As Melhores do Analista de Bagé

As Melhores do Analista de Bagé

**As Melhores do Analista de Bagé**, de Luis Fernando Verissimo, é uma coletânea de tirinhas em que um psicanalista gaúcho trata frigidez, ejaculação precoce e complexo de Édipo com respostas absurdas e politicamente incorretas. A obra reúne 79 histórias publicadas originalmente na Playboy entre 1983 e 1990, ilustradas por Edgar Vasques. O livro funciona como registro do humor ácido que consolidou o autor, mas exige boa vontade com o tom datado.

por Luis Fernando Verissimo

4.5/5
Editora: Objetiva

Sinopse

Sinopse da editora

Personagem célebre de Luis Fernando Verissimo, o Analista de Bagé está de volta à cena, num livro que reúne histórias deliciosas deste clássico do humor brasileiro. Nas histórias, ilustradas por Edgar Vasques, este analista controverso e politicamente incorreto trata de traumas comuns a todos nós frigidez feminina, ninfomania, ejaculação precoce, complexo de Édipo, rejeição, ciúme ou inveja com respostas rápidas e inesperadas. As tirinhas selecionadas para esta edição foram publicadas originalmente na revista Playboy, da Editora Abril, entre junho de 1983 e outubro de 1990, com exceção de "Papai fresco" (inédita), e "Meu divã é todo seu", publicada na revista Superinteressante, da editora Abril, em setembro de 1987.


Resenha: vale a pena ler As Melhores do Analista de Bagé, de Luis Fernando Verissimo?

A pergunta que o livro não faz, mas obriga você a se fazer, é: até onde o humor pode ir sem pedir licença? O Analista de Bagé não pede. Ele senta no divã, tira o paletó e responde cada trauma como se fosse um golpe de muay thai. A obra reúne 79 tirinhas do personagem mais politicamente incorreto da crônica brasileira.

As histórias foram publicadas originalmente na revista Playboy entre junho de 1983 e outubro de 1990. Duas delas são exceção: a inédita "Papai fresco" e "Meu divã é todo seu", que apareceu na Superinteressante em 1987. A edição de 2007, da Objetiva, selecionou o melhor da dupla Luis Fernando Verissimo e Edgar Vasques.

Psicanalista machão que dá consulta em três quadros

Não há narrativa contínua. Cada tirinha funciona como uma consulta-relâmpago: chega um paciente, despeja uma queixa (frigidez, ninfomania, ejaculação precoce, ciúme, rejeição) e o analista resolve o caso na hora, com grosseria calculada e um pouco de jargão freudiano.

A graça nasce do descompasso. Você espera uma escuta cuidadosa e recebe um diagnóstico de mesa de bar. O personagem é uma paródia fixa: o machão gaúcho que trata trauma como bobagem de quem não tem o que fazer. O formato é curto, feito para o jornal, e o ritmo depende do contraste entre o setting de consultório e a brutalidade da resposta.

O que o sexo, a psicanálise e o absurdo têm em comum

O eixo do livro é a psicanálise trivializada. Frigidez vira piada. Complexo de Édipo vira motivo para o analista mandar o paciente parar de frescura. O livro usa o vocabulário de Freud para desarmar o leitor e entregar um chiste terra a terra.

A incorreção política é a ferramenta principal. Cada tira expõe preconceitos e lugares-comuns sem pedir licença. O personagem opera como aquele amigo que corta a fila do consultório e já sai resolvido na calçada, sem esperar a sessão começar. Em 2025, o tom soa datado: o que em 1983 era provocativo hoje pode soar áspero demais, especialmente em temas de gênero e sexualidade. Mas o livro não se propõe a ser sensível. Ele quer ser um soco no estômago, e cumpre.

A dupla Verissimo e Vasques: piada que cabe num quadrinho

A escrita de Verissimo é enxuta, pensada para o quadrinho. Nada de desenvolvimento de personagem ou descrições longas. Cada tirinha tem um gancho final, e a economia de palavras é o que faz o formato funcionar. Não espere frases que poderiam sair de uma crônica: aqui o texto é martelado para caber em duas ou três falas.

Edgar Vasques reforça o absurdo com o traço. O olho arregalado do paciente, a expressão debochada do analista, o cenário reduzido a um divã e uma parede. A parceria é o que dá identidade à página. O leitor não compra só o texto, compra o desenho, e a soma dos dois é maior que a parte isolada.

Entre de cabeça se / Passe longe se

  • Entre de cabeça se você tem estômago para humor que não pede licença, gosta de tirinha de jornal dos anos 80 e quer um passatempo de vinte minutos que não exige concentração. Cada tira é independente, dá para ler no sofá, na fila, no intervalo entre uma coisa e outra.
  • Passe longe se você busca abordagem respeitosa sobre saúde mental, se ofende com facilidade com piada sobre Freud, sexo e relacionamento, ou prefere um livro que se leve a sério. Aqui o consultório é palco de chiste e o paciente é sempre o bobo da vez.

Vale a pena? Só se você entrar na brincadeira

Vale, desde que você entre no jogo. As Melhores do Analista de Bagé é um livro de humor datado, sem filtro e sem vergonha de ser superficial. O custo é baixo: 79 tiras, leitura de meia hora, nenhuma exigência intelectual. O retorno é uma risada que pode vir acompanhada de um desconforto. Para quem cresceu lendo Verissimo no jornal, a coletânea funciona como um reencontro com o personagem que consolidou o nome do autor. Para quem nunca ouviu falar do gaúcho de divã, serve como amostra de um humor que já foi provocativo e hoje é só um retrato da época. Nenhum dos dois vai sair frustrado. Mas também não vai sair transformado.

Se você quer um livro que te desafie, procure outro. Se quer passar vinte minutos rindo de uma piada que você não contaria em voz alta no trabalho, senta no divã.

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Nossa Avaliação

4.5/5

Escrita
4.5/5
Originalidade
4.5/5
Recepcao
4.5/5
Ritmo
4.0/5

As Melhores do Analista de Bagé entrega humor ácido e bem construído no formato de tirinha, com texto enxuto e ilustração precisa de Edgar Vasques. O personagem é original e a fórmula se provou duradoura. Só perde um ponto porque o tom politicamente incorreto é datado e pode cansar em bloco.


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Perguntas frequentes

o que é as melhores do analista de bagé

É uma coletânea de tirinhas do Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Verissimo. O livro reúne o material publicado originalmente na Playboy entre 1983 e 1990, mais duas histórias avulsas.

quantas tirinhas tem as melhores do analista de bagé

A edição de 2007 contém 79 histórias independentes, ilustradas por Edgar Vasques. É uma seleção do que a dupla produziu de melhor para a imprensa da época, sem arco narrativo contínuo.

as melhores do analista de bagé é livro de humor

Sim, é humor gráfico de mesa de bar, baseado em consultas rápidas e respostas absurdas. O tom é politicamente incorreto e datado dos anos 80, sem filtro para temas como frigidez, ejaculação precoce e complexo de Édipo.

as melhores do analista de bagé é indicado para quem

Funciona para quem busca humor ácido e rápido, de fácil digestão. Não serve para quem procura abordagem respeitosa sobre saúde mental.

qual a ordem de leitura do analista de bagé

Esta coletânea é uma porta de entrada opcional. A ordem cronológica é começar pelas crônicas originais de 1981, seguidas das edições em quadrinhos até 1992, e finalmente este livro de 2007.

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Atualizado em 17/08/2026

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