimos Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares. O livro aborda beleza, amor, maternidade e vida doméstica, mostrando um lado mais leve e cotidiano da escritora.
Sinopse
Sinopse da editora
Um convite ao leitor a descobrir um aspecto pouco conhecido e surpreendente de Clarice Lispector. Usando pseudônimos, ela escrevia para colunas femininas de periódicos famosos: Tereza Quadros no Comício, Helen Palmer no Correio da Manhã e Ilka Soares no Diário da Noite. Através delas, Clarice abordou questões relacionadas a beleza, amor, maternidade e vida doméstica. Neste livro divertido e prático, um verdadeiro almanaque das décadas de 1950 e 1960, a escritora nos mostra que, apesar das conquistas da mulher, a essência feminina permanece a mesma, em qualquer época. Dando prosseguimento ao resgate da obra jornalística de Clarice Lispector, Só para mulheres – Conselhos, receitas e segredos, organizado por Aparecida Maria Nunes, doutora em literatura brasileira pela USP, recupera as colunas femininas assinadas pela escritora sob os pseudônimos de Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares, complementando a seleção reunida no livro Correio feminino, lançado pela Rocco em 2006. Os textos possuem a elegância característica de Clarice e convidam o leitor para uma viagem no tempo em que se desenha, na forma de um variado almanaque, o rosto da mulher brasileira dos anos 50 e 60.
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Resenha: vale a pena ler Só para Mulheres, de Clarice Lispector?
Você chegou aqui provavelmente porque gosta de Clarice Lispector e quer saber se esse livro é mais um daqueles achados escondidos da autora. Talvez tenha ouvido falar que ela escrevia para jornal sob nome falso e ficou curioso. Sim, é verdade, e o livro resolve essa curiosidade. Mas já avisa: não espere a Clarice que escreveu A Hora da Estrela ou Perto do Coração Selvagem.
Só para Mulheres é uma coletânea organizada por Aparecida Maria Nunes que reúne textos de Clarice Lispector publicados em colunas femininas de jornais nas décadas de 1950 e 1960. A autora assinava com três pseudônimos diferentes: Tereza Quadros no Comício, Helen Palmer no Correio da Manhã e Ilka Soares no Diário da Noite. O livro complementa a seleção que já saiu no volume Correio feminino, da mesma editora.
Clarice de batina e avental: o que tem no livro
A obra funciona como um almanaque da mulher brasileira dos anos 50 e 60. Em vez de reflexões existenciais, você encontra conselhos de beleza, dicas de amor, observações sobre maternidade e segredos de vida doméstica. É como abrir uma gaveta de cozinha de meados do século XX: tem receita, tem remédio caseiro, tem anotação de bordo do caderno.
Clarice Lispector escrevia para um público que comprava jornal para ler coluna social e dica de moda. Ela se adaptou a esse formato com naturalidade. Os textos são curtos, diretos, muitas vezes em tom de conselho ou desabafo leve. A organização de Aparecida Maria Nunes, doutora em literatura pela USP, recupera esse material e ajuda a entender como a autora transitava entre o literário e o jornalístico sem perder o estilo.
O retrato da mulher nos anos 50 e 60
O tema central do livro é a mulher do dia a dia. Clarice fala de coisas práticas: como cuidar do cabelo, como lidar com o marido, como organizar a casa, como ser mãe sem se perder. O livro mostra que, apesar das conquistas femininas ao longo do tempo, a essência de muitas angústias continua parecida.
É curioso ver como a autora, mesmo escrevendo para um gênero considerado menor, consegue imprimir sua visão sobre o papel da mulher na sociedade. Ela não questiona o sistema de forma explícita, mas suas colunas deixam transparecer uma inquietação. Quem procura livros sobre a mulher brasileira no século XX vai achar aqui um documento vivo, sem o filtro da retrospectiva acadêmica.
A escrita de Clarice em tom de coluna de jornal
A prosa de Clarice Lispector, mesmo nesse registro mais leve, mantém a elegância e a observação aguda. Ela não escrevia igual a uma colunista qualquer: há sempre uma frase que escapa do lugar-comum e soa como ela. O problema é que o formato cobra seu preço. Os textos se repetem no tom, o ritmo é homogêneo e, em 403 páginas, a leitura pode cansar quem espera variação.
Não é o lugar de procurar a profundidade filosófica dos romances. É Clarice de trabalho: profissional, ágil, cumprindo o prazo da coluna. A genialidade aparece em flashes, não em blocos longos de reflexão.
Para quem serve (e para quem não serve)
- Vai gostar se: você já leu Clarice Lispector e quer ver como ela se saía em um formato de consumo rápido. Também serve para quem se interessa por história da mulher no Brasil e cultura das décadas de 1950 e 1960.
- Passe longe se: você quer começar a ler a autora por aqui. Comece por A Hora da Estrela ou Felicidade Clandestina. Este é um livro para quem já tem o repertório e quer completar o quebra-cabeça.
Veredito
Vale a pena, com ressalva: é uma leitura para quem já conhece e admira Clarice Lispector e quer ver a escritora desmontar a máquina literária para falar de dia a dia. O livro não vai te mudar a vida, mas vai te mostrar que a autora conseguia escrever sobre batom e marido com a mesma inteligência com que escrevia sobre a solidão. Se você caiu de paraquedas em Clarice, feche este e vá para os romances. Se já é fã, leve.
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Nossa Avaliação
3.4/5
A prosa de Clarice Lispector mantém elegância e observação aguda mesmo em um registro de coluna de jornal, o que sustenta a leitura. O ritmo, porém, é homogêneo e pode cansar ao longo de 403 páginas, já que os textos se repetem no tom. É um documento valioso da versatilidade da autora e da sociedade da época, mas não tem a profundidade filosófica de seus romances.
Como avaliamos os livros?
Perguntas frequentes
Do que se trata o livro Só para Mulheres, da Clarice Lispector?
É uma coletânea de textos que Clarice Lispector escreveu para colunas femininas de jornais nas décadas de 1950 e 1960 sob os pseudônimos Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares, abordando temas como beleza, amor, maternidade e vida doméstica.
Quantas páginas tem o livro Só para Mulheres?
O livro tem 403 páginas.
Para quem é indicado o livro Só para Mulheres?
É indicado para fãs de Clarice Lispector que querem conhecer um lado diferente da autora e para quem se interessa pela história da mulher no Brasil e pela cultura das décadas de 1950 e 1960.
O livro Só para Mulheres é bom para quem está começando a ler Clarice Lispector?
Não é o livro ideal para começar a ler a autora se a intenção é mergulhar em sua ficção mais densa, como A Hora da Estrela ou Perto do Coração Selvagem.
Livro PDF "Só para Mulheres"
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Atualizado em 22/08/2026