Política

Política

Política, de José de Alencar, compila crônicas do século XIX que dissecam o fisiologismo e as mazelas da gestão pública com uma clareza que ecoa até hoje, em apenas 23 páginas.

por José de Alencar

3.8/5
Editora: Pop Stories
Páginas: 23
Série: Não faz parte de uma série ou saga literária; trata-se de um conjunto de obras políticas e cartas dispersas, não de um livro único com título 'Política' dentro de uma saga.

Sinopse

Sinopse da editora

"Em vez de examinaremse as necessidades do país, examinamse as necessidades deste ou daquele indivíduo, nomeiamno para um bom emprego criado sem utilidade pública, e o país se incumbe de alimentálo por uma boa porção de anos." Eis o tom da crítica à política – atualíssima! – nessa crônica do livro "Ao correr da pena", de José Alencar.


Resenha: vale a pena ler Política, de José de Alencar?

Você está numa reunião de condomínio. A pauta é o conserto do telhado, que está pingando. Mas a discussão descamba para quem vai ocupar o cargo de síndico, para agradar o vizinho influente ou para criar uma taxa extra que beneficia só meia dúzia. Enquanto isso, a goteira continua. José de Alencar descreveu exatamente essa lógica, só que na política nacional do século XIX. Em Política, ele reúne crônicas que mostram como o fisiologismo e o empreguismo não são exclusividade do noticiário de hoje. São marcas de nascença do Estado brasileiro.

A crônica que parece ter sido escrita ontem

O livro não tem enredo, personagens ou reviravoltas. É um conjunto de textos do “Ao correr da pena” e outras fontes, todos dedicados a dissecar a vida pública. Alencar não faz suspense: ele ataca a nomeação de apadrinhados para cargos sem utilidade, a falta de visão de longo prazo e a incapacidade de separar o interesse público do privado. A frase que abre a sinopse é um resumo perfeito: “Em vez de examinarem-se as necessidades do país, examinam-se as necessidades deste ou daquele indivíduo, nomeiam-no para um bom emprego criado sem utilidade pública, e o país se incumbe de alimentá-lo por uma boa porção de anos.” É o retrato do toma-lá-dá-cá que a gente vê repetido em cada escândalo de corrupção.

Como Alencar desmonta o toma-lá-dá-cá

A crítica política de Política não fica no plano das ideias vagas. Alencar vai ao detalhe: compara as economias europeias com a brasileira, discute o trabalho livre versus o escravo e defende a unidade nacional. Ele escrevia em um momento em que o Brasil ainda engatinhava como nação independente, e já alertava que a fragmentação política e econômica enfraqueceria o país. A leitura é como tomar um café forte sem açúcar: revigora, mas não é doce. Em alguns trechos, o autor se mostra conservador e até defensor de uma abolição gradual da escravidão, o que hoje soa indigesto. Mas a força do argumento está na honestidade intelectual: mesmo quando você discorda, percebe que não está lidando com demagogia.

Os temas que ainda doem

Além do empreguismo, Alencar cutuca feridas que continuam abertas: a desigualdade social mascarada de mérito, a tensão entre as regiões do país e a dificuldade de construir um projeto coletivo. Ele escreveu sobre a “alma do Brasil” antes mesmo de o conceito existir. Quem conhece os debates atuais sobre reforma administrativa ou sobre o tamanho do Estado vai encontrar ali ecos perturbadores. Não é exagero: em várias passagens, você se pega conferindo a data da crônica, porque parece um comentário sobre o noticiário da semana passada. Esse é o maior mérito da obra: mostrar que nossos problemas políticos são estruturais, não conjunturais.

Uma escrita que vai direto ao ponto

A prosa de José de Alencar neste livro é o oposto dos romances indianistas que o consagraram. Nada de floreios, nada de adjetivos abundantes. É um texto enxuto, argumentativo, que parece uma conversa séria entre gente grande. A linguagem do século XIX pode exigir uma pausa ou outra para decifrar um termo, mas no geral a clareza das ideias vence a barreira do tempo. O ritmo, porém, é irregular: alguns parágrafos fluem como artigo de opinião moderno; outros se alongam em digressões que podem cansar quem não está acostumado a textos analíticos. É como ouvir um tio rabugento que fala pausadamente, mas nunca perde o fio da meada.

Quem deve ler e quem deve pular

O livro é para quem gosta de história do Brasil, para estudantes de ciências sociais, direito e jornalismo, ou para qualquer um que queira entender por que certos vícios nunca saem de moda. Não é leitura leve, nem promete soluções. Se você procura autoajuda política ou um manual de boas práticas, pode deixar de lado. Mas se topa um texto curto e incisivo, são apenas 23 páginas, que funciona como um espelho nada lisonjeiro do nosso passado-presente, vai encontrar aqui um material precioso.

Vale a pena?

Vale, e muito, se você quer entender por que certos vícios políticos nunca saem de moda. A obra não é extensa, mas concentra argumentos que ajudam a enxergar a política brasileira com mais profundidade. Em menos de meia hora de leitura, você terá um repertório afiado para as próximas discussões de bar ou de grupo de whatsapp. A ressalva fica por conta do ritmo irregular e de algumas posições do autor que podem causar desconforto. Ainda assim, a obra merece um espaço na cabeceira de quem prefere entender o problema a apenas reclamar dele.

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Nossa Avaliação

3.8/5

Escrita
4.0/5
Ritmo
3.0/5
Originalidade
4.0/5
Recepcao
5.0/5

A prosa é enxuta e afiada; o ritmo tropeça em alguns trechos mais datados, mas a análise segue cortante. A obra merece seu lugar na estante de quem busca as origens do nosso debate político.


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Informações Extras

Série: Não faz parte de uma série ou saga literária; trata-se de um conjunto de obras políticas e cartas dispersas, não de um livro único com título 'Política' dentro de uma saga.


Perguntas frequentes

Do que trata Política, de José de Alencar?

Trata-se de uma reunião de crônicas que criticam o empreguismo, a corrupção e a falta de visão de Estado no Brasil do século XIX, com argumentos que soam atuais.

Quantas páginas tem o livro Política?

O livro tem 23 páginas.

Política faz parte de uma série ou saga?

Não. É uma compilação de textos políticos de Alencar, extraídos principalmente de 'Ao correr da pena' e de outras fontes.

Qual a maior curiosidade sobre José de Alencar nessa obra?

Alencar defendia a escravidão gradual, mas ao mesmo tempo propunha reformas constitucionais e criticava o fisiologismo, revelando um pensamento complexo e contraditório para a época.

Para quem o livro é indicado?

Para estudantes de história, direito, ciências sociais e qualquer pessoa interessada em entender como os vícios políticos do Brasil têm raízes profundas.

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Atualizado em 22/08/2026

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