A Modernidade e Suas Lutas Civilizatórias
A Modernidade e Suas Lutas Civilizatórias, de Edilene Leal, é um ensaio crítico que recusa as teorias de racionalização como centro da modernidade e estende a crítica ao relativismo pós-moderno. A obra reúne pensadores como Weber, Foucault e Gilberto Freyre para sustentar que toda prática social é atravessada por relações de poder.
por Edilene Leal
Sinopse
Sinopse da editora
A Modernidade e suas lutas civilizatórias é fruto de uma audaciosa empreitada para apreender possibilidades efetivas de práticas civilizatórias nas sociedades atuais. Antes de tudo, cabe esclarecer que este não é um livro que interpreta tais sociedades como resultado de um longo processo evolutivo de racionalização de suas instituições, de suas condutas individuais e de suas experiências práticas. Pelo contrário! O que temos aqui é uma crítica incisiva sobre as teorias sociais que colocam a racionalidade como elemento central da modernidade ao qual todos os outros são submissos. A autora é categórica em afirmar que não há, nessas teorias, uma concepção cientificamente válida de civilização. Por outro lado, veremos que sua crítica estendese também à própria recusa pósmoderna das "pretensões universalistas da racionalidade", a exemplo do relativismo, refém de paradoxos e conflitos em si mesmos irresolvíveis. Na articulação das hipóteses transitantes nesta jornada críticoanalítica, a autora arremata com o entendimento de que todas as práticas (não apenas as civilizatórias) são perpassadas e alicerçadas por relações de poder. O íngreme percurso argumentativo escolhido pela autora reúne uma miríade de importantes pensadores – de Weber, Adorno, Arendt, Freud, Elias, passando por Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, até Foucault e Latour –, que se voltaram para a análise do processo de formação da modernidade civilizacional.
Resenha: vale a pena ler A Modernidade e Suas Lutas Civilizatórias, de Edilene Leal?
Você está aqui porque ouviu falar de um livro que promete repensar a modernidade sem cair nos clichês de sempre, certo? Talvez esteja cansado do discurso pronto de que "tudo é racionalização" ou do relativismo que diz que "cada um tem sua verdade". Se esse é o seu caso, A Modernidade e Suas Lutas Civilizatórias, de Edilene Leal, pode ser exatamente o que você procura, desde que esteja disposto a suar. Não é um livro para quem quer respostas fáceis, mas para quem topa um debate de alto nível.
Por que a autora não engole a racionalidade como explicação do mundo
Edilene Leal começa jogando uma bomba no centro do debate: a modernidade não é, e nunca foi, o resultado de um processo evolutivo de racionalização. Ela não está interessada em contar a história da civilização como uma linha reta que começa em Weber e termina na burocracia. Pelo contrário, a autora faz uma crítica incisiva às teorias que colocam a racionalidade como o motor único de tudo. Para ela, isso é um mito, e um mito que serve a certos interesses. O livro não é um elogio da modernidade, mas uma autópsia das ideias que a sustentam.
O passeio pelos autores: de Weber a Gilberto Freyre, sem ser guia turístico
O que poderia ser um desfile de citações se transforma em um ringue de luta livre. Edilene Leal convoca Weber, Adorno, Arendt, Freud, Elias, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Foucault e Latour, mas não para um sarau. Cada um deles é colocado à prova, e a autora mostra como as tradições que celebram a racionalidade e as que a rejeitam compartilham fragilidades. A presença de pensadores brasileiros como Sérgio Buarque e Gilberto Freyre não é enfeite: eles servem para mostrar como a modernidade se manifesta em contextos periféricos, onde nunca se completou nos moldes europeus. É um toque que foge do eurocentrismo e dá ao livro um sabor local.
O que o livro ataca (e por que o relativismo também leva porrada)
Se você espera que Edilene Leal abrace o relativismo como alternativa, prepare-se para se surpreender. Ela não poupa nem a turma do "cada um tem sua verdade". Para a autora, o relativismo é refém de paradoxos internos que ele mesmo não consegue resolver. O livro não fica em cima do muro: critica tanto o otimismo evolutivo da racionalidade quanto o niilismo paralisante do pós-modernismo. A conclusão é que toda prática, civilizatória ou não, é alicerçada por relações de poder. Não é um beco sem saída, mas um convite para pensar a civilização sem idealizações.
O estilo da autora: erudição que exige bagagem
A escrita de Edilene Leal é densa, rigorosa e não faz concessões. O vocabulário é o das ciências sociais, e ela não perde tempo explicando conceitos básicos. Cada capítulo funciona como um nó em uma rede de pensadores, e não como uma exposição didática. Se você está começando agora na sociologia, pode se sentir como quem entra numa conversa de bar entre acadêmicos, só que sem cerveja para aliviar a tensão. O livro exige familiaridade com os autores citados; caso contrário, você vai se perder no percurso argumentativo íngreme. A recompensa, para quem tem bagagem, é uma análise que não faz concessões.
Para quem serve (e para quem não serve) esse calhamaço de 345 páginas
- Quem já está na pós-graduação ou na pesquisa em sociologia, ciência política e áreas afins: vai encontrar um debate sofisticado e uma posição clara que foge dos meio-termos vagos.
- Quem estuda teoria crítica e pensamento brasileiro: a presença de Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre adiciona uma dimensão local que enriquece a análise.
- Quem quer uma introdução básica à modernidade e busca um panorama geral sem esforço: pode pular fora. O livro não é um manual de instruções, é um mapa de guerra, e exige paciência e repertório.
Veredito: vale a pena ler A Modernidade e Suas Lutas Civilizatórias?
Vale a pena, mas com um alerta: não é leitura para qualquer hora, e sim para quem já tem estômago para teoria social pesada. A Modernidade e Suas Lutas Civilizatórias entrega uma crítica que não poupa ninguém, nem os clássicos nem os pós-modernos, e oferece uma perspectiva que dificilmente se encontra em manuais ou obras de divulgação. O preço a pagar é a acessibilidade: a ausência de mediação para leitores de fora da academia limita o alcance. Ainda assim, o ensaio questiona de maneira consistente o que chamamos de civilização com base em poder, e não em progresso. Se você topa o desafio, o livro incomoda, e talvez seja exatamente isso que o torna necessário.
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Nossa Avaliação
3.1/5
A autora constrói argumento denso e pouco convencional com prosa rigorosa e originalidade na recusa tanto da racionalidade quanto do relativismo. O ritmo é irregular por exigir familiaridade prévia com o vocabulário acadêmico, o que limita o engajamento fora da audiência especializada. A obra dialoga com um público altamente especializado, o que naturalmente restringe sua circulação e impacto fora da academia.
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Perguntas frequentes
Sobre o que é o livro a modernidade e suas lutas civilizatórias da edilene leal
É um ensaio de 345 páginas que recusa a ideia de modernidade como evolução racional e discute o poder como base das práticas sociais.
Quantas paginas tem a modernidade e suas lutas civilizatorias
O livro tem 345 páginas.
A modernidade e suas lutas civilizatorias e indicado para iniciantes
Não, a obra é indicada para pesquisadores e pós-graduandos e exige familiaridade prévia com as ciências sociais.
Quem escreveu a modernidade e suas lutas civilizatorias e qual editora
Foi escrito por Edilene Leal e publicado pela Editora Appris.
Livro PDF "A Modernidade e Suas Lutas Civilizatórias"
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Atualizado em 22/08/2026