A Saga dos X-men

A Saga dos X-men

A Saga dos X-men, da Marvel Comics pela Panini, resgata histórias inéditas no Brasil da fase de Chris Claremont, com momentos como o duelo entre Tempestade e Callisto, a chegada de Vampira ao time e o casamento de Wolverine. Uma coletânea para colecionadores e fãs saudosos.

por Marvel Comics

3.1/5
Editora: Panini

Sinopse

Sinopse da editora

O roteirista Chris Claremont marcou época na Marvel Comics à frente da linha de títulos mutantes durante um período de 16 anos e a Panini já trouxe muitas dessas histórias para o leitor brasileiro, como A Saga da Fênix Negra e Inferno. Agora, em A Saga dos XMen, você vai poder ler ou reler aventuras dessa grande fase há décadas inéditas por aqui! Acompanhe no primeiro volume momentos inesquecíveis, como o combate mortal entre Tempestade e Callisto, líder da tribo de mutantes renegados Morlocks; a entrada de Vampira para os XMen; o casamento de Wolverine e Mariko; e muito mais!


Resenha: vale a pena ler A Saga dos X-men, da Marvel Comics?

Por que diabos a Panini resolveu trazer ao Brasil, só agora, histórias dos X-Men que os americanos leram em 1983? A resposta não é óbvia para quem nunca topou com uma edição esgotada da Abril.

A Saga dos X-men é um resgate editorial da fase de Chris Claremont que nunca havia chegado por aqui em volume único. O primeiro calhamaço reúne aventuras como o duelo entre Tempestade e Callisto, líder dos Morlocks, a chegada de Vampira ao time e até o casamento do Wolverine – momentos que moldaram os mutantes, mas que estavam presos em scans de fã ou edições avulsas de banca. Para quem cresceu lendo a coleção da Abril, este é o alívio de não precisar mais caçar encadernados raros no Mercado Livre.

O que este primeiro volume entrega de concreto?

Você não vai encontrar uma história linear com começo, meio e fim. O livro funciona como um recorte de episódios avulsos, bem na pegada dos quadrinhos mensais dos anos 1980. A trama principal gira em torno do embate com os Morlocks, mutantes marginalizados que vivem nos esgotos de Nova York. Tempestade e Callisto resolvem a liderança na porrada, como se fosse uma briga de bar na laje por comando de torcida organizada. Enquanto isso, Vampira dá as caras, recém-saída da vilania, com a sutileza de um colega novo que derruba café na sua mesa e ninguém se atreve a reclamar. A cereja do bolo é o casamento de Wolverine com Mariko: imagine seu tio casca-grossa enfiando uma aliança no dedo e tentando ser romântico.

Essas histórias não se preocupam em explicar quem é cada personagem; o leitor que se vire. Os diálogos são longos, os balões de pensamento encharcam as páginas, e o ritmo é o de uma novela das nove – cenas intensas, mas que demoram para avançar. Se você quer ação desenfreada, talvez sinta falta de um botão de fast-forward.

Roteirista de novela das nove, Claremont escreve com o pé no acelerador dos diálogos

Chris Claremont não é um escritor enxuto. Ele faz os mutantes falarem, falarem e falarem, como se cada quadrinho fosse uma sessão de terapia em grupo. A prosa é carregada de emoção, as angústias são expostas sem filtro, e a narração em primeira pessoa dos personagens às vezes compete com a imagem. Para os padrões atuais, isso pode soar datado – mas é exatamente a graça da coisa: a linguagem das HQs da época tinha outra respiração.

A arte, dentro do padrão Marvel dos anos 1980, usa transições de quadro tradicionais e muitos balões de pensamento. Sim, há momentos que parecem lentos, como a fila do almoço no centro de São Paulo: você espera, mas a comida até que vale. Se você cresceu lendo quadrinhos mensais da Panini, vai reconhecer o gosto da nostalgia.

Os mutantes ainda dizem algo para o Brasil de hoje?

A resposta é sim, e não é por acaso. Os Morlocks, por exemplo, são o condomínio clandestino dos mutantes – ninguém quer por perto, a prefeitura quer demolir, mas os moradores resistem. Claremont usa o confronto com os Morlocks para cutucar a ferida de quem a sociedade empurra para a margem, sem dar chance de redenção. A tensão entre o time oficial dos X-Men e esses excluídos vai além do maniqueísmo de heróis contra vilões.

O casamento de Wolverine traz outro tema: lealdade ao grupo em contraste com a busca pessoal. O sujeito tenta ser feliz, mas o mundo mutante não dá folga. Essas situações deixam a HQ menos idealizada do que a média dos super-heróis, e isso explica por que a fase Claremont ainda tem relevância – mesmo com os cabelos armados e as ombreiras datadas.

Para quem serve – e para quem é furada

  • Fã de longa data que já tem a coleção da Abril e quer preencher as lacunas: aqui está o material que faltava, num formato encadernado que finalmente chega ao Brasil.
  • Estudante de cultura pop ou colecionador de quadrinhos clássicos: as histórias são um prato cheio para entender a transição dos mutantes dos anos 70 para os 80.
  • Quem nunca leu X-Men e está começando agora: o recorte episódico e a falta de introdução aos personagens podem transformar a leitura numa maratona confusa. É melhor começar por encadernados mais autocontidos, como Deus Ama, o Homem Mata ou Dias de um Futuro Esquecido.

Veredito: quando a nostalgia segura a leitura, mas não faz milagre

A Saga dos X-men compensa se você já sabe o que está comprando. É um resgate editorial honesto, feito para o fã que se incomodava com as lacunas da coleção brasileira e não se importa com o ritmo mais lento dos anos 1980. Se você está nesse grupo, o investimento vale cada página.

Para o leitor novo, entretanto, a sensação pode ser a de entrar num lugar onde todo mundo se conhece menos você. Os diálogos são antigos, o ritmo é outro, e as piadas internas passam batido. Nesse caso, talvez seja mais negócio começar pelos filmes ou por graphic novels independentes. A leitura não vai te pegar pela mão.

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Nossa Avaliação

3.1/5

Escrita
4.0/5
Originalidade
3.0/5
Recepcao
3.0/5
Ritmo
2.5/5

A prosa de Claremont tem valor histórico e profundidade emocional, mas o ritmo de antologia e os diálogos extensos não agradam a leitores de quadrinhos modernos. O material é um resgate editorial, não uma criação original, e a recepção será forte entre colecionadores, porém limitada para iniciantes.


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Perguntas frequentes

O que é A Saga dos X-men da Panini?

É uma coleção de quadrinhos que republica a fase clássica dos X-Men escrita por Chris Claremont a partir de 1983, trazendo histórias até então inéditas no Brasil em volume único.

Quantos volumes tem a coleção A Saga dos X-men?

Ao todo são 33 volumes, seguindo a numeração das edições americanas originais. O primeiro volume reúne as edições 1, 2 e 3 da série iniciada em 1983.

Qual a ordem de leitura da Saga dos X-men?

A ordem é numérica, do volume 1 ao 33. Não é necessário ler encadernados anteriores; o volume 1 é o ponto de partida oficial da coleção brasileira.

A Saga dos X-men é indicada para quem está começando a ler quadrinhos?

Não muito. O formato episódico e a falta de apresentação dos personagens cobram familiaridade prévia com o universo mutante. Iniciantes podem achar a leitura confusa e arrastada.

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